Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

20.01.26

Perda de tempo


a. almeida

A reunião que dizem que vai acontecer hoje entre o Primeiro-Ministro e a ministra do Trabalho com o secretário-geral da CGTP, tem um desfecho garantido: o desacordo. Por conseguinte, esta reunião é daquelas coisas que bem podem ser sinómino de perda de tempo, a de uma completa inutilidade. Em bom rigor, a reunião só se realiza num pressuposto de hipocrisia, em que cada uma das partes pretende transmitir uma ideia de que está aberta ao diálogo. No entanto, desde logo pelo historial e comportamento, sabe-se que a CGTP, por ortodoxia, fundamentalismo ideológico e ao serviço do PCP, tem uma postura congénita de estar sempre contra, seja em que circunstância. Posto isto, qualquer pontinha de acordo seria contra-natura e caso para festejar o acontecimento com a instauração de um feriado nacional, o Dia do Entendimento Impossível.

É, pois, uma reunião para fazer de conta. Poderia, muito bem, realizar-se no dia de Carnaval ou no primeiro de Abril. Teria mais propósito.

20.01.26

O Carneiro a ser carneiro e contorcionistas


a. almeida

Que bonito e caricato é ver agora as figuras socialistas, as mesmas que tanto depreciaram e desconsideraram António José Seguro enquanto proto-candidato e candidato, a "engolirem sapos" e a contorcerem a espinha. Reclamam agora um estatuto de "amigos de infância", desde a escola primária, acotovelando-se para ficar ao lado daquele que, se depender de mim, será o próximo Presidente da República.

Esta gente não tem vergonha nem espinha dorsal. Pensam que as pessoas — a começar pelo próprio Seguro, o "Tozero", não têm memória. Mas têm! Veja-se o exemplo recente de Marta Temido: deve estar com dores de tanto torcer a espinha, dada a contradição absoluta entre a opinião que tinha e a que agora demonstra pelo "quase" Senhor Presidente.

Por outro lado, José Luís Carneiro, agindo como se fosse o obreiro da vitória de Seguro (que apenas apoiou por obrigação), vem exigir ao Primeiro-Ministro que se coloque ao lado do candidato. Mas por que carga de água? O Primeiro-Ministro já deixou claro que nenhum dos candidatos na segunda volta representa o seu espaço político; logo, não tem de se pronunciar, muito menos declarar apoio.

Além disso, há um detalhe que faz toda a diferença: ele é Primeiro-Ministro e tem de governar. Sem maioria parlamentar, num esforço constante de entendimento à esquerda e à direita, em nada o ajudaria posicionar-se agora. Quem não compreende isto? Talvez um "bronco", mas Carneiro?

Enfim, se este cenário arrelia até o mais santo, a verdade é que não surpreende. Afinal, é com esta massa que se coze a nossa política e as suas figurinhas.

19.01.26

Seguro, seguramente.


a. almeida

Tal como escrevi por aqui no passado dia 15, os resultados das eleições de ontem vieram confirmar a insignificância dos partidos canhotos. Durante todo este tempo de campanha falaram afanosamente do povo, dos trabalhadores, da classe operária, da defesa da democracia e da constituição. Apregoaram-se como os donos morais destes valores. Mas estão desfasados, porque, na hora de fazer as escolhas, o povo remete-os à insignificância eleitoral e política. Até mesmo o imberve Jorge Pinto, que surgiu na disputa como uma espécie de Cristiano Ronaldo dos candidatos, ficou abaixo do bobo da corte. Ou seja, falar a sério ou a apalhaçar teve o mesmo valor. Na realidade até mesmo, pois gozar com a coisa até deu mais votos. Sintomático!

Em resumo, tal como era mais que previsível, os candidatos canhotos todos juntos valeram 4,38%. Ridículo, mas no rescaldo da derrota, continuam a dizer que vão andar por aí, como se continuem a falar em nome dos pseudo-3 milhões que dizem ter agregado na Greve Geral. Tretas! Tretas! Tretas!

Quanto ao resto, votei Cotrim, em nome da defesa aos ataques sem precedentes de que foi alvo, sobretudo pela nossa canhota comunicação social. Na eleição próxima, que definirá a figura que habitará o palácio de Belém, votarei convictamente em António José Seguro, muito pelo que escrevi em 7 de Março do ano transacto, mas por mais.

O vencedor desta primeira volta, pode não ser deslumbrante, nem político manhoso e interesseiro, e por isso tão desconsiderado por figuras gradas do seu partido, que agora, engolindo sapos e rãs, saem da toca com as mãozinhas quentes para as habituais palmadinhas nas costas e afagos pelo pêlo. Deste vez não foi por poucoxinho. Já agora, estou a aguardar pelas consideração do autor do golpe palaciano, o Sr. Costa.  Como todos os demais, vai ter de engolir e debitar coisas simpáticas. A melhor vingança (não que veja Seguro como vingativo e rancoroso) serve-se fria. Em todo o caso, não deve esquecer.

