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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

29.09.25

Lá se foi a Dina - Fica o enchimento de chouriços e entretenimento de reformados


a. almeida

Bem sei que a idade não se compadece com o profissionalismo e por isso a conhecida Dina Aguiar, de 72 anos de idade, e 47 de carreira, deixa a RTP e o seu lugar de pivô no excelente programa "Portugal em Directo". De resto este vai mudar de nome, esperando eu que não signifique desvios da linha editorial e objectivos.

Bem sei que contou a idade e uma certa justificação de "renovação". Dizem que também o ordenado, o que não deixa de ser ridículo face ao que por ali se gasta com menos substância. Pergunto eu quanto não paga a estação dita pública naqueles cozinhados diários, a chefes, a canários, a malhoas, a zés amaros e companhia, quase por ali residentes, no que dizem ser a praça da alegria?

Podia aproveitar a RTP o balanço da foice e terminar com os monos e programas de encher chouriços como "O Preço Certo" e o "Praça da Alegria", e outros mais do género. Bem sei que têm audiências, sobretudo o concurso onde se dá prémios mesmo sem qualquer mérito de acertar nos desafios (-Está errado ou está errado?), mas para um serviço público e para o qual também pago na justa medida, não pode valer tudo. Não está em causa a qualidade do Fernando Mendes para o lugar, mas é de facto tempo a mais para um programa e que já nada acrescenta, para além de um entretenimento oco. Um serviço de televisão pública tem de ser bem mais que isso. Para isso, existem as outras estações.

Temos assim programas e figuras que se perpetuam, intocáveis. A inovação e renovação são, assim, eufemismos que em rigor nada significam. É o que temos e mais valia entulhar esse poço de despesismo público.

Em todo o caso, a minha opinião vale zero. Só me dou ao trabalho destes reparos por ser contribuinte da coisa. Não fora isso e a preocupação também seria zero, bola. 

Dina, até amanhã, se Deus quiser! Deus até quereria, mas não te quiseram o Vitor Gonçalves e companhia. Temos pena, é a vida!

12.06.25

Sandes de couratos e petinga de cebolada


a. almeida

O programa "Praça da Alegria" é mais um dos vários formatos de encher chouriços na nossa televisão e entreter a gente reformada ou aliviar a tensão nas salas de espera dos serviços públicos.  Para além disso, tem promovido umas espécies de concursos ou competições cujo principal objectivo é facturar com chamadas de custo acrescentado, levando a vinhança, família e amigos a telefonaram a escolher o concorrente A ou B, toque ele acordeão, pífaro ou castanholas, tenha talento e formação ou apenas um habilidoso com algum jeito. Aqui há uns tempos, correu pela freguesia um pedido para votar em alguém que lá iria estar a competir em qualquer coisa. Não precisava de ver e ouvir e ajuizar do merecimento, mas apenas porque era conterrânea.

Agora, parece que, dentro do mesmo, vai promover a Praça uma competição de petiscos. Não sei se serão, 10, 20, 30 ou 50 participantes ou concorrentes, mas na certeza de que um pratinho de moelas, petinga de cebolada, couratos de porco, rojõezinhos ou uma punheta de bacalhau, ganhando no juíz do telefone, no julgamento do quem mais liga, ficará com o pomposo título "O petisco melhor de Portugal", como se de facto o país inteiro na arte de fazer petiscos, ali fique representado. Não sei se participará a minha sogra com as suas papas de milho amarelo ou o Tono da Esquina que sabe combinar língua de porco com fígados de galinha como ninguém ou mesmo o Zé das Fêveras que as serve com o tamanho como se fossem de porco de 50 arrobas ou o Albino que as vende, as fêveras, ao metro ou a Adega Sporting, de Castelo de Paiva, com um cardápio de tudo quanto é petisco do bom e melhor. Talvez não, porque a Praça pode ser da Alegria mas deve ser uma tristeza de espaço para albergar tanta e tanta gente, do Minho ao Algarve, dos Açores à Madeira, que no que se refere à nobre arte da confecção da petiscada. 

Mesmo compreendendo o alarido televisivo, é, em rigor, um abuso, uma bacoquice, que por mais parcial que a coisa seja, se arvore e publicite como "o melhor de Portugal".

Vale o que vale, pouco, mas na arte de vender banha da cobra, importa antes o parecer que o ser. A nossa RTP, pública, que por isso devia ser mais comedida nos abusos e eufemismos, já não consegue ser diferente das demais. É a concorrência a ditar as leis.

