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Diário de quem já não vai para novo

...porque as palavras são a voz da alma.

Diário de quem já não vai para novo

...porque as palavras são a voz da alma.

14.06.24

Os burros gostam de cenouras


a. almeida

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A nossa televisão pública, a RTP, abriu ontem o seu principal telejornal, das 20:00 horas, com o tema da selecção nacional de futebol de partida para a Alemanha. Foram quase vinte minutos da coisa a que acresce os espaços próprios que se debruçarão sobre o dia-a-dia daquela comitiva de príncipes.

Há, naturalmente, assuntos bem mais importantes a merecer a atenção no país mas a RTP e a sua agenda popularucha e de primazia ao entretenimento das massas, entende que é isto que se justifica e por estes tempos vai ser assim até ao final do Europeu de Futebol.

Face à importância dada ao circo da bola, o resto, mesmo que essencial, é para despachar. Ainda bem que temos a CMTV para nos mostrar o país, cinzento mas  real, tão diferente do colorido que nos mostra o photoshop da televisão pública. 

Cada um faz o que quer e gosta. Por mim só o lamento porque de alguma forma, pelos impostos e taxas, obrigam-me a contribuir para isso. E não havia necessidade, porque gosto de pagar apenas o que consumo, incluindo cenouras. 

Siga a rusga!

Edito à posteriori para acrescentar que bem sei que o povo gosta de futebol, também os portugueses, também eu, mesmo que já lhe dedicando pouco tempo e reduzida preocupação, mas parece-me um exagero que lhe seja dispensada tanta atenção e recursos, quando, afinal, para o mesmo povo não passa de um entretenimento. Um destes dias o Telejornal abrirá a dedicar 20 minutos ao "Casados à Primeira Vista", ao "Big Brother" ou ao "Quem quer namorar com o agricultor?".

12.06.24

O serviço público gosta da bola


a. almeida

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A nossa televisão pública, a RTP, acha que serviço público é isso mesmo, antecipar ou adiar o Telejornal, arrumar para canto o  institucional "O Preço Certo", e transmitir com todas as honras de prime time um joguinho de futebol, mesmo que na filosofia de jogo treino ou de preparação, ou bem mais a condizer, "a feijões" ou de "casados contra solteiros". 

Como já não vou muito a futebóis, mesmo que tenha na minha colecção centenas de cadernetas de cromos da bola, arrelio-me com este critério que dá ao futebol da nossa selecção de portugueses e brasileiros comandada por um espanhol, um estatuto de coisa importante. Poderia a Terra estar à mesma hora a ser invadida por marcianos que o joguinho em directo é que não faltaria.

Compreeendo, claro que compreendo, porque é do que a generalidade da malta gosta e tudo o que é negócio, mesmo que disfarçado no eufemismo de "serviço público" não dispensa tal oportunidade. Mas que chateia, chateia!

Mas talvez o que mais me chateie é ouvir relatador e comentador num registo de provincianismo bacoco, quase histérico, em que cada jogador das "quinas" é um Midas, e em que qualquer encosto do adversário a um dos nossos seja motivo para falta, amarelo e mesmo penaltie. E assim um corte de cabeça sobre o príncipe CR7-39  teria que ser castigo máximo da marca dos 11 metros.

Felizmente uma das coisas boas que têm as televisões é opções de outros canais e programas. Assim, lá parei numa velha cowboyada com o Terence Hill e o Bud Spencer a distribuirem porrada velha. Isto sim, é que é divertimento, a valer mais que um jogo de futebol da selecção.

Desculpem os aficcionados da bola, mas isto decorre da falta de paciência de quem já não vai para novo. Podem vir exibir os cartões amarelos ou vermelhos!

07.06.24

A arruaceiros dá-se palha


a. almeida

Dizem, e di-lo a Constituição, essa vetusta e séria senhora, que todos temos o direito à manifestção. Mario Soares até foi mais longe e fez jurisprudência quando afirmou que temos direito à indignação. 

Apesar disso, e a propósito do protesto que alguns "democratas" resolveram fazer em simultâneo  com o discurso de Von der Leyen  numa acção de campanha da AD na cidade do Porto, não há como dizê-lo, foram um bando de arruaceiros, no desrespeito e perturbação de uma campanha legal e democrática. 

Quem tem verdadeiro espírito democrático e respeito pelos demais, não tem o direito de perturbar e desrespeitar os outros, mesmo que por motivos que considerem legítimos, porque tudo no seu tempo e modo adequados.

Mas neste contexto e do que vi nalguma da nossa televisão, o foco desta não foi a acção de campanha da AD mas dos arruaceiros, dando-lhes cobertura, palco e voz. Das imagens e queixas de alguns dos arruaceiros, que disseram ter sido maltratadinhos pelos brutos dos polícias, parece-me que o que ficou a faltar para justificar as queixas, foram umas bastonadas, porque a burros não se dá conversa mas palha. Afinal eu faria o mesmo se viessem a minha casa perturbar o meu ambiente e a minha família. Quem se põe a jeito, como dizia o Jorge Coelho, leva!

