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Diário de quem já não vai para novo

...porque as palavras são a voz da alma.

Diário de quem já não vai para novo

...porque as palavras são a voz da alma.

23.05.24

Os outros, sempre de pé trocado


a. almeida

João Oliveira, do PCP, pessoa e partido contra as virtudes da União Europeia, apesar disso concorrem a um lugarzinho na instituição.
A propósito das eleições para o parlamento da coisa, terá dito que a União Europeia "convive bem" com "forças reacionárias e antidemocráticas" no seu seio, "porque nem uns nem outros contestam o capitalismo".

Saberá João Oliveira que as ditas "forças" na União Europeia são pessoas e partidos que foram eleitos livre e democraticamente por cidadãos europeus, incluindo migrantes? E que o dito capitalismo (chavão dos mais utilizados no léxico comunista), ou não, decorre dessas escolhas?
Não deve saber, porque bom democrata que é, discípulo do que melhor nesta matéria fazem Putin, Xi Jinping e companhia, perceberia. Estes, ao contrário da União Europeia e de Ursula von der Leyen, não convivem de todo com as forças reaccionárias que lhes ameace o poder ditatorial ou autocrático. Qualquer reacção por ali dá anos na prisão no fresquinho da Sibéria ou dos Himalaias, ou simplesmente, por via das dúvidas, o "abate".

Por estas coisas, João Oliveira e o seu PCP andam por ali no limbo da extinção, mas sempre na teimosia crónica de que eles é que marcham de passo certo na parada do tempo e da história. Os demais, as "forças reacionárias e antidemocráticas", esses não sabem marchar.

Importará sempre ao João Oliveira, ao PCP, e a todos os que encarniçadamente seguem a cartilha ideológica mais extremada, perceberem que a democracia é isso mesmo, direito à liberdade de escolha e de pensamento, mesmo que isso nos desagrade. Por isso não compreender nem aceitar isto e acusar os outros de "reaccionários e antidemocratas" não fica bem a "democratas" e mais do que isso, cheira a mofo. 

17.05.24

O génio da lâmpada


a. almeida

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Num certo blog cá da praça, que não menciono apenas porque o mesmo está em destaque na plataforma, o autor tem um bom artigo onde aborda a questão da inteligência artificial (IA), considerando, e bem, que a mesma ... interfere em todos as áreas da expressão humana, sendo mesmo usada para criar música, imagens, conceitos pictóricos, poemas e até roteiros de filmes.

Se concordamos todos que a IA apresenta ganhos extremamente positivos na área das ciências, desde que usados apenas num sentido positivo e na promoção do bem humano e da natureza (o que será impossível, reconheça-se), questiona o autor, legitimamente, o seu uso em contexto da criatividade artística.

Mais questiona se "Importa se uma pessoa aprecia o trabalho criado por uma máquina ou se isso ainda é antiético? A resposta a esta questão filosófica parece não vir tão cedo. Por enquanto, o uso de assistentes de software nas esferas criativas ergue muros de preocupações e protestos. Talvez por isso os limites diários do uso dessa IA levantem cada vez mais questões."

Como comentei o artigo, partilho aqui o comentário ou a ideia do mesmo, com ligeiros acrescentos, que de algum modo exprime o que tenho em conta sobre o assunto:

- Tudo questões sérias e pertinentes.
De facto a criatividade humana começa agora a valer pouco ou nada e numa qualquer obra já não sabemos se havemos de nos deslumbrar, pelo talento e criatividade, ou se apenas torcer o nariz e pensar que o mérito é apenas de uma máquina e algoritmo que limitam-se a interpretar uma ordem baseada numa descrição mais simples ou rebuscada. A modos de quase como o esfregar a lâmpada e pedir o desejo ao génio. Com ela, o mais nabo e inadaptado torna-se mestre.
Em resumo, soltaram a fera. Anda agora à solta e impossível será domesticá-la.
O meteorito dos prejuízos para os verdadeiros artistas, que até aqui viviam pelo seu talento, está já em queda. Qual a verdadeira dimensão da cratera e da onda de choque do seu impacto, é o que se verá, e não será necessário esperar muito.

