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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

01.12.25

O exercício da mentira


a. almeida

"Afirmavam e provavam os oponentes que, como primeiro-ministro, o senhor Sócrates descaradamente mentia. Afirmam e provam agora os seus seguidores que o senhor Passos Coelho descaradamente mentia.

Cidadão sem partido, sem tacho, amizades ou dependências políticas, livre que nem andorinha, pergunto-me que proveito move as senhoras e senhores que tanta energia e palavras gastam no fingimento de que protestam contra a mentira, e sinceramente querem endireitar o torto. Será mau hábito que têm? Achaque que lhes dá? Sendo apenas figurantes e vassalos, imaginam-se actores de primeira?

De qualquer modo o espectáculo é deprimente, menos pela fantochada do que pelo que põe à mostra de sabujice. E mal, muito mal, vai à vida política da nação, quando o debate público ganha o tom das rixas de taberna".

[J.Rentes de Carvalho]

27.11.25

No país dos unicórnios


a. almeida

"A manhã estava cinzenta e a chuva já ameaçava cair. Na outra ponta da cidade, convidados da Web Summit preparavam-se para discutir as últimas inovações tecnológicas e promover Lisboa como a capital da inteligência artificial por uns dias. Mas na zona do antigo Casal Ventoso o ambiente é outro: miséria, desolação, abandono.

O PÁGINA UM visitou o local com o psiquiatra Luís Patrício, uma “autoridade” nacional em matéria de prevenção e tratamento da toxicodependência e que foi co-fundador do centro de desintoxicação das Taipas, o primeiro do género em Portugal. O que encontrámos, ao realizar esta reportagem, foi um centro comercial de drogas a céu aberto, num ecossistema onde consumidores e traficantes convivem lado a lado com bairros residenciais e famílias no seu dia-a-dia."

[fonte e resto do artigo]

19.11.25

Quem não gosta de vinho tem maus fígados?


a. almeida

"Há quem confunda ciência com religião, e divulgação científica com catequese. David Marçal, com crónica residente do Público, é um desses casos paradigmáticos — um personagem que, nos últimos anos, foi entronizado por certa comunicação social como uma espécie de sumo-sacerdote da “boa ciência”. Não se sabe bem por que méritos — talvez por ubiquidade mediática, talvez por conveniência ideológica —, mas o estatuto de “voz da razão” que lhe atribuíram sempre me pareceu suspeito. E digo “suspeito” porque a ciência, quando é ciência, é essencialmente dinâmica, provisória e contestável. Aquilo que é dogmático não é ciência: é fé travestida de método."

Artigo de opinião de Pedro Almeida Vieira no "Página Um"

[Fonte e texto integral]

 

28.02.24

Climax, sem preliminares


a. almeida

cascata do outeiro.jpg

Num certo grupo do Facebook, partilham-se fotos e experiências de locais bonitos em Portugal. Uma fartura deles. Numa das publicações alguém partilhou a beleza da Cascata do Outeiro, na freguesia de Pindelo, concelho de Oliveira de Azeméis. No momento em que li, mais de 1000 likes, mais de 200 partilhas, quase uma centena de comentários, entre admirações e esclarecimentos de como chegar ao local e acessos e, contudo (admitindo que me possa ter passado), nem uma única referência ao nome do rio onde se desenvolve a tão bonita e admirada quanto desconhecida cascata.
De facto trata-se do rio Antuã, vindo ali da zona das Alagoas na freguesia de Escariz - Arouca e que desagua na ria de Aveiro entre Estarreja, Salreu e Murtosa.

Em resumo, nem sempre damos valor a coisas que são importantes e andamos às voltas com comentários e considerações mil, sendo até capazes de ver agulhas em palheiros, mosquitos em África e com o óbvio a passar-nos ao lado.
Em parte isto desculpa-se pelo facto de pelos tempos que correm a informação chegar-nos às paletes, em quantidade tal que a modos de nem termos tempo de a absorver e por isso, impacientes ou assoberbados, passamos à frente, como a antecipar o desfecho de um filme ou de uma história em livro.Já não somos de preliminares e avançamos logo para o climax, para o orgasmo.