O problema destes arruaceiros é que se sabe quem são, que orientações seguem e de que quadrantes vêm. Muitos fazem-no como militância e desafios e descarga de adrenalina e para mais tarde dizerem aos filhos e netos que estiveram ali nas manifestações, a darem o corpo às balas. Balelas!

Ora o tema do "free for palestine" invocado pelo grupo de arruaceiros, é legítimo e eu também, horrorizado com o que vai acontecendo naquele território e àquele povo, sou a favor dele, mas não tenho que o berrar nas orelhas dos outros como se  sejam eles os culpados directos nem perturbar a ordem pública. Por outro lado, porque não berram eles, com igual fervor, contra o Hamas? E porque não a favor da Ucrânia e contra os russos? E porque não alugam um avião e vão à Terra Santa berrar isso directamente nos ouvidos dos israelitas ou até Moscovo e gritar no Kremlin?

Já não há paciência para arruaceiros e muito menos para as televisões que lhes dão palco e tempo de antena. Em suma, a valorizar o que devia ser condenado. Mas é disto que a casa gasta! Habituem-se os que não gostam!

03.06.24

O escrivão das legendas deve ganhar à comissão


a. almeida

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Ao contrário do que muitos vão anuindo, eu acho que a nossa imprensa não deve ter qualquer favorecimento ou intervenção do Estado, não mais do que a aquela que dispensa para com outros ramos de actividade. Não me parece que a imprensa dita "livre" possa ser mais isso, dependendo de financiamento estatal, logo de todos nós. Já nos bastam as taps, as rtps, e todas as outras taxas e taxinhas mais ou menos camufladas em certas facturas. A imprensa deve ser livre, isenta e de qualidade por si só. Se não for capaz disso e por isso não tiver clientela, deve mudar de ramo. 

De resto, pelo menos a mim, pareceu-me notória a subserviência e beija-mão de alguns títulos e canais depois do apoio que o Governo lhes concedeu no contexto da pandemia. Afinal de contas, é ditado velho que é bom e fiel o cão que não morde a mão do dono ou de quem o alimenta.

Além do mais, nunca o nível profissional andou tanto por baixo, mesmo em coisas tão simples como a de escrever os títulos e roda-pés nas nossas televisões. Os trocadilhos da CMTV são de outra galáxia, por isso de e para extra-terrestres, mas um erro crasso e grosso como o que ilustra a imagem, na cosmopolita CNN Portugal, é de bradar aos céus. O "comíssio" da AD em Lamego, esteve ali um bom tempo escarrapachado, até que a alguém ferisse os olhos e corrigisse. Deve ter sido distracção pelas "urgências de ginecologia", digo eu.

Em resumo, a AD  e o candidato Bugalho estão a realizar uns bons "comíssios". Diz-nos a CNN.

15.05.24

Expectativas paupérrimas


a. almeida

Percebi, e quem quis, que na SIC Notícias um importante critério ou factor para classificar os debates é "as expectativas". Mesmo que estes, os debates, televisivos ou radiofónicos, como ficou demonstrado aquando da campanha para as últimas legislativas, pouco ou nada decidam na orientação de voto, e porque se assim fosse o André Ventura e o Chegam elegiam menos que o PCP, a verdade é que as televisões continuam a dar-lhes vital importância. Isso e "Domingões". Adiante!

Neste contexto de "expectativas", teve o candidato cabeça-de-lista pelo LIVRE ao Parlamento Europeu, Francisco Paupério, boas classificações por Baldaia e companhia. Já o Bugalho, podia ter sido melhor pontuado pelos ex-colegas da coisa se "tivesse sido ele próprio". Não alinho, de todo, nestas classificações, muito menos por critérios que em rigor pouco valem. Ainda virá o tempo em que os candidatos serão apreciados pelo que vestem ou pelo corte de cabelo. Por mim, a expectativa para com candidatos, bem como para com os jornalistas, é quase sempre baixa, paupérrima mesmo, e nem o Paupério fez mais que os mínimos exigidos a quem quer ir de férias para Bruxelas ou Estrasburgo. Ainda por cima, da nossa esquerda, pouco ou nada defensora da União Europeia. Tal como alguns, e algumas, casam não porque deles ou delas gostem, mas porque uns e umas têm carteira e assim outros e outras lhes sacam umas massas.

Políticos e jornalistas, que belo casamento de interesses.

14.05.24

Tempo a falar do tempo


a. almeida

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Noutros tempos não se perdia tanto tempo a falar do tempo. Na RTP, no final do Telejornal lá vinham, então, o Costa Malheiro ou o Anthímio de Azevedo, formais de fato e gravata, de ponteiro apontado ao preto quadro de lousa, com gatafunhos por eles desenhados manualmente a giz, como nas escolas primárias, a explicar-nos os estados de alma do anti-ciclone dos Açores e as consequências do mesmo na ondulação, vento e temperatura. Era o Boletim Meteorológico, em dois ou três minutos, se tanto, a preto-e-branco, como no quadro.

