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Diário de quem já não vai para novo

...porque as palavras são a voz da alma.

Diário de quem já não vai para novo

...porque as palavras são a voz da alma.

14.05.24

Tempo a falar do tempo


a. almeida

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Noutros tempos não se perdia tanto tempo a falar do tempo. Na RTP, no final do Telejornal lá vinham, então, o Costa Malheiro ou o Anthímio de Azevedo, formais de fato e gravata, de ponteiro apontado ao preto quadro de lousa, com gatafunhos por eles desenhados manualmente a giz, como nas escolas primárias, a explicar-nos os estados de alma do anti-ciclone dos Açores e as consequências do mesmo na ondulação, vento e temperatura. Era o Boletim Meteorológico, em dois ou três minutos, se tanto, a preto-e-branco, como no quadro.

Hoje em dia a coisa pia mais fino e ele é alertas de várias cores, porque faz frio, porque faz calor porque chove ou porque não chove. Falar do tempo e sobre o tempo faz parte do nosso dia-a-dia e já não basta deitarmos o nariz fora da porta para, constatando o óbvio, vermos o tempo que está, ou comprar o Seringador nas feiras para saber quando estará de feição e de boa lua para podar, semear os nabos ou plantar as batatas. Alguém tem que o dizer, comentar e fundamentar. Dá lugar a reportagens, entrevistas a populares anónimos, a cientistas e até mesmo no "teatro de operações" com uma qualquer repórter, de cabelos a esvoaçar, afanosamente a informar, com ares de coisa nunca vista, de que está a chover ou a nevar forte e feio. As coisas do tempo até têm nomes, como pessoas. Um aguaceiro pode chamar-se Custódio ou Isaías, uma ventania, Alice ou Josefina. Coisa que parece brincadeira mas para levar a sério.

Não andamos com o quadro de lousa do Malheiro ou do Anthímio, mas trazemos no telemóvel uma ou mais apps que nos dizem o tempo em cada momento e em cada lugar. Já não vivemos sem as previsões e não nos basta a do dia seguinte nem nos contentamos sequer com a de dois ou três. Pelo menos uma previsão para 15,  30 ou mais dias. É uma aflição e expectativa saber se no dia do casamento, do piquenique da família ou da festa da aldeia vai haver sol ou chuva. Adiam-se eventos só porque as previsões dizem que dali a uma semana S. Pedro não estará com contemplações a distribuir sol. Nas redes sociais somos todos meteorologistas e replicamos as previsões, partilhando-as numa vontade samaritana de avisarmos os vizinhos do perigo, não lhes aconteça que, distraídos, estarem desprevenidos para uma chuva ou uma ventania. E logo nos nossos dias em que ninguém anda de guarda-chuva pendurado, às costas, na gola do casaco.

Outros tempos, estas coisas do tempo!

Sinais dos tempos, estes em que o exagerado 80 deixou o humilde 8 envergonhado, lá bem trás.

Uma valente chuvinha é que vinha agora a calhar!

13.05.24

Um festival de coisa nenhuma


a. almeida

1 - Ainda não percebi porque é que aquela coisa chamada Festival Eurovisão da Canção ainda existe. É que aquilo é do fraquinho para baixo. E agora a ser polvilhado com agendas políticas, posições e mensagens mais ou menos subliminares, nas roupinhas, nas cuecas ou até nas unhas, que nada têm a ver com as musiquinhas e as espatafurdices, estaria mais que na hora de dar uma limpeza geral. Mas, ok, só vê quem quer e gosta e haverá sempre mosquedo atrás das traseiras do gado. A nossa representante, uma tal de Iolanda, parece que também quis dar o seu "peidinho" para "ficar do lado certo da história". Ora o lado certo desta história era não se meter nestes tristes espectáculos.

