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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

02.10.25

Os partidos a darem música


a. almeida

Constato, ouvindo pela Rádio Observador, que no tempo de antena concedido aos partidos concorrentes às eleições autárquicas, vários partidos, da esquerda à direita não aproveitam os mesmos, não facultando os conteúdos. Ora a Rádio, porque naturalmente lhes interessa manter o espaço porque recebem, passa música para entreter tolos. Já o hino da IL, em vez de algo mais substancial, é oportunidade para ir à casinha aliviar a tripa. Só pode ser gozo!

Vai mal a coisa, desperdiçando o Estado verbas para estas merdices, mesmo palhaçadas. Era acabar com os tempos de antena e pelo menos alguma coisa se poupava. Para além disso, acabava-se com  estas desconsiderações para com os ouvintes e eleitores.

Se as rádios locais recebem 14,80 euros por minuto, certamente que de âmbito nacional a coisa pia mais fino. 

Atentos aos valores pagos pelo serviço para as Legislativas de Maio passado, percebe-se que a coisa não fica propriamente barata aos contribuintes: Veja-se e pasme-se:
Rádio e Televisão de Portugal 79,67 mil euros, à Rádio Comercial 255,13 mil euros e à Rádio Renascença 319,75 mil euros, valores aos quais se aplicam taxas e impostos.

20.05.25

Quanto valeram as classificações dos debates? Zero? Bola?


a. almeida

Foi apenas no Domingo passado. A coisa é fresca. Todos sabemos os resultados das antecipadas Eleições Legislativas. Ainda desconhecemos as consequência do furacão Chega, mas sabemos do seu crescimento, apesar dos casos e casinhos que abalaram alguns dos seus ex-deputados. Foi tudo apertado numa mala.

Neste contexto, importa não esquecer uma coisa, que tende a passar despercebida: Para a nossa comunicação social, rádio e televisão, e seus "notáveis analistas", os "opinion makers",  o André Ventura - do que me foi possível observar - não venceu um único debate. Ou seja, que importância teve isso nos eleitores e no resultado eleitoral? Notoriamente, zero! Bola!

Perante isto, fica cada vez mais ridícula a importância que dão aos debates e sobretudo as classificações que atribuiem. Que analisem, que discutam, aceita-se como entretenimento, mas que caiam nesse ridículo de atribuir notas, eleger vencedores e anunciar  vencidos, é coisa que já não pega. Mudem o chip!

16.04.25

André Ventura perdeu o próximo debate


a. almeida

Tenho para mim que os debates entre os nossos líderes políticos, valem o que valem, isto é, pouco ou nada. De resto, valessem alguma coisa e o CHEGA nem a ventura de eleger o o seu líder teria. Isto porque,  invariavelmente,  os comentadeiros da nossa Rádio e TV dão-lhe sempre nota negativa. Numa analogia ao futebol, o homem já entre em campo a perder, com os árbitros já quentinhos dos bolsos, e creio que quem escreve as análises já o faz de véspera.

Não obstante, não é figura nem partido que me faça ir às urnas, mas que gosto de o ver pisar os calos aos mais politicamente correctos, gosto, porque, à sua maneira e na essência, nenhuns deles são diferentes, porque muito nivelados por baixo.

Em síntese, esta coisa dos debates serve apenas para dar combustível e assunto aos comentadeiros avençados. O povo, o que ainda tem paciência para votar, está-se a borrifar, e os que são pelo Benfica,  Porto e Sporting, hão-de sempre ser pelo Benfica,  Porto e  Sporting. 

Prognóstico para o próximo debate de André Ventura? Já perdeu!

02.04.25

Continuam a trabalhar as escavadoras


a. almeida

Pelas características do meu emprego, posso, se quiser, ouvir a qualquer hora qualquer estação de rádio. Assim, vou alternando entre Antena 1, TSF e Rádio Observador. E percebo, sobretudo nesta última, o papel a que a comunicação social actual se presta: mais do que informar o eleitorado, procura influenciá-lo e doutriná-lo sobre o sentido do voto.

