Tal como escrevi por aqui no passado dia 15, os resultados das eleições de ontem vieram confirmar a insignificância dos partidos canhotos. Durante todo este tempo de campanha falaram afanosamente do povo, dos trabalhadores, da classe operária, da defesa da democracia e da constituição. Apregoaram-se como os donos morais destes valores. Mas estão desfasados, porque, na hora de fazer as escolhas, o povo remete-os à insignificância eleitoral e política. Até mesmo o imberve Jorge Pinto, que surgiu na disputa como uma espécie de Cristiano Ronaldo dos candidatos, ficou abaixo do bobo da corte. Ou seja, falar a sério ou a apalhaçar teve o mesmo valor. Na realidade até mesmo, pois gozar com a coisa até deu mais votos. Sintomático!
Em resumo, tal como era mais que previsível, os candidatos canhotos todos juntos valeram 4,38%. Ridículo, mas no rescaldo da derrota, continuam a dizer que vão andar por aí, como se continuem a falar em nome dos pseudo-3 milhões que dizem ter agregado na Greve Geral. Tretas! Tretas! Tretas!
Quanto ao resto, votei Cotrim, em nome da defesa aos ataques sem precedentes de que foi alvo, sobretudo pela nossa canhota comunicação social. Na eleição próxima, que definirá a figura que habitará o palácio de Belém, votarei convictamente em António José Seguro, muito pelo que escrevi em 7 de Março do ano transacto, mas por mais.
O vencedor desta primeira volta, pode não ser deslumbrante, nem político manhoso e interesseiro, e por isso tão desconsiderado por figuras gradas do seu partido, que agora, engolindo sapos e rãs, saem da toca com as mãozinhas quentes para as habituais palmadinhas nas costas e afagos pelo pêlo. Deste vez não foi por poucoxinho. Já agora, estou a aguardar pelas consideração do autor do golpe palaciano, o Sr. Costa. Como todos os demais, vai ter de engolir e debitar coisas simpáticas. A melhor vingança (não que veja Seguro como vingativo e rancoroso) serve-se fria. Em todo o caso, não deve esquecer.
No resto, não acredito que a próxima eleição seja entre a esquerda e a direita. Se fosse, André Ventura já estava eleito. Mas não, parece-me, será sobretudo entre o radicalismo e a moderação e bom senso. É certo que considero que as coisas já lá não vão com paninhos quentes, com mais do mesmo, mas seguramente, neste quadro de opções, não será com Ventura, mas seguramente com Seguro mesmo que deste não se esperem arrojos.
Fora do que foi a eleição, o habitual, com uns a transformarem isto em eleições legislativas, recados, cartões amarelos e vermelhos, derrotas em vitórias, blá, blá, blá.
A novela segue dentro de momentos!