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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

01.09.25

Podence com careta feia


a. almeida

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Passagem e visita a Podence, aldeia de Macedo de Cavaleiros, ligada aos populares caretos. Estes bem conhecidos e que tiveram um impulso de popularidade com a classificação pela Unesco de Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, a 12 de Dezembro de 2019.

Quanto aos caretos, nada a acrescentar e resumem-se à sua notoriedade pelas festividades do Carnaval e que  por essa ocasião levam milhares de visitantes a essa aldeia.

Quanto a Podence, não gostei. Melhor dito, é daquelas coisas que vistas uma vez ficam vistas para sempre. Uma aldeia muito incaracterística, uma amálgama de prédios velhos, mesmo em ruínas e as construções mais modernas numa anarquia de estilos, a denotar falta de qualquer preocupação urbanística e preservação das características do edificado antigo, em que predomina a pedra de xisto e madeira. Apenas como único ponto de interesse as pinturas que cobrem as fachadas de algumas construções ao longo da rua principal e mesmo assim com apontamentos bizarros e supérfluos como as referências descontextualizadas a Cristiano Ronaldo, o papa Francisco, António Guterres, Marcelo Rebelo de Sousa, etc. O monumento principal, a igreja matriz, estava encerrado, para "obras de santa engrácia", como informou uma velhinha da aldeia. Nem isto se aproveitou na visita.

Mesmo o museu do careto, localizado numa antiga escola primária, paredes meias com um café e restaurante, ligados à associação local, mostrou não justificar os 2 euros pagos por bilhete de entrada, com alguns apontamentos ligeiros, um vídeo a rodar sem parar e num ambiente injustificadamente escuro. 

Em resumo, fora da festividade do Carnaval, e mesmo aí será confusão da brava, uma paragem em Podence justifica-se apenas para matar a curiosidade e marcar o ponto. Nada ali surpreende de originalidade ou autenticidade. Estes valores já se perderam no tempo. Agora é mediatismo e com a fama é aproveitar na cama.

Não obstante, é apenas a impressão que registei. Outros acharão interessante. Complementa-se a visita, e aí a justificar, até porque próxima, uma paragem na bonita albufeira do Azibo e nas suas excelentes praias.

De seguida alguns olhares colhidos.

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29.08.25

Murça - Por terras da porca


a. almeida

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Por estes dias, com a temperatura bem mais agradável, um passeio por Trás-os-Montes, por esse reino maravilhoso cantado por Torga.

A meio da manhã, uma paragem em Murça. Facilmente encontramos online informações sobre esta pequena vila, sede de um município com pouco mais que 5 mil habitantes. Fácil, também, o acesso a partir do litoral, pela A4, e localizada muito perto da mesma, mais ou menos a meio caminho entre Vila Real e Mirandela.

Como pontos de interesse, o centro da vila, onde se destaca a popular "porca", que outros até dizem ser uma ursa. A igreja matriz, de invocação de Santa Maria Maior, o pelourinho, na Praça 5 de Outubro, o edifício da Câmara e pouco mais, mas mesmo assim um conjunto interessante e harmonioso. Já por ali tinha estado há cerca de 13 anos e a porca continua a mesma. Para abastecer de coisas boas, vale a pena entrar na loja das Caves de Murça, onde não falta boa pinga, azeite e outros produtos desta bonita região. Vim abastecido para o Natal.

Também merece uma visita a bonita ponte romana sobre o rio Tinhela e o troço de calçada também romana que lhe dá acesso, a que se acede a partir da Estrada Nacional 15. Com mais tempo, é interessante o percurso pedestre  que ladeia a margem do bonito e límpido curso de água, afluente do rio Tua. Não obstante, como o português comum gosta de ir de carro até à porta das coisas a ver, este belo recanto e património antigo, passa ao lado da maioria de quem, de fora, ali decide parar, porque para lá chegar é preciso caminhar um bom pedaço, ida e volta, percorrendo a milenar calçada.

Por estes dias procurarei partilhar outras impressões, outros olhares, de outros sítios visitados nesta saída por fora cá dentro. Bem sei que não é a mesma coisa que falar de Punta Cana, de outras puntas ou outras canas, mas é o que se pode arranjar.

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20.08.25

Ó da Guarda!


a. almeida

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Em recente saída de férias por este Portugal profundo e interior, com a pontaria de passar pelos locais mais afectados pelos incêndios, nomeadamente nas zonas de Sabugal e Fundão, pelo que sempre sem ver o azul do céu e a respirar um nevoeiro de fumo, fiz eu, e quem me acompanhava, uma paragem e visita, entre muitas, na sempre deslumbrante e granítica Sé da Guarda.