Hoje em dia a coisa pia mais fino e ele é alertas de várias cores, porque faz frio, porque faz calor porque chove ou porque não chove. Falar do tempo e sobre o tempo faz parte do nosso dia-a-dia e já não basta deitarmos o nariz fora da porta para, constatando o óbvio, vermos o tempo que está, ou comprar o Seringador nas feiras para saber quando estará de feição e de boa lua para podar, semear os nabos ou plantar as batatas. Alguém tem que o dizer, comentar e fundamentar. Dá lugar a reportagens, entrevistas a populares anónimos, a cientistas e até mesmo no "teatro de operações" com uma qualquer repórter, de cabelos a esvoaçar, afanosamente a informar, com ares de coisa nunca vista, de que está a chover ou a nevar forte e feio. As coisas do tempo até têm nomes, como pessoas. Um aguaceiro pode chamar-se Custódio ou Isaías, uma ventania, Alice ou Josefina. Coisa que parece brincadeira mas para levar a sério.

Não andamos com o quadro de lousa do Malheiro ou do Anthímio, mas trazemos no telemóvel uma ou mais apps que nos dizem o tempo em cada momento e em cada lugar. Já não vivemos sem as previsões e não nos basta a do dia seguinte nem nos contentamos sequer com a de dois ou três. Pelo menos uma previsão para 15,  30 ou mais dias. É uma aflição e expectativa saber se no dia do casamento, do piquenique da família ou da festa da aldeia vai haver sol ou chuva. Adiam-se eventos só porque as previsões dizem que dali a uma semana S. Pedro não estará com contemplações a distribuir sol. Nas redes sociais somos todos meteorologistas e replicamos as previsões, partilhando-as numa vontade samaritana de avisarmos os vizinhos do perigo, não lhes aconteça que, distraídos, estarem desprevenidos para uma chuva ou uma ventania. E logo nos nossos dias em que ninguém anda de guarda-chuva pendurado, às costas, na gola do casaco.

Outros tempos, estas coisas do tempo!

Sinais dos tempos, estes em que o exagerado 80 deixou o humilde 8 envergonhado, lá bem trás.

Uma valente chuvinha é que vinha agora a calhar!

13.05.24

Um festival de coisa nenhuma


a. almeida

1 - Ainda não percebi porque é que aquela coisa chamada Festival Eurovisão da Canção ainda existe. É que aquilo é do fraquinho para baixo. E agora a ser polvilhado com agendas políticas, posições e mensagens mais ou menos subliminares, nas roupinhas, nas cuecas ou até nas unhas, que nada têm a ver com as musiquinhas e as espatafurdices, estaria mais que na hora de dar uma limpeza geral. Mas, ok, só vê quem quer e gosta e haverá sempre mosquedo atrás das traseiras do gado. A nossa representante, uma tal de Iolanda, parece que também quis dar o seu "peidinho" para "ficar do lado certo da história". Ora o lado certo desta história era não se meter nestes tristes espectáculos.

Do pouqinho que vi, para ter opinião, a cantiga de Israel foi de longe a menos fraquinha, mas estava escrito nas estrelas que nunca seria vencedora e o lugar conquistado (creio que 5.º) até é lisongeiro face ao antagonismo que gerou. Pelas mesmas razões que ganhou a  cantiga da Ucrânia logo a pós a invasão pela Rússia, a de Isreal foi agora a sacrificada.

2 - Israel passou há muito das marcas do aceitável, se é que estas coisas de guerra têm alguma aceitabilidade. Por conseguinte não posso de modo algum concordar com tudo o que tem feito e continua a fazer em Gaza: Morte e destruição.

Apesar disso, às muitas manifestação a favor da Palestina, só lhes dou legitimidade quando com o mesmo vigor os protestos se direccionarem aos movimentos terroristas, com o Hamas à cabeça. A guerra continua, violenta, mas, parece que todos nos esquecemos que apesar de tudo e do tempo decorrido, o grupo fundamentalista ainda continua a deter os reféns caçados desde o o acto terrorista em Outubro passado, quando atacou e massacrou de forma indiscriminada gente civil, sabendo que com isso estava a acender o rastilho para uma bomba. Como se diz na gíria, o Hamas continua a dar todos os motivos para que Israel continue a destruição.

Quanto aos manifestantes, florzinhas ocidentais defendidas pelos mecanismos da democracia, como gostaria de os ver a ir à Rússia, à China, à Coreia do Norte, ao Irão, ao Afeganistão e a tantos outros palcos contestar, protestar contra os respectivos regimes e políticas de repressão. Isso é que era de gente com eles no sítio. Por ora é do género, "segurem-nos, senão vamos a eles!".