Do pouqinho que vi, para ter opinião, a cantiga de Israel foi de longe a menos fraquinha, mas estava escrito nas estrelas que nunca seria vencedora e o lugar conquistado (creio que 5.º) até é lisongeiro face ao antagonismo que gerou. Pelas mesmas razões que ganhou a  cantiga da Ucrânia logo a pós a invasão pela Rússia, a de Isreal foi agora a sacrificada.

2 - Israel passou há muito das marcas do aceitável, se é que estas coisas de guerra têm alguma aceitabilidade. Por conseguinte não posso de modo algum concordar com tudo o que tem feito e continua a fazer em Gaza: Morte e destruição.

Apesar disso, às muitas manifestação a favor da Palestina, só lhes dou legitimidade quando com o mesmo vigor os protestos se direccionarem aos movimentos terroristas, com o Hamas à cabeça. A guerra continua, violenta, mas, parece que todos nos esquecemos que apesar de tudo e do tempo decorrido, o grupo fundamentalista ainda continua a deter os reféns caçados desde o o acto terrorista em Outubro passado, quando atacou e massacrou de forma indiscriminada gente civil, sabendo que com isso estava a acender o rastilho para uma bomba. Como se diz na gíria, o Hamas continua a dar todos os motivos para que Israel continue a destruição.

Quanto aos manifestantes, florzinhas ocidentais defendidas pelos mecanismos da democracia, como gostaria de os ver a ir à Rússia, à China, à Coreia do Norte, ao Irão, ao Afeganistão e a tantos outros palcos contestar, protestar contra os respectivos regimes e políticas de repressão. Isso é que era de gente com eles no sítio. Por ora é do género, "segurem-nos, senão vamos a eles!".

09.05.24

Alinhamento dos astros


a. almeida

O Roberto nasceu numa qualquer pacata aldeia, ali pelo início de 1960 e volvidos poucos meses rumou com os pais para África, onde assentaram vida no Lobito - Angola. Dizem que por lá viviam relativamente bem, com negócio próprio, mas chegou a revolução de Abril de 1974 e dali a nada, com muitos milhares de conterrâneos foram expulsos a toque de catana e metralhadora, trazendo consigo apenas a roupa que tinham no corpo. No decurso de uma descolonização selvagem, perpetrada e consentida por Soares e companhia, chegaram com o estigma de retornados, sem eira nem beira e o país, ainda a fumegar no calor da revolução e na efervescência da panela do PREC, nada teve para lhes dar, para os acolher como cidadãos próprios.


Muitos não tiveram outro remédio senão ocupar à margem da lei casas, edifícios e propriedades, que não lhes pertenciam. Outros, como o Roberto e seus pais, voltaram à velha casa da aldeia de onde tinham partido e com caridade dos que haviam ficado, lá voltaram a assentar o que restava das suas vidas. Mas por pouco tempo porque entretanto, aos poucos, e porque a peça da vida tem que continuar em qualquer palco, lá foram para uma terra vizinha e recomeçaram tudo do zero como chegados novamente ao Lobito.

Anos mais tarde, porque o Roberto estudara, empregou-se na Câmara Municipal onde foi fiscal e pelo meio, mesmo sem ser engenheiro ou arquitecto, fazia projectos e como todos os fiscais do município, fazia aprovar os seus à frente dos outros e mesmo que mamarrachos aprovados e edificados contras as mais elementares regras da urbanização. Eram, o Roberto e os seus colegas fiscais, autênticos Taveiras e Soutos Mouras a aviar projectos com a certeza certinha de que aprovados seriam, mesmo que fossem contornados berbicachos que as regras estorvavam.