Custa comprender, porém, certas opções de quem tem responsabilidade e gere alguns dos nossos espaços e património históricos. Mesmo percebendo que a limpeza e conservação custam dinheiro, é difícil de compreender que para se entrar na Sé da Guarda seja preciso cobrar um bilhete e com um adicional se para aceder ao terraço. Disse, testando, que apenas pretendia rezar e, talvez por algum decoro, autorizaram, mas sem ordem para fotografar. Para isso, apenas pagando. Ok!

Já no interior do templo, duas máquinas para aviar medalhas personalizadas alusivas ao local. Daqui a nada terá ali uma máquina de aviar finos e sandes de bifanas. Fiquei a pensar que se Jesus cá voltasse teria de ali usar o chicote de cordas e acabar com aqueles "vendilhões no templo".

Também em Belmonte, com 40 graus de temperatura, na pequena capela de S. Tiago, novamente a bilheteira à porta. Que para se rezar poderia ser em qualquer sítio, respondeu a zelosa cobradora. Por sua vez, o castelo, mesmo que num Domingo e em dia de Feira Medieval, fechado, ou pelo menos com impedimento de acesso e visita porque em preparação um espectáculo musical que iria acontecer à noite, com acesso pago. Creio que informaram que iriam actuar os The Gift.

E vai alguém, em tempo de férias, do Algarve ou do Minho a Belmonte, ou vindo da menos distante Espanha, e fica impedido de visitar o castelo, porque sim. Para mim o prejuízo foi zero, porque já tinha visitado há uns dez anos atrás, mas fiquei aborrecido pelos casais amigos que me acompanhavem. Bonita e esquisita forma de promover a visita do nosso interior e dos seus monumentos históricos.

Tempos estranhos estes, em que já não conseguimos aceder a um espaço tão emblemático como a Sé da Guarda sem ter de pagar ou aceder ao interior escalvado de um castelo em terra de Pedro Álvares Cabral. Já nada é como dantes!

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13.09.24

Por S. Macário e mais além


a. almeida

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Em 1960 ainda não era eu nascido e por isso não tive como testemunhar a suposta primeira chegada ao alto do Monte de S. Macário (freguesia de S. Martinho das Moitas eCovas do Rio do concelho de S. Pedro do Sul) do primeiro automóvel conduzido por um tal de José Inácio Coelho, precisamente no dia 29 de Maio desse ano.

Pode até ter havido um intrépido piloto a realizar a façanha bem antes, mas não teve a pioneira ideia de registar o acontecimento numa lápide de mármore e encravá-la no duro granito da serra. Assim o mérito ficou do Coelho, de resto um animal bem adaptado a esta serra agreste, uma elevação com 1052 metros de altitude máxima junto à capela e que se localiza a pouco mais de 10 km a norte de São Pedro do Sul.

Já lá fui estive várias vezes, uma delas não de mota mas de bicicleta, em pleno Verão, sozinho, por isso sem testemunhas e ainda por cima com o telemóvel sem bateria para registar o acontecimento. Foi uma jornada e tanto.

Quem ali vai pode sempre aproveitar para visitar alguns dos belos sítios da Serra da Freita e Arada e todas aquelas belas e ermas aldeias alcondoroadas aos rios Frade, Paiva e seu afuente Paivô. Para além de Rio de Frades, Covelo de Paivô, Regoufe e Pena (onde se pode bem almoçar), Covas do Monte e Covas do Rio, ainda Drave, Gourim, Ponte de Telhe, Janarde, Meitriz, Fujaco, Coelheira, Póvoa das Leiras, Candal, Cabreiros e outras,  mais próximas entre si ou nem por isso.


Sem pretenciosismos, direi que já quase conheço estes lugares quase como as próprias mãos.

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01.09.24

Crónicas breves de viagens curtas - 2


a. almeida

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Quem já leu e (como eu) releu o “As cidades e as serras”, de Eça de Queiróz, sabe do que falo e do que o trecho a seguir se refere. Relembrando, a descrição do caminho da personagem Jacinto, que vindo do ninho da civilização expressa no seu áureo ponto na cidade das luzes, Paris, decide rumar à austera e velha Quinta de Tormes, um lugar imaginário mas que se refere à Quinta de Vila Nova, localizada por terras de Santa Cruz do Douro – Baião.

Descarregado na estação de comboio em Aregos, na borda do Douro, inicia o caminho sinuoso e íngreme com uma extensão de aproximadamente 4 km, por entre casario e vegetação, e o homem sedentário de Paris, rodeado de todo o conforto civilizacional de que dispunha à época, entra agora num mundo natural, puro, agreste, quase primordial, onde a natureza e a forma de viver simples mostram que a ligação ao homem contém ainda todo esse enraizamento. E nessa simplicidade, que o destino se encarregou de endurecer, perceberá, como irrefutável, a presença dos símbolos de abundância e da vida saudável associada à vida rural.

