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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

19.01.26

Seguro, seguramente.


a. almeida

Tal como escrevi por aqui no passado dia 15, os resultados das eleições de ontem vieram confirmar a insignificância dos partidos canhotos. Durante todo este tempo de campanha falaram afanosamente do povo, dos trabalhadores, da classe operária, da defesa da democracia e da constituição. Apregoaram-se como os donos morais destes valores. Mas estão desfasados, porque, na hora de fazer as escolhas, o povo remete-os à insignificância eleitoral e política. Até mesmo o imberve Jorge Pinto, que surgiu na disputa como uma espécie de Cristiano Ronaldo dos candidatos, ficou abaixo do bobo da corte. Ou seja, falar a sério ou a apalhaçar teve o mesmo valor. Na realidade até mesmo, pois gozar com a coisa até deu mais votos. Sintomático!

Em resumo, tal como era mais que previsível, os candidatos canhotos todos juntos valeram 4,38%. Ridículo, mas no rescaldo da derrota, continuam a dizer que vão andar por aí, como se continuem a falar em nome dos pseudo-3 milhões que dizem ter agregado na Greve Geral. Tretas! Tretas! Tretas!

Quanto ao resto, votei Cotrim, em nome da defesa aos ataques sem precedentes de que foi alvo, sobretudo pela nossa canhota comunicação social. Na eleição próxima, que definirá a figura que habitará o palácio de Belém, votarei convictamente em António José Seguro, muito pelo que escrevi em 7 de Março do ano transacto, mas por mais.

O vencedor desta primeira volta, pode não ser deslumbrante, nem político manhoso e interesseiro, e por isso tão desconsiderado por figuras gradas do seu partido, que agora, engolindo sapos e rãs, saem da toca com as mãozinhas quentes para as habituais palmadinhas nas costas e afagos pelo pêlo. Deste vez não foi por poucoxinho. Já agora, estou a aguardar pelas consideração do autor do golpe palaciano, o Sr. Costa.  Como todos os demais, vai ter de engolir e debitar coisas simpáticas. A melhor vingança (não que veja Seguro como vingativo e rancoroso) serve-se fria. Em todo o caso, não deve esquecer.

No resto, não acredito que a próxima eleição seja entre a esquerda e a direita. Se fosse, André Ventura já estava eleito. Mas não, parece-me, será sobretudo entre o radicalismo e a moderação e bom senso. É certo que considero que as coisas já lá não vão com paninhos quentes,  com mais do mesmo, mas seguramente, neste quadro de opções, não será com Ventura, mas seguramente com Seguro mesmo que deste não se esperem arrojos.

Fora do que foi a eleição, o habitual, com uns a transformarem isto em eleições legislativas, recados, cartões amarelos e vermelhos, derrotas em vitórias, blá, blá, blá.

A novela segue dentro de momentos!

15.01.26

Onde estarão "os 3 milhões"?


a. almeida

Não sou dos que acreditam "às ceguinhas" em sondagens, desde logo porque sabemos que, de um modo ou de outro, são manipuladas consoante os interesses que pretendem servir. Quando muito, funcionam como meros indicadores. Ainda assim, no que toca à cauda da tabela, poucas dúvidas tenho de que a percentagem de votação andará ali pelos 3% ou abaixo disso.

António Filipe, Catarina Martins, Jorge Pinto e os habituais bobos da corte terão de se contentar com as migalhas do costume. Tirando a vertente cómica, que apenas desprestigia o acto eleitoral, os candidatos da velha esquerda, todos juntos, dificilmente ultrapassarão os 6%. E, no entanto, todos eles falam empenhadamente em nome dos trabalhadores, da classe operária, dos problemas do SNS, dos malefícios do pacote laboral, da defesa da Constituição, a de Abril, a deles.

Ou seja, são poucos, muito poucos, os que lhes dão crédito. Onde estão os “3 milhões” que, segundo a sua narrativa, lhes deram voz aquando da greve geral? O problema, nestas contas, é simples: os votos contam-se com rigor, enquanto que, nas greves, tudo não passa de uma espécie de adivinhação a olhómetro, onde entram para a soma até aqueles que foram arrastados por falta de transportes e de quem lhes abrisse as portas dos serviços, mesmo contra a sua vontade.

Nesse sentido, uma eleição é sempre clarificadora quanto ao real peso dos valores que essa esquerda caduca diz defender. O problema talvez nem esteja nos valores em si, porque muitos deles também eu defendo, mas sim na forma e nos métodos. É aí que têm falhado e é aí que, eleição após eleição, insistem em não aprender.

Costuma-se dizer que nunca é tarde para aprender, mas esta gente desconhece o ditado.

13.01.26

Ei-los, com palmadinhas e todo sorrisos


a. almeida

Bastou que António José Seguro surgisse bem posicionado nas sondagens para que muitos daqueles que, no Partido Socialista, o consideravam um candidato fraco — e que não se coibiram de assumir publicamente posições de desconsideração da sua figura, na expectativa de que outro avançasse — viessem agora a público manifestar o seu apoio e a apregoar virtudes que, ainda há dois meses, de todo não vislumbravam.