O Roberto, assim a facturar duplamente, passou a viver bem, casou, fez casa, tudo nos conformes. Mas um dia, vá lá saber-se por que motivo, a mulher quis fazer outra vida e a separação foi inevitável. Porque a amasse ou por qualquer outra forte e insondável razão, o certo é que o Roberto a partir daí nunca mais foi o mesmo e rapidamente, afogado em tabaco e outras coisas que ajudam a esquecer, desencontrou-se de si, dos outros e até da vida. Já não cumpria as suas obrigações no emprego e o pouco que fizesse era desastre e prejuízo para a casa. Não atendia aos clientes dos projectos, de quem recebia sem nada fazer, nem coisa nenhuma. Teve que ser suspenso do emprego e por caridade deixaram-no marcar o ponto e receber durante algum tempo, mesmo que sem nada fazer, até que foi mesmo à sua vida com uma qualquer invalidez ou pré-reforma.
Durante a sua vida e seu emprego, pelo seu bom trato e empatia granjeou amizades e simpatias mas num resto de vida desconcertada e errante, que a todos surpreendia, perdeu tudo, a casa e o que tinha poupado e, mais do que isso, até a dignidade que lhe restava.

Passou, por gentileza de alguém, a viver numa espécie de garagem de uma habitação social e do que fora passou a ser uma triste e miserável amostra. Soube agora que faleceu. Até o cartão feito pela funerária está condizente com o seu resto de vida, com uma foto desfocada e com um sorriso triste. Vai a sepultar amanhã. 

Não sei que raio de alinhamento dos astros é o que revira assim a vida de um homem, que o faz andar num sobe e desce, numa agitação, numa viagem do céu ao inferno. Existindo estes, é provável que esteja no céu, porque de inferno já teve por cá a sua dose.


Paz à sua alma!

06.05.24

Como no teatro


a. almeida

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Pedro Nuno Santos, do Partido Socialista,  parece-me ser igual a muitos que conheço, que conhecemos, pretendendo que lhe seja dada razão só por ter um registo de discurso em tom agressivo e com uns valentes decibéis acima da escala e lançar umas atoardas do género de não ter memória de um Governo ter começado tão mal em funções como o este da AD. Terá memória curta ou selectiva, é o que é.

Em todo o caso, é disto o que a casa gasta e esperar algo em contrário é que seria contra-natura. Por conseguinte, até que sejam marcadas novas eleições, o que não deve tardar, será este o registo, mesmo que agora, numa Cheringonça, a aprovar medidas que em oito anos ficaram por fazer, como o caso das SCUT. E virão outras. É preciso alguma lata e PNS têm-na.

De facto os nossos partidos do arco da governação são bipolares, com uma cara na oposição e outra no governo, como no teatro, ora comédia, ora drama. O problema desta ambiguidade, que nem chega a ser porque uma boa parte do eleitorado, o não clubista, vai-se apercebendo destas representações,  talvez por isso é que sem outras referências mais equilibradas desiquilibra-se para forças como o CHEGA. 

Assim sendo, a não ser que ocorra um cataclismo, em que a política e os políticos são prodigiosos, daqui a nada teremos o Ventura e companhia com mais companhia, mais eleitores, mais votos, mais deputados, mais força parlamentar. Vão, pois, PNS e os demais, em "bom" caminho.

05.05.24

A mãe todos os dias


a. almeida

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Não dou especial interesse ao que dizem ser o Dia da Mãe, que se celebra hoje. Pela minha própria natureza, pelos motivos de não ter sido educado a dar relevo a estas datas, assim como aos aniversários, mas também, desde logo, porque nos tempos que correm é motivo o "dia de qualquer coisa" para uma vestimenta muito comercial. Não que seja negativo, porque é apenas a oportunidade de negócio, e onde há procura há oferta, mas também é verdade que com isso há uma tendência para que estas coisas sejam apenas rotinas, lugares comuns. Ainda hoje, antes das 10 horas, liguei para quatro restaurantes que frequento com regularidade e todos eles já estavam sem vagas e alguns a desculparem-se que se tivessem mais salas também as encheriam face à procura. E tão somente porque, disseram, é Dia da Mãe.