No resto, não acredito que a próxima eleição seja entre a esquerda e a direita. Se fosse, André Ventura já estava eleito. Mas não, parece-me, será sobretudo entre o radicalismo e a moderação e bom senso. É certo que considero que as coisas já lá não vão com paninhos quentes,  com mais do mesmo, mas seguramente, neste quadro de opções, não será com Ventura, mas seguramente com Seguro mesmo que deste não se esperem arrojos.

Fora do que foi a eleição, o habitual, com uns a transformarem isto em eleições legislativas, recados, cartões amarelos e vermelhos, derrotas em vitórias, blá, blá, blá.

A novela segue dentro de momentos!

15.01.26

Onde estarão "os 3 milhões"?


a. almeida

Não sou dos que acreditam "às ceguinhas" em sondagens, desde logo porque sabemos que, de um modo ou de outro, são manipuladas consoante os interesses que pretendem servir. Quando muito, funcionam como meros indicadores. Ainda assim, no que toca à cauda da tabela, poucas dúvidas tenho de que a percentagem de votação andará ali pelos 3% ou abaixo disso.

António Filipe, Catarina Martins, Jorge Pinto e os habituais bobos da corte terão de se contentar com as migalhas do costume. Tirando a vertente cómica, que apenas desprestigia o acto eleitoral, os candidatos da velha esquerda, todos juntos, dificilmente ultrapassarão os 6%. E, no entanto, todos eles falam empenhadamente em nome dos trabalhadores, da classe operária, dos problemas do SNS, dos malefícios do pacote laboral, da defesa da Constituição, a de Abril, a deles.

Ou seja, são poucos, muito poucos, os que lhes dão crédito. Onde estão os “3 milhões” que, segundo a sua narrativa, lhes deram voz aquando da greve geral? O problema, nestas contas, é simples: os votos contam-se com rigor, enquanto que, nas greves, tudo não passa de uma espécie de adivinhação a olhómetro, onde entram para a soma até aqueles que foram arrastados por falta de transportes e de quem lhes abrisse as portas dos serviços, mesmo contra a sua vontade.

Nesse sentido, uma eleição é sempre clarificadora quanto ao real peso dos valores que essa esquerda caduca diz defender. O problema talvez nem esteja nos valores em si, porque muitos deles também eu defendo, mas sim na forma e nos métodos. É aí que têm falhado e é aí que, eleição após eleição, insistem em não aprender.

Costuma-se dizer que nunca é tarde para aprender, mas esta gente desconhece o ditado.

14.01.26

Os blogs Sapo vão à vida


a. almeida

Nada é eterno! É verdade! Sobretudo na área de negócios. Tudo se resume a dinheiro, a lucros. Quando assim é, não há contemplações.

Neste contexto, está anunciada a morte da plataforma Sapo Blogs. Os utilizadores, surpreendidos, alguns, e resignados todos, vão deixando comentários e alguém responde a lamentar, mas numa posição penosa, pouco mais do que a fazer figura de um assistente virtual. A IA faria melhor.

Nada a fazer! De resto, adivinhava-se e só quem anda a leste destas coisas é que não ía percebendo os sinais dados pela MEO e pela plataforma, numa desconsideração  e cristalização, ficando parada no tempo. Como alguém já comentou a propósito, vinha-se assistindo à "merdificação" da plataforma, em muito transversal a toda a empresa da MEO, numa cultura que há muito deixou de ter em conta as pessoas e os clientes. Tudo é business, my dear!

Por mim, a perda é pouca, admito, porque o blog ainda e relativamente recente e feito de espuma dos dias, que se perde e desactualiza no dia seguinte. Um dos blogs, com valor de repositório, retornará à plataforma Blogger, que agora me arrependo de ter mudado. Mas, não será de surpreender se também esta plataforma um dia terminar. É só esperar!

Mas, por agora, no Sapo, é mau de mais para blogs que andam por cá há vários anos, alguns, creio, que desde o princípio, e tantos com clientela significativa. Vão todos à vida e têm que desocupar a loja. 

Em resumo, de lamentar, mas ter em conta que nestas coisas ninguém dá nada a ninguém e quando a coisa deixa de gerar interesse e receitas basta carregar no botão. Dar um prazo para arrumar a casa e fazer as malas é o mínimo, mas pouco vale. O mal já está feito! Em todo o caso, para mim a MEO terminou definitivamente. Não me batam à porta ou telefonem a vender serviços.

13.01.26

Ei-los, com palmadinhas e todo sorrisos


a. almeida

Bastou que António José Seguro surgisse bem posicionado nas sondagens para que muitos daqueles que, no Partido Socialista, o consideravam um candidato fraco — e que não se coibiram de assumir publicamente posições de desconsideração da sua figura, na expectativa de que outro avançasse — viessem agora a público manifestar o seu apoio e a apregoar virtudes que, ainda há dois meses, de todo não vislumbravam.

A isto chamam oportunismo e tacticismo. Creio, porém, que é mais do que isso: trata-se de falta de vergonha e de honestidade intelectual. Ainda assim, nada que surpreenda.