Nesta pausa estival, fui, também, percorrer esse mítico e real caminho e mesmo que o grande escritor por ali pouco tempo tivesse estado, porque cedo morreu, foi com ele o sonho de transformar a velha casa no seu derradeiro aconchego maternal, que literalmente nunca teve.
Felizmente, a sua filha e a descendência desta, até também se extinguir, conseguiram mitigar esse sonho, transformando a antiga Quinta de Vila Nova, que a ficção transformou numa nova realidade, a Casa de Tormes, num lugar de evocação do escritor. Sem descendência, o legado que engloba a quinta, a casa e muitos objectos pessoais dessa grande figura da nossa melhor literatura, que vieram de Paris depois da sua morte, foi deixado a uma fundação com o nome do autor de Os Maias (1888), O Crime do Padre Amaro (1876), O Primo Basílio (1878), A Capital (1877), entre outros, e criada para o efeito.

Assim tive a oportunidade de visitar a casa, o espaço e tocar em objectos que o escritor usou no seu dia a dia de diplomata e escritor.
Uma rica experiência, a que se juntaram outras e numa prova provada que importará sempre que um simples passeio ou singela estadia tenha um sentido complementar de enriquecimento de cultura e história.

Claro está que as tendências e os gostos modernos não se compadecem com estas “minudências” e de tão atrofiantes essas generalidades, acabam por criar nos outros, poucos, uma sensação de anacronismo, até de um deslocamento no tempo e espaço.
Mas que seja! De resto sempre houve e haverá lugar para tudo e todos, além de que um balão sempre subirá mesmo que cheio de nada, tão somente de ar quente.

Seguem os extractos desse trecho de “As cidades e as serras”:

“E não tardaram a aparecer no córrego, para nos levarem a Tormes, uma égua ruça, um jumento com albarda, um rapaz e um podengo. […] E começamos a trepar o caminho, que não se alisara nem se desbravara […] logo depois de atravessarmos um a trémula ponte de pau, sobre um riacho quebrado por pedregulhos. […] E em breve os nossos males esqueceram ante a incomparável beleza daquela serra bendita!” “Jacinto adiante, na sua égua ruça, murmurava: - Que beleza! E eu atrás, no burro de Sancho, murmurava: - Que beleza! Frescos ramos roçavam os nossos ombros com familiaridade e carinho. Por trás das sebes, carregadas de amoras, as macieiras, estendidas ofereciam as suas maçãs verdes, porque as não tinham maduras. […]

Muito tempo um melro nos seguimento, de azinheiro a olmo, assobiando os nossos louvores. Obrigado, irmão melro! Ramos de macieira, obrigado! Aqui vimos, aqui vimos! E sempre contigo fiquemos, serra tão acolhedora, serra de fartura e de paz, serra bendita entre as serras! Assim, vagarosamente e maravilhados, chegamos àquela avenida de faias."

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26.07.24

Panchorra? Onde é que fica isso?


a. almeida

monsanto.jpgPor vezes, muitas vezes, sinto-me algo anacrónico, fora de tempo e contexto. Será da idade de quem já não vai para novo? Será, quase com toda a certeza!

Os da minha geração têm que enfrentar de caras, como numa tourada diária no campo grande que é a vida, o bicho cornudo que é o intervalo que vai do 8 ao 80. Porque tivemos a oportunidade de ver e vivenciar tudo e agora o seu contrário.

Os mais novos, os que já pelos 30 ou mesmo 40, esses já nasceram num tempo em que o bicho da diferença andaria ali pelos 60, e com isso o salto aos 80, bem menos arriscado e impactante.

Nesta amplitude, a malta nova é cosmopolita. Pensa tudo em grande e à francesa. Viajar, só se para fora do país e quanto mais longe, melhor. Ir a Espanha como quem ía a Badajoz, a Ciudade Rodrigo ou a Tui aos caramelos, é coisa pequena e de quem ía passear com farnel em cesta de vime na camioneta da carreira.

Açaimado pelos tempos do 8, dou comigo a deliciar-me a visitar vilas e aldeias do nosso Portugal, mesmo do mais profundo, a subir escadas e a descer veredas, a contornar montes e vales, a indagar igrejas, capelas e pelourinhos, a procurar saber de histórias e gentes e locais. E quanto mais vejo mais me falta ver, e com isso sem tempo para transpor a fronteira, nem mesmo para ir aos caramelos.

A Londres, Roma, Paris ou Nova Iorque, e outras que mais franças e araganças, só por postais ou metendo-me no taxi do Google Street View.