Por este e por outros motivos, dou pouca ou mesmo nenhuma importância ao Dia da Mãe, ao Dia do Pai e outros parecidos nas intenções. De resto à mãe e ao pai, impõem-se que sejam todos os dias e faz-me cócegas ver alguns gestos, mesmo que carinhosos, de filhos para com os pais, sobretudo com as mães, apenas neste dia e porventura os demais dias, sem proximidade, sem interesse. Mas somos assim, dados a estes impulsos e que a fama efêmera das redes sociais ajudam a espalhar e a mostrar aos outros, nem sempre o que somos, mas o que queremos que pensem que somos.

Felizmente ainda tenho mãe, mesmo que numa fase de debilidade crescente e por isso a necessitar de cuidados redobrados a que a irmandade, dentro das suas limitações, vai procurando atender. E desse modo, face a essa necessidade, são esses dias todos os dias da mãe, de lhe levar as refeições, de lhe fazer tomar os medicamentos, de cuidar da sua higiene, de a confortar mesmo sabendo que tudo o que por ela possa ser feito é uma ínfima parte do que merece e do que deu enquanto mãe. Quem com uma infância que não teve, dura e amargurada, com uma adolescência substituída pelo papel de mulher adulta, quem desde os 18 anos, na flor da vida, gerou, amamentou e criou oito filhos e depois ainda ajudando netos, só pode merecer que todos os dias sejam dela, da mãe.

O resto é lirismo, muito para a fotografia, muito para o boneco, com frases e dedicatórias de circunstância que tantas vezes não têm correspondência no dia-a-dia.

Sem moralismos, sem lições, sem julgamentos, porque cada um é cada um, e há sempre verdadeiro amor pelas mães, mas mais do que mostrar importa fazer e se possível de forma discreta, sentida, interior.

Visitei-a já hoje, a minha, mas estava a dormir e não a incomodei, porque nestas idades e neste estado de saúde, talvez haja alguma serenidade quando se dorme,porque se acordados e de consciência mais ou menos alerta, há todo um mar de sofrimento e de angústia que se revela perante a incapacidade de sermos nós próprios, na plenitude das faculdades. Mas a vida é assim, nua e crua, no lado melhor e pior, caminho a percorrer até que se transponha a linha do destino e esse só a Deus é dado conhecer e traçar.

02.05.24

O povo quer é pinga e bifanas

Visita ao monte Mozinho


a. almeida

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Visitei, há algum tempo, o Castro de Monte Mozinho ou Cidade Morta de Penafiel, que se localiza na freguesia de Oldrões, município de Penafiel, distrito do Porto.

É considerado o maior castro romano da Península Ibérica, embora ainda não esteja totalmente explorado. A sua verdeira dimensão será muito superior à que está a descoberto.

Está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1948.

O povoado castrejo está referenciado à época romana, fundado no século I d.C. com um período de ocupação até ao século V.

As escavações arqueológicas começaram em 1943 a 1954 e numa segunda fase de 1974 a 1979, continuando recentemente com campanhas arqueológicas.

Na base do castro, existe um pequeno museu e centro interpretativo onde é possível aprofundar os aspectos relacionados ao sítio arqueológico. Queixou-se, todavia, o técnico do museu, dos poucos visitantes, havendo dias em que, naturalmente, não aparece por ali viva alma.

Esta situação de um sítio arquológico com tanta importância no contexto português e ibérico, e simultaneamente tão pouco conhecido, divulgado e visitado, dá que pensar e reflectir. Mas por outro lado em nada surpreende porque de um modo geral o povo, a populaça, quer é farra, domingões, divertimentos com música pimba ou tchunk, tchunk, , turismo de massas e sobretudo com muita pinga, bifanas e porco no espeto. Sem estes ingredientes ninguém perde tempo a ver amontoados de pedras, mais ou menos organizados, por mais importância que revelem sobre os nossos antepassados e a nossa história comum.