Neste contexto, a linha editorial da Rádio Observador não difere muito da de pasquins como o "Correio da Manhã" e o "Público", que destacam opiniões e valorizam temas irrelevantes, mantendo a tradição de que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura". Assim, de forma invariante, continua a novela de vasculhar a vida pessoal e empresarial de Luís Montenegro. Mesmo que, após mais uma investigação, se descubra que o primeiro-ministro cessante deu uma gorjeta à empregada de uma empresa que lhe tratou das caixilharias de casa ou comprou o seu carro num stand automóvel pertencente ao genro do arquitecto que lhe aprovou o licenciamento da churrasqueira, o "Observador" e seus habituais colaboradores, possivelmente escolhidos a dedo, aproveitam para insistir nesses detalhes, exigindo que Montenegro explique e justifique o valor da gorjeta ou o preço pago pelos extras do automóvel.

Pedro Nuno Santos, com o olho no resultado das sondagens, que o colocam com um pé fora do Rato, vai aproveitando todo o leque de suspeições, até ao momento todas sem fundamento, e continua a aumentar o volume do megafone na esperança de que alguém o ouça. 

Apesar de tudo, e aparentemente contra todas as expectativas, num contexto em que a cada dia surge mais uma "pérola" da investigação da imprensa avençada, as sondagens vão despejando baldes de água fria sobre essas mentes agitadas. Ninguém sabe ao certo o que ditarão as próximas eleições, mas é possível que o feitiço acabe por se virar contra o feiticeiro. É uma questão de aguardar. Por enquanto, as escavadoras continuam a trabalhar a todo o vapor e, pelo menos para o pessoal da Rádio Observador, já há um candidato favorito: Pedro Nuno Santos. Nem um órgão oficial do partido faria melhor.

08.10.24

Direitos sem deveres nunca darão filhos


a. almeida

Há pouco, poucochinho, regressando de uma consulta médica no hospital, que havia sido adiada uma catrefada de vezes, na Antena 1, a propósito do problema social dos "sem abrigo",  de modo especial na capital, ouvia João Ferreira, do radical PCP,  que às tantas mencionava o "direito à habitação", plasmado na santa Constituição. E estava certo, pois este "direito", como outros, fazem parte do missal, mas também como uma daquelas coisas que em rigor não se cumprem. Há o direito à saúde e à educação e estas, em grande medida, continuam a ser pagas. Mesmo o que damos como gratuito é uma falácia porque na realidade pagamos com a alta carga de impostos (mesmo que nem todos). Por conseguinte,  não por falta de vontade do próprio Estado mas porque inexequíveis.

Afinal, quem deve garantir esse ou os outros direitos? O Estado, responderão, e pressupõe-se que sim. Mas quem é esse senhor Estado? Tem capital e vontade própria? Dirão que "o Estados somos todos nós". E é certo que sim. Mas então, replico eu, e porque é que eu, pela parte que me toca no bolo do Estado, tenho que garantir a habitação a terceiros? É que procurei, pelo trabalho, garantir a minha. Tenho, pois, habitação própria, que edifiquei com o dinheiro do meu trabalho,  também depois de ter adquirido terreno e ainda com o meu dinheiro. E com o meu dinheiro, e da minha esposa, ressalve-se por direito e justiça,  desde há quase vinte e cinco anos que mensalmente pago a prestação do crédito à habitação com os devidos juros, o que, diga-se, está na sua fase final e já a vislumbrar a luz ao fundo do túnel. Pago também o IMI ao senhor Estado, pela autarquia, como uma renda da minha própria casa.

Em resumo, porque é que eu, um simples e comum cidadão, ordinário, em linguagem comum, tenho que ao esforço de garantir por mim  a minha habitação, tenho que juntar o esforço de garantir pelo Estado a habitação a terceiros?

Tem, pois, muito que se lhe diga plasmar direitos à custa de terceiros e invocar esse direito como uma vaca sagrada. Fosse o país rico, com jazidas de petróleo, minas de diamantes e ouro, e talvez esse direito fosse justo e exequível, mas não, porque em rigor somos uns pobretanas a vivermos, no geral, acima das nossas possibilidades, com uma dívida pública que dizem que nunca será paga. Mas fica sempre bem à esquerda radical esgrimir o "direito à habitação".

Concerteza que a habitação deve fazer parte de um direito, que confere dignidade à pessoa, mas não no sentido  que quase sempre é invocado pela esquerda radical, que é o de dar o peixe já pescado, quiçá confeccionado, em vez de ajudar na compra da cana e anzol.   Por conseguinte, temos os direitos mas temos que fazer por eles e não esperar que nos caiam do céu sem as contrapartidas dos deveres. Ora direitos sem deveres é um casal que nunca dará filhos.