05.07.24

É a democracia, seu estúpido!


a. almeida

Sei e sabemos que a França, em processo de eleições,  está em polvorosa, e são várias as forças (verdadeiros cães e gatos entre si) que por ora recolhendo as garras  e dentes, revezam-se para numa frente popular tirar o tapete à extrema direita que, pelos resultados de Domingo passado, ameaça tomar o poder. Para além deste unir forças de um saco de gatos, houve manifestações e tudo o mais em que a França, com um historial de revoluções e decapatições, é fértil. 

Eu também não gosto de extremismos, à direita ou à esquerda, porque no meio sempre esteve, senão a virtude, o equilíbrio e bom senso. Mas, queira-se ou não, goste-se ou não, se a dita extrema direita vencer será, imagine-se, por um processo democrático e eleições igualmente democráticas, logo o povo a escolher, a decidir. Ou seja, não está em causa um golpe de Estado ou uma nova revolução com corte de cabeças. É apenas a democracia a funcionar, seu estúpido, apetece dizer!

Ontem, no Telejornal da RTP, não contabilizei mas, a olhómetro, terão sido pelo menos 10 minutos dedicados ao tema e todo esse tempo foi de propaganda e tempo de antena aos opositores ao Rassemblement National (RN), expondo os seus receios, explicando as suas ideias e dando voz e protagonismo aos seus militantes.

A RTP esqueceu-se, todavia,  que na cobertura de eleições, aqui, na Concochina ou na França, importa ser imparcial, isento e dar vez e voz a todos. É nestes valores e princípios que um qualquer bandido ou homicida é julgado, com sentido de justiça, mesmo que a fúria popular os queiram linchar às portas dos tribunais.

Foi, pois, parcial e descaradamente apoiante de um lado a desfavor do outro. Mas, reitero que, queira-se ou não, goste-se ou não, se a dita extrema direita vencer será por processo democrático e eleições igualmente democráticas, logo o povo a escolher, a decidir. Não é a democracia o respeito pelas diferenças e opiniões contrárias, por mais estapafúrdias e radicais que sejam ou pareçam?

Eu não quero nem gosto de uma televisão pública parcial, que tome partidos, que nos doutrine. Já bastou quase meio século dessa receita. Quem vota, aqui ou em França, é de maior idade e concerteza que senhor das suas faculdades de escrutínio e capacidade de decisão, mesmo que não do agrado de outros. Serão uns mais democratas que outros?

Quanto ao resto, ao resultado das eleições em França, nem me aquece nem arrefece, precisamente porque será a escolha livre e democrática dos seus cidadãos a decidir, pró bem ou pró mal. De resto, aquilo já não é propriamente um país, uma nação, mas antes um caldeirão de uma qualquer mixórdia, sem identidade própria, de quem nem o Asterix arrisca a beber. Terá, pois, sempre o que merece. C'est ça!

Allez, allez!

12.06.24

O serviço público gosta da bola


a. almeida

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A nossa televisão pública, a RTP, acha que serviço público é isso mesmo, antecipar ou adiar o Telejornal, arrumar para canto o  institucional "O Preço Certo", e transmitir com todas as honras de prime time um joguinho de futebol, mesmo que na filosofia de jogo treino ou de preparação, ou bem mais a condizer, "a feijões" ou de "casados contra solteiros". 

Como já não vou muito a futebóis, mesmo que tenha na minha colecção centenas de cadernetas de cromos da bola, arrelio-me com este critério que dá ao futebol da nossa selecção de portugueses e brasileiros comandada por um espanhol, um estatuto de coisa importante. Poderia a Terra estar à mesma hora a ser invadida por marcianos que o joguinho em directo é que não faltaria.

Compreeendo, claro que compreendo, porque é do que a generalidade da malta gosta e tudo o que é negócio, mesmo que disfarçado no eufemismo de "serviço público" não dispensa tal oportunidade. Mas que chateia, chateia!

Mas talvez o que mais me chateie é ouvir relatador e comentador num registo de provincianismo bacoco, quase histérico, em que cada jogador das "quinas" é um Midas, e em que qualquer encosto do adversário a um dos nossos seja motivo para falta, amarelo e mesmo penaltie. E assim um corte de cabeça sobre o príncipe CR7-39  teria que ser castigo máximo da marca dos 11 metros.

Felizmente uma das coisas boas que têm as televisões é opções de outros canais e programas. Assim, lá parei numa velha cowboyada com o Terence Hill e o Bud Spencer a distribuirem porrada velha. Isto sim, é que é divertimento, a valer mais que um jogo de futebol da selecção.

Desculpem os aficcionados da bola, mas isto decorre da falta de paciência de quem já não vai para novo. Podem vir exibir os cartões amarelos ou vermelhos!