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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

19.11.25

Quem não gosta de vinho tem maus fígados?


a. almeida

"Há quem confunda ciência com religião, e divulgação científica com catequese. David Marçal, com crónica residente do Público, é um desses casos paradigmáticos — um personagem que, nos últimos anos, foi entronizado por certa comunicação social como uma espécie de sumo-sacerdote da “boa ciência”. Não se sabe bem por que méritos — talvez por ubiquidade mediática, talvez por conveniência ideológica —, mas o estatuto de “voz da razão” que lhe atribuíram sempre me pareceu suspeito. E digo “suspeito” porque a ciência, quando é ciência, é essencialmente dinâmica, provisória e contestável. Aquilo que é dogmático não é ciência: é fé travestida de método."

Artigo de opinião de Pedro Almeida Vieira no "Página Um"

[Fonte e texto integral]

 

20.10.25

O "investimento" a dar frutos


a. almeida

Da imprensa - RTP: "APAV. Mais de 2.800 pais pediram ajuda por violência dos filhos nos últimos três anos.
O número de progenitores agredidos pelos filhos que pediram ajuda à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima aumentou mais de 27% nos últimos três anos, ultrapassando as 2.800 pessoas, uma média de 2,6 casos por dia.

Segundo as estatísticas da APAV sobre "Filhos/as que agridem Os Pais/As Mães", a que a Lusa teve acesso, entre 2022 e 2024, o número de vítimas aumentou de ano para ano, registando-se 815 casos no primeiro ano, 962 no ano seguinte e 1.036 em 2024.

Significa que, no global, há um aumento de 27,1% e que, em média, a APAV ajudou cerca de 78 pessoas por mês, 18 por semana e 2,6 por dia.

Em declarações à Lusa, Cynthia Silva, criminóloga na APAV, apontou que este aumento "pode significar que há mais vítimas a procurarem o apoio da APAV", o que é um "aspeto positivo", mas chamou a atenção para outra percentagem, a das pessoas que ficam em silêncio."

Uma conclusão:
Tempos houve em que a ordem e disciplina na casa eram impostas com mão dura e castigos pesados. Nunca fui dos mais travessos e por isso menos atingido, mas numa casa com 10 filhos, o meu pai também impunha a ordem, mesmo sem severidade extrema. Na vizinhança, raro era o casal que não tinha pelo menos meia dúzia de filhos e até era normal o dobro disso. A tónica comum era mesmo a disciplina rigorosa. Aprendiam uns pelos outros.

Ainda assim, decorridos todos estes anos, sinto que cada castigo que me foi aplicado mostrou-se necessário e pedagógico e porventura até com algum défice. Todos os restantes irmãos não se livraram disso e todos deram homens e mulheres a sério. Mas, claro que havia excessos, muitos, porque em boa parte era cultural, e se houvesse queixinhas pelo rigor da professora na escola, a dose dobrava em casa. Era certinho e direitinho.

No entretanto os tempos mudaram e, bem à portuguesa, depressa se passou do 8 para o 80, com todos os exageros. Agora não se pode falar alto ou dar um tabefe a um filho ou a um aluno, por mais merecido que seja, por ser o mais rufia, indsciplinado e até ofensivo para os pais, professores ou colegas. Estamos no tempo do absurdo e dele não escapam as instituições. Em muitos casos são os pais a ofenderem-se que os professores os substituam no dever da educação que, no geral, é nenhuma. Indignam-se com uma repreensão. É motivo de queixa e, tantas vezes, de esperas ameaçadoras no final das aulas

Assim, estas notícias de que já não são os pais os agressores dos filhos, mas o contrário, e os números revelados serão apenas a pontinha do icebergue, tenho cá para mim que para muitos pensadores, estes sinais são de progresso. No fim de contas, a política do desleixo e da permissividade a todo o custo, em que a disciplina e a ordem são coisas para relevar ou mesmo proibidas, está já a dar frutos. Devem, pois, estar muito satisfeitos todos os arautos e defensores de que as criancinhas não devem ser submetidas ao processo da educação e da disciplina, mesmo que isso implique levantar-lhes a voz, dizer-lhes que não, e mesmo a aplicação de uns bons  tabefes se necessários.

Em suma, é sempre bom quando o "investimento" começa a resultar.

Deitem foguetes!