 

Notas à margem:

A propósito do nome do rio Antuã, há uma velha questão quanto à correcta designação, sobretudo quanto aos troços que se juntam ligeiramente a sul do Parque Molinológico de Ul. Se desse ponto para baixo e até à foz não residem dúvidas, já quanto aos troços a montante uns consideram que o do lado poente é o rio Antuã (o que condiz com a cartografia oficial do Exército), sendo neste caso o troço do lado nascente designado de rio Ínsua; outros asseguram o contrário e vice-versa.

Esta confusão levou até a Câmara Municipal de S. João da Madeira a alterar o nome, incluindo o que referencia o Parque da Cidade,  já que chegou a tê-lo inicialmente como rio Antuã e alterado posteriormente para Ul. Parece que existem referências antigas a ambos os nomes mas que em vez de ajudarem ao esclarecimento tornam-no irresolúvel. A ajudar na designação do rio Ul o facto de passar junto a localidades com esse nome, como é o caso de S. Tiago de Riba-Ul e Ul.

Em todo o caso esta questão de confusão em nomes de rios é comum e desde logo porque é também corrente o mesmo rio ter diferentes designações dependendo dos locais e terras por onde passa. Mas, de algum modo, seria interessante ou mesmo importante que as entidades idóneas e responsáveis por estas coisas definissem e atribuissem oficialmente o seu a seu dono.

 

[Foto - Créditos: Jaime Aam - Voz Portuense]

25.02.24

Rio Paiva e seus afluentes


a. almeida

rio paiva mapa ex.jpg

O rio Paiva é um rio português, afluente da margem esquerda do rio Douro, onde desagua no conevlho de Castelo de Paiva, junto à localidade de Fornos, onde se localiza a pitoresca ilhota conhecida como "Iha dos Amores".

Este curso de água tem um comprimento de cerca de 112 Km e abrange uma bacia hidrográfica de sensivelmente 760 Km2. Nasce à cota altimétrica próxima de 1000 metros, na serra de Leomil, na freguesia de Pera Velha, próximo à aldeia de Carapito, no concelho de Moimenta da Beira. No seu traçado predominante no sentido leste-oeste, percorre território de dez municípios, comcretamente Moimenta da Beira, Sátão, Vila Nova de Paiva, Viseu, Castro Daire, São Pedro do Sul, Arouca, Cinfães e Castelo de Paiva. O seu percurso é sinuoso, próprio d eum rio de montanha, entre as serras de Leomil (a leste), S. Lourenço, S. Macário e Freita (pelo sul) e Montemuro (pelo norte).
O rio Paiva intercepta, desde Meitriz até Espiunca, a região noroeste do rico território classificado pela UNESCO como Arouca Geoparque.
Tem vários e interessantes afluentes, com predominância do lado da sua margem direita, sendo os mais importantes, pela margem esquerda o Rio Paivô e Ribeira de Deilão e pela margem direita o Rio Ardena, Rio Tenente, Rio Sonso, Rio Teixeira, Ribeira da Carvalhosa, Rio Vidoeiro (ou Pombeiro), Rio Paivó, Rio Mau e Rio Côvo (ou Ribeira de Touro). Das muitas localidades por onde passa, destacam-se de montante para jusante, Vila Nova de Paiva e Castro Daire.

Conserva na sua bacia hidrográfica ainda várias espécies raras de fauna e flora protegidas por convenções internacionais, pelo que devido a essa importância recebeu no ano 2000 a classificação Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura

É um rio com características de montanha, ainda relativamente pouco poluído mas com focos que constantemente atentam à sua qualidade e tem sido um recurso turístico em crescendo, sobretudo com a introdução dos passadiços, na zona de Arouca, que o percorrem ao longo de 8,6 km pela margem esquerda desde a praia do Areinho até Espiunca. Ainda a construção da ponte metálica suspensa, em Alvarenga, com todos os prós e contras de uma estrutura artificial e com própósitos meramente turísticos. O rio é ainda muito considerado nos desportos radicais como canoagem e rafting.

Partilho aqui um mapa interessante, a que se pode fazer zoom, do traçado do rio e sesu afluentes.

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