11.01.26
Consoada de Reis
a. almeida



Para o ano, Deus queira, haverá mais!
Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]
11.01.26
a. almeida



Para o ano, Deus queira, haverá mais!
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.
11.11.25
a. almeida


No meu quintal tenho um castanheiro, enxertado com uma raça proveniente da zona de Celorico da Beira. No seu desígnio, sendo que a árvore ainda é nova, no terceiro ano a produção foi muito generosa com exemplares grandes, brilhantes e doces. Por conseguinte, se o castanheiro é meu, as castanhas são minhas e mais logo, porque dia de S. Martinho, bem assadas no calor das brasas, terão um sabor acrescido e o proveito também será meu. É assim, quem nada cultiva nada tem.
01.09.25
a. almeida

Passagem e visita a Podence, aldeia de Macedo de Cavaleiros, ligada aos populares caretos. Estes bem conhecidos e que tiveram um impulso de popularidade com a classificação pela Unesco de Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, a 12 de Dezembro de 2019.
Quanto aos caretos, nada a acrescentar e resumem-se à sua notoriedade pelas festividades do Carnaval e que por essa ocasião levam milhares de visitantes a essa aldeia.
Quanto a Podence, não gostei. Melhor dito, é daquelas coisas que vistas uma vez ficam vistas para sempre. Uma aldeia muito incaracterística, uma amálgama de prédios velhos, mesmo em ruínas e as construções mais modernas numa anarquia de estilos, a denotar falta de qualquer preocupação urbanística e preservação das características do edificado antigo, em que predomina a pedra de xisto e madeira. Apenas como único ponto de interesse as pinturas que cobrem as fachadas de algumas construções ao longo da rua principal e mesmo assim com apontamentos bizarros e supérfluos como as referências descontextualizadas a Cristiano Ronaldo, o papa Francisco, António Guterres, Marcelo Rebelo de Sousa, etc. O monumento principal, a igreja matriz, estava encerrado, para "obras de santa engrácia", como informou uma velhinha da aldeia. Nem isto se aproveitou na visita.
Mesmo o museu do careto, localizado numa antiga escola primária, paredes meias com um café e restaurante, ligados à associação local, mostrou não justificar os 2 euros pagos por bilhete de entrada, com alguns apontamentos ligeiros, um vídeo a rodar sem parar e num ambiente injustificadamente escuro.
Em resumo, fora da festividade do Carnaval, e mesmo aí será confusão da brava, uma paragem em Podence justifica-se apenas para matar a curiosidade e marcar o ponto. Nada ali surpreende de originalidade ou autenticidade. Estes valores já se perderam no tempo. Agora é mediatismo e com a fama é aproveitar na cama.
Não obstante, é apenas a impressão que registei. Outros acharão interessante. Complementa-se a visita, e aí a justificar, até porque próxima, uma paragem na bonita albufeira do Azibo e nas suas excelentes praias.
De seguida alguns olhares colhidos.























24.06.25
a. almeida

Na melhor tradição, cá por casa houve noite de S. João. Longe da confusão, do meio da multidão, mas em família. Houve, como de costume, sardinha assada com salada de pimentos assados, costeletas de porco grelhadas para os mais esquisitos, que os mais novos não são de espinhas, arroz de feijão, caldo verde, vinho branco e tinto, broa caseira, azeitonas e tudo o resto, o que, desta maneira, ficou por meia dúzia de patacos por cabeça, enquanto que fosse na tasca da festa, pagar-se-ía "couro e cabelo".
Houve tempo para a sobremesa, com bolo, cerejas, ameixas-de-s.joão e até para a largada de um balão. Como se não bastasse, virada ao mar, nuvens negras com relêmpagos, como se fora fogo de artifício de borla. Porém, se choveu não foi por cá.
Já dizia a minha bisavó, "melhor festa faz quem em sua casa em paz".





