27.02.25
Terra minha
a. almeida
Nasci onde a serra se acende
Na luz que ofusca a manhã,
Onde o vento canta e fende
Mas sem vergar quem lá está.
Sou filho do chão agreste,
Do sulco fundo do arado,
Da mão que, dura, investe
Contra o destino traçado.
Cada pedra, cada ribeiro,
Cada tronco a retorcer-se,
É espelho do meu roteiro,
O meu ser a escrever-se.
Trago no peito esta terra,
Este chão de pó e suor,
Que me aperta e me ferra,
Mas que me embala em amor.
Ainda que me chame o mundo
E os caminhos me levem além,
Trago na alma, bem no fundo,
As raízes que da terra vêm.
Ser daqui ninguém escolhe,
É sina, é fado, é brasão,
É terra que grita e acolhe
Dentro do peito um coração.
Terra minha, minha terra,
Que molda todo o meu ser,
Como um peito que encerra
O sangue que me faz viver.