A isto chamam oportunismo e tacticismo. Creio, porém, que é mais do que isso: trata-se de falta de vergonha e de honestidade intelectual. Ainda assim, nada que surpreenda.

12.01.26

Por moeda ao ar


a. almeida

A poucos dias da eleição presidencial, confesso que estou indeciso: Quanto ao candidato e até mesmo se em participar. Os candidatos não têm ajudado. O nível no geral é baixo e todos eles falam e prometem como se a eleição seja para as legislativas e dali saia um primeiro ministro. Entre gente do sistema, representantes de partidos, broncos, apalhaçados e afins, não há ponta por onde se pegue. Será sempre uma escolha do menos mau. Talvez seleccionar dois do naipe e lançar moeda ao ar.

Seja como for, ficaremos sempre a perder mas, às tantas, temos mesmo os candidatos que o país merece. O testo ajusta-se sempre à panela.

08.01.26

Para não levar a sério


a. almeida

Na secção "Perguntas Frequentes" da Comissão Nacional de Eleições sobre a eleição presidencial, ficamos esclarecidos:

- Quem pode ser candidato?
"Podem candidatar-se à Presidência da República os cidadãos de nacionalidade portuguesa, com capacidade eleitoral ativa e que sejam maiores de 35 anos".

Em resumo, e se bem percebo, em Portugal para se ser professor, médico, advogado ou engenheiro, etc, tem de se ter a respectiva habilitação académica; Dizem que até um cantoneiro municipal tem de ter o 5.º ano de escolaridade; Qualquer cidadão para conduzir um veículo automóvel tem de ter a respectiva carta de condução, e um lavrador para comprar e aplicar um pesticidade tem de ter uma formação, etc, etc.

Apesar de tudo isso e de forma muito compreensível, já para presidente da República Portuguesa, considerado o mais alto cargo da nação, pode ser qualquer bronco, com a importante ressalva de  "com capacidade eleitoral" e desde que com mais de 35 anos. Ora por este largo portal em rigor, desde que consiga mendigar o número de assinaturas legalmente exigidas, coisa pouca, qualquer um pode entrar, bronco, analfabeto, cego, coxo, retardado das ideias, alucinado, etc. 

Posto isto, só surpreende que não seja maior o número de candidatos, desde os mais políticos e do costume, os mais discretos e comedidos, até aos mais "apalhaçados". Em rigor, podemos ter candidatos que mais não fazem que achincalhar o sistema, a gozar com a coisa,  a brincar com eles próprios e com os demais cidadãos, que tudo é normalidade. Às tantas ficamos sem saber se isto é coisa séria ou se apenas um stand up comedy.

A poucos dias da dita eleição, e face ao que se tem visto, pergunto a mim mesmo se há motivo para ir votar, ou se também devo entrar na onda e considerar que é coisa para não levar a sério. Se fico com a dúvidas, basta olhar para o que será o boletim de voto para perceber que, definitivamente, é mesmo para não  levar a sério ou então riscar a cruz num daqueles candidatos que já não contam para o totobola mas constam no bilhete de apostas como se fossem a jogo.

Não há paciência para tanto amadorismo!

18.12.25

Com que cara?


a. almeida

Chegados aqui, relativamente ao caso Spinumviva e face à decisão do Ministério Público, com que cara ficam todos aqueles que, a começar pelo revoltoso Pedro Nuno dos Santos, usaram o caso para conduzir o país a uma crise política e a eleições antecipadas? É certo que a resposta já foi dada pelo povo com a posterior realização de eleições. Nelas, aqueles que mais sustentaram a crise foram também os mais penalizados, incluindo o Partido Socialista e o seu líder. Agora, pedir desculpas é que não; e, porventura, continuarão até a pintar a nuvem de negro. A verticalidade é coisa que não abunda na classe política.

Por conseguinte, nestas matérias raramente os políticos aprendem. Vão, pois, continuar com as suas caras de sempre, sem vergonha, a chafurdar nestes chiqueiros que apenas prejudicam o avanço do país, tudo em nome do interesse partidário e pessoal.

Do mesmo modo, a imprensa que tão esforçadamente contribuiu para alimentar suspeitas e para a crise política não vai dar o braço a torcer e continuará no mesmo processo. Depois, em conjunto, vem fazer queixinhas de que não tem clientes e de que já ninguém compra jornais. Tem o que merece. Afinal, quem quer pagar por jornalixo? E querem os jornais que o Estado financie a sua distribuição? Era só o que faltava!

16.12.25

Limão sem sumo


a. almeida

Louvo o sentido de Estado do primeiro-ministro ao aceder a reunir-se com uma central sindical instrumentalizada pelo PCP. Fica-lhe bem. Mas louvo sobretudo a sua paciência em dar conversa a quem sabe que nunca fará a mínima aproximação de princípios, nem jamais assinará um acordo de concertação social.

Quero mesmo acreditar que, ainda que o Governo desistisse do pacote laboral, daquele limão não sairia uma única gota de sumo, apenas o azedume habitual. Trata-se, pois, de uma pura perda de tempo. Seria tão fácil acertar no Euromilhões como prever o teor do resultado da futura reunião: em dez palpites, onze seriam respostas certas.

Em todo o caso, também isto é política; faz parte do folclore. Há coisas que não mudam.