05.08.25

Missão (quase) impossível


a. almeida

festival covilha.jpg

O Expresso dá-nos conta de que  "...Uma quinta biológica entre o Ourondo e o Paul, no concelho da Covilhã, acolhe, entre 06 e 10 de agosto, mais uma edição do Ananda Festival of Bliss, evento onde não é permitido álcool nem tabaco ou drogas. Segundo Pedro Henriques, da organização, este é um festival diferente dos demais, onde é feito um "convite à reconexão".

Confesso que não sei como irá ser feito o controlo, mas nisto de festivais de música pretender-se que sem álcool, tabaco e droga é como acreditar no Pai Natal, que o Dumbo voava ou a que a melancia da Cinderal se tranformava em coche. Já agora, podiam acrescentar na lista os telemóveis. Isso é que era!

Espantosamente ainda há gente que acredita em missões impossíveis!

18.07.25

É pena, mas os James não são a Santa Casa da Misericórdia


a. almeida

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Não sendo fake, segundo o pomposo título do Blitz, os James dão concerto gratuito em Penamacor. São uns queridos, os James. Ainda há gente a trabalhar de graça, a dar música à gente do interior profundo. 

Conto passar nestas férias a Penamacor, mas não no dia 2 de Agosto. Talvez lá para o 22 mas nessa altura já os James estarão a dar concertos à borla noutro sítio, quiçá na Festa de Nossa Senhora dos Aflitos ou dos Navegantes.

Claro está, como nos sonhos, nem sempre o final é feliz, porque, dizem, e confirmei no base.gov, o concerto que os "James dão", afinal custa a módica quantia de 149 mil euros. Coisa Pouca. Podia ser o Conjunto Típico Filhos da Alvorada, contratados por 750 euros mais IVA, mas, porra, são os James, que devem ter fama. Penamacor também é Portugal.

Resulta daqui que os títulos, as "gordas" são manipulados como melhor convém aos manipuladores.

Afinal os James não dão milho a pintos, nem aos penamacorenses, e são, afinal, como todos os outros, que por estes meses quentes mostram um país que não está em crise, com tudo o que é festival de música a rebentar pelas costuras de clientes endinheirados.

Quanto aos fregueses daquele concelho do nosso interior, mesmo sem a borla dos James, vão ter, dizem, um concerto gratuito, de entrada ivre. O facto da despesa da Câmara Municipal de um município com apenas 4797 habitantes, corresponder a 31 euros a cada um dos seus contribuintes, é coisa menor. Nem se dá conta!

Estes desmandos das nossas autarquias a estourar os parcos recursos em pão e circo, sobretudo a poucos meses de eleições, vão sendo correntes e recorrentes e parece que todos acham normal e que vale o investimento para uma hora ou duas de música. Aposto que quando por lá passar por meados de Agosto vou encontrar ruas esburacadas, espaços públicos por limpar e outros desmazelos, próprios de uma Câmara pobretanas, mas, porra, talvez ainda encontre por lá pendurados uns cartazes com os porreiraços dos James.

12.06.25

Casamento por cordas


a. almeida

ciganos.jpg

A notícia está no JN de ontem e aposto que terá passado na CMTV. Mas não vi passar na RTP porque o tempo foi tomado com outras violências, daquelas que se discutem com políticos e analistas, sendo esmiuçadas as pendentes políticas ou extremistas dos agressores, como tal a merecerem o tempo disponível no "prime time". 

Pelas mesmas razões, por falta de motivações tão caras os próprios, também não será assunto que preocupe a Mariana Mortágua, Mamadou Ba e afins. No fim de contas, apenas mais um episódio classificado de violência doméstica ou familiar, passado num acampamento de gente de uma etina que faz cócegas a uma certa comunicação social fazer referência. Talvez interesse a um tal de Ventura, especialista em acampamentos e etnias.  Há-de haver sempre alguém a quem o barrete enfie, conforme o tamanho deste e o das cabeças.

No caso, grosso modo, um homem de 40 anos, viu a vida ser-lhe ceifada pelo próprio pai, apenas porque contestou um acordo de casamento de uma criança de 14 anos, o qual terá sido mesmo consumado.

O Estado e as autoridades continuam a fazer vista grossa a estes casamentos tradicionais mas fora da nossa legalidade, porque em menoridade. O problema é que esta gente , no geral, é pouco dada ao cumprimento das leis e obrigações comuns e o Estado não quer meter ordem na casa ou no acampamento, porque virá chuva da grossa em acusações de racismo e xenofobia. 

O alegado assassino, um tal de Sancho Cordas, deu de frosques da Amareleja, local do crime, para Espanha, na companhia de um outro irmão, armados, ambos considerados perigosos pelas autoridades. 

