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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

04.12.25

Todos iguais? Só nas letras pequeninas


a. almeida

Os problemas ou dificuldades dos portugueses, nos acessos aos serviços de saúde do SNS, é não serem figuras importantes, nem políticos, nem deputados nem presidentes da República. Fossem e nada lhes faltaria, a tempo e a horas e com os miminhos que toda a Comunicação Social lhes devota, como figuras gradas. Ainda com tempo de antena, opiniões de gente comum e especialistas em tudo quanto seja área médica, seja em hérnias, ossos partidos, narizes entupidos, furúnculos, gases, nós nas tripas, etc.

Não sei se a figura pública que ocupa sem pagar renda o palácio de Belém, teve que recorrer ao Saúde 24, se foi logo atendida, se foi sujeita às esperas, pulseira de cor, enfim, aos mesmos procedimentos que são dados a qualquer utente do SNS. A ministra, disse que sim, mas, cá para nós, todos achamos que foi diferente, muito diferente. Creio, até, que não teve de mijar para a botija mas antes direito a casa de banho privada. É apenas um pressentimento.

Fosse eu presidente da República, o exame para um problema importante, que aguardo há um ano, e que já foi marcado e desmarcado por 3 vezes, certamente seria dado como urgente e logo despachado. Mas remeto-me à minha insignificância de Zé Ninguém.

Em resumo, somos todos iguais, mas só nas letras pequeninas da constituição. Não que o saibamos, mas não nos façam de lorpas quando nos dizem que sim, que somos.

05.06.25

Teimosia ou confiança cega?


a. almeida

Percebe-se que  nesta nova legislatura seja reconduzida a quase totalidade dos ministros do anterior Governo, antes de o PS o ter mandado para novas eleições. Já não se compreende, de todo, que volte a apostar numa ou noutra figura que manifestamente se mostraram incapazes de dar a volta às políticas e problemas hereditários dos respectivos ministérios, sobretudo e, principalmente, a Ministra da Saúde, Ana Paula Martins. É certo que já com alguma (má) experiência, mas cheira-me que vai ser mais do mesmo.

Só pode ser por teimosia ou confiança cega de Luís Montenegro.Ou ambas. Convenhamos que é uma má aposta. Não obstante, as consequências dos riscos cairão sempre, em primeira mão, não no primeiro ministro, mas em todos os portugueses, sobretudo os que precisam dos cuidados de saúde. E quem não precisa?

16.09.24

No vendaval dos preconceitos


a. almeida

A propósito dos 45 anos de Serviço Nacional de Saúde (SNS), que, creio, consideramos todos como uma das conquistas importantes da nossa democracia, o actual primeiro ministro, Luís Montenegro, considerou que a "saúde não se gere com preconceitos ideológicos".

Pela minha parte também partilho dessa conclusão e de resto acho que ao longo dos tempos o SNS tem estado permanentemente no meio do vendaval ideológico e daí em muito resulta ao estado a que chegou passados estes 45 anos.

Da extrema esquerda não se esperam contributos para além dessa arreigada ideologia em que a Saúde tem que estar apenas debaixo da alçada do Estado e em que o sector privado é visto como um diabo chifrudo.

No resto, e para quem de facto tem governado, PSD, CDS e PS, este com maior tempo de serviço, não tem havido coerência quanto ao modelo e políticas de que possam resultar a colaboração vantajosa e complementar do sector privado, por isso com avanços e recuos ao sabor dos tais "preconceitos" e dos compromissos a cada mandato, ora mais liberais, ora mais extremados.

Ora enqunto assim for, parece-me, não haverá grande evolução nos próximos tempos no nosso SNS, até porque o problema também é estrutural no que se refere a toda a cadeia de acesso, ensino e formação dos profissionais de Saúde.

Por conseguinte, com mais ou menos medidas avulsas, a coisa vai indo e andando da forma que tem andado, conceretza que nem tudo mal e com coisas boas, mas com problemas graves, estruturais,  e aparentemente sem soluções fáceis, até porque, a envolver tudo, uma vez mais, os "preconceitos ideológicos"..

03.07.24

Filho és, pai serás...


a. almeida

Sempre se disse que somos crianças duas vezes na vida. Na infância, pois claro, e depois na velhice, em que face às nossas doenças, debilidades e incapacidades, somos levados pela mão e tratados como criancinhas, levando-nos para onde queiram e como quiserem.

Como na passagem do Evangelho em que Jesus diz a Pedro: "-Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres».[Jo. 21-18].

A minha mãe tem já uma bonita idade. Foi mulher que não teve infância ou se a teve, de trabalho e maus-tratos. Ficou órfão de mãe aos quatro anos, teve de seguida uma madrasta que lhe foi madrasta. Como criada e jornaleira da casa, casou cedo com um homem bom, filho dos patrões, mas com o dobro da sua idade. Mesmo assim, criou nove filhos, todos amados e educados e que deram homens e mulheres e cada um deu-lhe dois netos. Já há bisnetos, pois claro.

Por força dessa vida dura, de constantes freimas e lutas para sustentar e orientar os filhos, em grande parte pelo desgaste comum a quem desde tenra idade labuta nas terras num constante penar, está naturalmente debilitada e agora, qual criança, a merecer cuidados dos filhos. Recusa-se a ir para um Lar mesmo que de boa qualidade e com uma nora nele a trabalhar. Mas, ainda com lapsos de lucidez, o que nem sempre, não quer sair da casa, do ambiente e da sua zona de conforto, das flores e da horta, mesmo que já sem as poder tratar. 

Enquanto os problemas não se agravam, têm os filhos as tarefas divididas e por ora a mim cabe-me diariamente assegurar o jantar, confirmar que toma os medicamentos e mais tarde ajudá-la a deitar-se, vestindo-a, despindo-a, colocando-lhe a cueca-fralda, etc. Ainda ontem quando a colocava, conseguiu dizer-me: Pari, amamentei, andei contigo ao colo, dava-te a papa e mudava as fraldas; lavava-te e vestia-te e agora és tu a fazeres-me o mesmo e eu para aqui como uma criancinha...

Dá que pensar, ou não, porque afinal é a lei da vida e além do mais, amor com amor se paga. Infelizmente os dias que correm e as correrias e compromissos dos mais novos não se compadecem com estes lirismos e paternalismos e cada vez mais os idosos, sobretudo quando fragilizados, são deixados sozinhos, por sua conta e risco e, em última análise, depositados em lares, e tantas vezes sem o acompanhamento regular, apenas quando de lá telefonam a informar que o pai ou mãe faleceram.

Não pretendo generalizar, pois bons filhos sempre os há-de haver, mas a que a coisa vai no sentido da indiferença, em que se não troca o bem-estar, não se prescinde de um dia de férias ou da viagem marcada, do conforto, compromissos de entretenimento e ocupações próprias para tratar dos pais quando velhinhos e doentes, lá isso vai. Os exemplos ou testemunhos são mais que muitos. E se não acreditasse, bastaria ter em conta o que uma cunhada, a tal que trabalha num Lar, vai descrevendo quanto à quase completa indiferença dos familiares para com alguns dos seus pais.

É o que é! Todavia, é antigo o ditado que diz, "filho és, pai serás, assim como fizeres, assim acharás.”