10.03.25
a. almeida

Cá por casa, seguindo a tradição, no almoço de Carnaval, foi assim. Coisas como orelheira e costelas, estão por baixo, escondidas.
Bem sei que que estas coisas não vão à boca dos que lutam por ter cinturinhas de formiga e vivem com cara de desconsolados, e que, como diz por cá o povo, e desculpando-me a linguagem, "não comem para não cagar", mas é o que é. Afinal, ainda seguindo, no dia seguinte, Quarta-Feira de Cinzas, foi de jejum e abstinência, a água e pão. Por conseguinte, umas pelas outras...


01.01.25
a. almeida
Mais um ano, mais do mesmo.
A contagem regressiva ecoa em uníssono nos canais de televisão, que cobrem a coisa como se de algo transcendente se tratasse, dando tempo, imagem e voz a gente anónima, de copo na mão – mas muitos brasileiros –, fosse em Lisboa, Viseu ou Covilhã, como se numa qualquer Copacabana.
Uma tamanha atenção televisiva, como se marcar e passar a meia-noite tivesse qualquer relevância cósmica ou transcendente. Em todo o lado, do Minho ao Algarve, da Madeira aos Açores, até mesmo na mais recôndita aldeia ou lugarejo interior, houve fogo de artifício a riscar e a enevoar de fumo o céu – explosões de cores tão previsíveis quanto vazias. Cada estalo, para além do dinheiro estoirado, foi uma celebração da repetição, um espectáculo projectado para desviar o olhar do facto inevitável: o mundo continua exactamente como era às 23:59 horas.
Cá na aldeia há uma empresa de venda de pirotecnia. Passei por lá por volta das 18:00 horas e havia fila para comprar as últimas baterias, os últimos cartuchos.
Nos hotéis, salões de festas, praças e ruas lotadas, as pessoas abraçam-se com um entusiasmo vazio, prometendo a si mesmas que "o novo ano será diferente". Um brinde colectivo ao auto-engano. As resoluções são proclamadas com fervor – dietas que não começarão, planos que nunca sairão do papel, versões melhores de nós mesmos que se evaporarão antes do final de Janeiro.
As rotinas são sempre as mesmas. A ceia é um desfile de excessos: pratos absurdamente caros e cuidadosamente ornamentados para as redes sociais, discursos insossos sobre saúde, paz, amor, gratidão e optimismo. Os lugares-comuns de sempre.
A superficialidade não está apenas na festa, mas na crença de que o virar de um calendário pode consertar o que a humanidade insiste em ignorar. Seguimos na mesma toada, a celebrar rituais ocos enquanto evitamos enfrentar os nossos erros colectivos. Enquanto isso, há guerra na Europa, com perigo de propagação crescente; há guerra no Médio Oriente, em África, e por aí fora. Há fome, há crianças dela a morrer a cada segundo, a cada estouro de fogo-de-artifício.
2025 surge por cá numa noite gelada, a indiciar um mau ano, de dificuldades e incertezas, mas toda a gente festeja e gasta como se não houvesse amanhã. Mas há!
Então, brindemos, como sempre, à ilusão de um "novo começo". Sejamos uma roda dentada da engrenagem que gera um ciclo automatizado, repetido à exaustão, onde o maior espectáculo não é o fogo de artifício, mas a nossa capacidade de fingir que algo vai mudar, quando bem sabemos que não.
30.03.24
a. almeida

É sempre assim: Natal ou Páscoa, cá em casa cheira a pastelaria. Tudo feito como deve ser, a começar pelos ovos vindos da capoeira ao fundo do quintal. Bem sei que a patroa por vezes queixa-se que assim não tem tempo de ir arranjar o cabelo, artificializar as unhas e preparar a lingerie. - Deixa lá, querida, isso é para gente moderna, que já compra tudo feito. O prazer de comer e saborear as coisas que fazemos de forma ritual, quase sacramental, fica-lhes à porta. Do lado de fora! Não se pode ter tudo, pois não?