Tivesse, porventura, Penafiel a visão modernaça de um turismo vocacionado para massas, daquele que faz contas a supostos retornos e ganhos, que na realidade caem apenas nos bolsos de uns quantos, baseado no entretenimento entremeado com comes-e-bebes e poderíamos ter ali pano para mangas para uma réplica de uma qualquer viagem ao passado, romana ou castreja, onde anualmente o recinto se transformaria numa feira gastronómica pejada de locais e espanhóis, onde imperaria o rei D. Porco no Espeto e sua corte, regado com o bom vinho verde da região, onde se pagaria de bom grado um sistema de pulseiras de acesso.

Mas não! Para o bem e para o mal, por agora a coisa vai indo assim, discreta, quase desconhecida, visitada por poucos mesmo que interessados. As aldeias de Oldrões e Galegos e o monte Mozinho bem podem continuar na sua pachorrenta e habitual calma. Gente comum travestida de reis, condes, fidalgos, cavaleiros, bobos e trovadores, é para outros palcos e outras passereles.

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30.04.24

À distância de um fosso intransponível

...Porque o molde já foi quebrado


a. almeida

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O sentimento não é inédito, porque já confessado por outros, mas também é meu. Quando vejo posturas, atitudes e comportamentos de muita da nossa juventude, infantilizada a extremos, mesmo que já para lá da maioridade, fico simultaneamente com receio e dúvidas de que seja capaz este tipo de gente de amanhã virem a ser pais e mães,  governar empresas e o Estado, ou apenas entregues ao seus próprios destinos, sem depender sine die das hospedarias paternas. Mas será inevitável que assim seja, de um modo ou outro, porque a barca tem que continuar a navegar por mais calmas ou agitadas que sejam as águas.

Talvez esta minha dúvida e receio resultem do fosso que separa ambas as gerações e seguramente da dureza do molde com que ambas foram forjadas.
Quando vejo o meu filho, ou de outros, ainda com uma capa de infantilidade que não assenta à sua idade, que no meu tempo só era compreensível numa criança de oito anos, fico de facto com muitas reservas quanto ao que será o futuro com esta gente. Até será melhor, mas certamente já não andarei por cá para disso me espantar.

E neste torvelinho dou comingo a pensar que, tinha eu apenas oito anos e com um irmão mais velho apenas um ano e meio, e sozinhos ía-mos com uma parelha de bois enormes e cornudos a pastar para os pinhais e matas da redondeza. Mas é claro, dáva-mos conta do recado, até porque os bois eram obedientes e mansos, mas, porra, eram duas crianças a guiar aqueles montes de ossos e músculos. E, olhando agora para estes adolescentes e jovens, a não darem um passo sem a sombra protectora dos pais, imagino-os à frente de quatro cornos. Impensável.

Fiz dois anos interinhos de serviço militar na Marinha, ficando-me pelas lisboas, na Base Naval do Alfeite, a 350 km de casa, e nem uma única vez os meus pais ou gente da casa me acompanharam sequer que fosse à estação do combóio. Chegasse a ela de manhã, de tarde, à noite, tinha que me desenrascar e quantas vezes caminhei de madrugada, chovesse ou não, os 25 km da estação a casa. Nesse período, entre os 21 e 23 anos de idade, nunca recebi de meus pais 5 tostões para beber um pirolito ou para pagar o 1/4 de bilhete do combóio, quanto mais para me governar. Mais uma vez, tive que me desenrascar e fazer uso da economia que poupei do trabalho começado aos 12 anos numa fábrica. 

Não sou, nem os da minha e anteriores gerações, super-homens, mas definitivamente fomos feitos de um molde que já se partiu. Agora só tristes imitações mesmo que copiadas como bem fazem os chineses.

Por tudo isto e mais alguma coisinha, não se espantem os mais jovens que a nossa visão (a dos mais velhos) sobre a actual sociedade e o descrédito nas instituições e de quem delas esteja à frente, seja um pouquinho pró pessimista e cinzenta. Não é por acaso. Há razões de fundo e distâncias que nunca poderão entender e da certeza de que estas novas gerações não sobreviveriam sozinhos numa ilha onde se vivesse como há 50 anos, sobretudo quanto ao estarem por sua conta e risco. É que nem pensar!