Mas não me incomoda nem me menoriza, porque tivesse esse desejo, como a maioria pregava uns calotes e lá ía voar para ali e para acolá, a enriquecer o portfólio de viagens, a provocar inveja aos amigos nas redes sociais.
Mas não! De resto faz-me confusão que em conversa com alguns conhecidos, estes se gabem de já terem estado à sombra das pirâmides de Gizê, a molhar os pés na Fonte de Trevi, a olhar pelo monóculo da Torre Eiffel, a espreitar pela coroa da Liberty Statue ou a chupar um gelado por Copacabana quando, vai-se a ver, sendo portugueses do norte, nunca foram a Arouca, a Lamego ou a Bragança. Vejam agora quanto mais conhecerem Sortelha, Alfaiates, Monsanto, Cidadelhe, Muxagata, Regoufe, Rio de Frades, Lomba de Arões, Serapicos, Tourões, Sistelo, Gralheira, Panchorra ou Pretarouca? Onde é que fica isso?

 A pergunta pedia que respondesse  "abaixo de Braga", mas como educado que sou, sugiro que melhor é melhor irem à Agência Abreu! Devem ter pacotes em preço!

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29.05.24

Rio de Onor - A merecer amor


a. almeida

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Num fim de semana com tempo propício a dar à sola, uma saída pelo extremo nordeste transmontano. Dos locais que merecem passagem obrigatória, uma visita a Rio de Onor, eleita em 2017 num concurso manhoso como uma das 7 maravilhas das aldeias portugueses (aldeias em áreas protegidas), situada em pleno Parque Natural de Montesinho, no concelho de Bragança, mesmo no limite da raia, e, porque à beirinha e em continuidade, também um olhar à espanhola Rhionor de Castilla e cujas populações convivem irmanadas como se fossem uma única aldeia.

Aldeia de montanha, formada de casas típicas serranas onde predominam o xisto e a madeira como materiais de construção, com varandas alpendradas a que se acedem por escadas exteriores, e ladeadas pelo límpido rio com nome de Onor, do lado português, e del Fontano, do lado espanhol, que enquadram a paisagem, marcada pela igreja matriz de S. João Baptista, sem torre mas com campanário de dois sinos, como é típico por esta região transmontana.

Ambas as margens do rio são unidas por várias passagens, como a emblemática ponte de origem romana. Do lado de Espanha, a singular travessia por poldras (conjunto de pedras alinhadas, cada uma à distância de um passo).

Dizem os guias turísticos que é uma aldeia de coração comunitário e que tem nos seus habitantes o melhor património, com genuíno saber receber.

Talvez porque com a expectativa em alta, porque quem visita Rio de Onor apenas fotografa as coisas pitorescas, floridas e bem arranjadas, sobretudo o casario à face da ruela que margina o rio pelo lado esquerdo, confesso que fiquei desapontado. Esperava uma aldeia mais homogénea na sua estrutura e sobretudo bem limpa e arranjada, já que é nitidamente um local visitado. Do lado espanhol, mesmo que também com casario em ruínas e a igreja de Santa Martina desmazelada e ressequida pelo sol, vi mais asseio e limpeza das ruelas.

Mas vi, naturalmente, do lado português coisas bonitas, mas sobretudo muitas casas em ruína, a ameaçarem cair sobre quem passa nas rua, a merecerem melhor sorte e com reconstrução condizente à tipologia de materiais e tradição, o que não vi de todo na maior parte das reconstruções, algumas autênticas aberrações. Vi algumas dessas ruínas à venda, mas acredito que com valores desfazados da realidade. O local é bonito, com algum valor turístico, mas em rigor daquelas ruínas pouco ou nada se aproveita numa reconstrução, para além do modelo e tipologia a seguir e respeitar. Ora os vendedores e imobiliárias nestas casos têm a tentação de vender um monte de pedras como se ouro seja.

Fica a ideia que por ali, apesar da natureza da aldeia e da sua integração no Parque Natural de Montesinho, cada um constrói e reconstrói como bem lhe apetece. E do que se vê reconstruído, invariavelmente relacionado ao turismo, nomeadamente com casas de alojamento. A comprovar esta falta de gosto, até a vista frontal da bonita igreja matriz é perturbada por vários grossos e negros cabos da rede eléctrica. Que raio de gente esta que manda nestas coisas, a ponto de não serem capazes de encontrar uma solução que desvie os cabos da vista?

Merecia, de facto, uma maior atenção dos responsáveis. Ainda muito falta fazer por ali, mas também, convenhamos, quem é que se preocupa com uma aldeia isolada ali na extrema de um país que pouco ou nada valoriza o seu interior e sobretudo o mais profundo?

O caminho que falta percorrer nesse sentido de valorização e requalificação ainda é longo e sinuoso como a estrada que liga a Bragança, que dizem que parte dela só a partir de década de 1960, pelo que pelo menos uns 30 quilómetros até à aldeia eram percorridos apenas por trilhos e caminhos no que acentuava o seu isolamento face a povoados próximos, sobretudo à sede do concelho.

Rio de Onor, seja como for, a merecer visita, mas sobretudo amor.

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