Aguarda-se que passe a onda televisiva  das condenáveis agressões ao Adérito Lopes e das tentativas de homicídio a adeptos do F.C. do Porto por outros do Sporting, para se discutir este assunto tão peculiar, o dos casamentos de menores, no país onde todos temos a mesma pureza e em que a Lídia Jorge e o Presidente, como D. Quixotes,  disseram perante a parada militar, que eu, e todos os outros que por cá andamos, sou tão puro como o Sancho Cordas, acabadinho de matar o filho por se opor ao casamento de uma menina.

Dá para um livro, de género confuso, mas ali entre a comédia e a tragédia.

28.05.25

Revanchismo discursivo? É dar-nos música!


a. almeida

Do JN, de ontem:

"Há um revanchismo discursivo em relação à Esquerda que ganhou volume com os resultados eleitorais. A Direita sente que está com as costas quentes e que pode achincalhar os perdedores. Não falta quem venha reforçar o mito propagado pela extrema-direita de que temos vivido numa espécie de regime socialista nos últimos cinquenta anos e é hora de celebrar a libertação. Como se o PS tivesse governado até à semana passada e como se essa governação fosse realmente socialista. Esse discurso delirante vem acompanhado da vontade de mudar a Constituição e de eliminar o preâmbulo que lhes “legitima” o delírio.".

Apresenta-se como música e escreve no JN. Confesso, todavia, que não conheço uma única música das suas e por conseguinte é-me para o caso tão relevante como uma qualquer música anónima que escreve para o jornal da freguesia. Falha minha, admito! Sou mais dos Pink Floyd!

Não tenho eu o ensejo de ser pago para escrever, pelo que escrevo por aqui, de borla. E hoje escrevo apenas para dizer que acho graça ao que escreveu a Capicua. Dava uma boa músíca se com um ritmo revolucionário.

Então a Capicua entende que há um "revanchismo discursivo em relação à Esquerda"? E que a Direita "achincalha os perdedores"?

Mas, então, não foi sempre isso que fez a Esquerda em relação à Direita? Não foi a "geringonça" um hino a esse achincalhamento, fazendo dos perdedores vencedores e do PS, derrotado por Passos Coelho, fazendo emergir das brumas da maioria parlamentar um Primeiro MInistro? E lembra-se, a Capicua, das "costas quentes" do António Costa a debitar pérolas como o "habituem-se!"?

Quanto ao "...Como se o PS tivesse governado até à semana passada e como se essa governação fosse realmente socialista": Ó Capicua, de facto não foram 50 anos de governação socialista, mas convenhamos que foram muitos. Basta dizer que nas duas últimas décadas o PS governou 15 anos. Se quisermos recuar, nos úlitmos 30 anos foram 22 de socialismo. É uma boa relação, não é? Se fosse uma proporção de whisky com coca-cola, já dava uma valente moca. 

Convenhamos que, com tantos anos de governação, é difícil aos nossos socialistas argumentarem que não têm responsabilidades no que de mal se fez e sobretudo do que não foi feito. Tem sido, pois, mais que suficiente para justificar o que até aqui falhou, mesmo considerando que pelo meio alguém teve o penoso trabalho de remendar o barco que, à derivam pelo timoneiro Sócartes, naufragava,  já com a água a chegar ao pescoço do país.

Por conseguinte, não sei o que vale a Capicua, admito que até com qualidade, mas mesmo que fraquinha será melhor música que opinadora, sobretudo a defender a sua Esquerda. Não com este refrão, com esta argumentação.

23.05.25

As verdades que doem


a. almeida

No Chega votaram ricos e pobres, urbanos e rurais, mulheres e homens, liberais e estatistas, intelectuais e incultos. Entre um milhão e meio de eleitores do Chega encontram-se perfis pessoais variadíssimos e, provavelmente, um milhão e meio de diferentes razões de voto.

Mas como chão comum a tanta gente talvez estejam algumas ideias simples: o voto no Chega é o que mais irrita os jornalistas e comentadores que querem impôr uma narrativa paternalista no espaço público; é o voto que mais assusta uma classe política que protege e reparte poder e privilégios entre si há décadas; é o voto que mais indigna os sinalizadores de supostas virtudes; é o voto que mais deixa raivosos aqueles que se sentem ungidos por uma superioridade moral.

 

[Telmo Azevedo Fernandes - Blasfémias - continuar a ler]