A condizer ao artigo, uma imagem gerada por IA.

13.05.24

Um festival de coisa nenhuma


a. almeida

1 - Ainda não percebi porque é que aquela coisa chamada Festival Eurovisão da Canção ainda existe. É que aquilo é do fraquinho para baixo. E agora a ser polvilhado com agendas políticas, posições e mensagens mais ou menos subliminares, nas roupinhas, nas cuecas ou até nas unhas, que nada têm a ver com as musiquinhas e as espatafurdices, estaria mais que na hora de dar uma limpeza geral. Mas, ok, só vê quem quer e gosta e haverá sempre mosquedo atrás das traseiras do gado. A nossa representante, uma tal de Iolanda, parece que também quis dar o seu "peidinho" para "ficar do lado certo da história". Ora o lado certo desta história era não se meter nestes tristes espectáculos.

Do pouqinho que vi, para ter opinião, a cantiga de Israel foi de longe a menos fraquinha, mas estava escrito nas estrelas que nunca seria vencedora e o lugar conquistado (creio que 5.º) até é lisongeiro face ao antagonismo que gerou. Pelas mesmas razões que ganhou a  cantiga da Ucrânia logo a pós a invasão pela Rússia, a de Isreal foi agora a sacrificada.

2 - Israel passou há muito das marcas do aceitável, se é que estas coisas de guerra têm alguma aceitabilidade. Por conseguinte não posso de modo algum concordar com tudo o que tem feito e continua a fazer em Gaza: Morte e destruição.

Apesar disso, às muitas manifestação a favor da Palestina, só lhes dou legitimidade quando com o mesmo vigor os protestos se direccionarem aos movimentos terroristas, com o Hamas à cabeça. A guerra continua, violenta, mas, parece que todos nos esquecemos que apesar de tudo e do tempo decorrido, o grupo fundamentalista ainda continua a deter os reféns caçados desde o o acto terrorista em Outubro passado, quando atacou e massacrou de forma indiscriminada gente civil, sabendo que com isso estava a acender o rastilho para uma bomba. Como se diz na gíria, o Hamas continua a dar todos os motivos para que Israel continue a destruição.

Quanto aos manifestantes, florzinhas ocidentais defendidas pelos mecanismos da democracia, como gostaria de os ver a ir à Rússia, à China, à Coreia do Norte, ao Irão, ao Afeganistão e a tantos outros palcos contestar, protestar contra os respectivos regimes e políticas de repressão. Isso é que era de gente com eles no sítio. Por ora é do género, "segurem-nos, senão vamos a eles!".

10.05.24

Suplemento Maria


a. almeida

Então é mais ou menos assim: O sindicato dos funcionários judiciais exigem ao Governo um suplemento para tratarem de recuperar o trabalho que não fizeram, porque andaram entretidos em greves para reclamar o aumento do suplemento. Ora não estou a ver como é que essa recuperação possa ser feita senão no horário de trabalho, pelo que não se percebe a ideia da exigência do suplemento. Havendo, pois, trabalho, e muito, para recuperar, por via de não ter sido feito como devia, fazem nova greve para exigir novo aumento do dito suplemento. Concordo com quem considera que isto não andará longe da extorsão pura e dura.
Isto é a gozar com quem trabalha, não é?
Por mim bem que gostaria de ter esse emprego, mesmo sem o suplemento do suplemento. Esta gente não quererá ir para as obras, para pedreiros e trolhas? É que lhes arranjo trabalho. Queiram eles trabalhar. É de justiça!

09.05.24

Paga lá o IMI e não digas que vais daqui

Ou como viver sem nada fazer


a. almeida

Há coisas que mais que coincidências parecem premonitórias: Próximo da minha habitação, existe um edifício de habitação social, coisa de uma vintena de fogos. Escusado será dizer que é tudo menos um exemplo de boa vivência e cordialidade. Pelas vezes que para ali são chamados a GNR ou os Bombeiros, para acudir a diversas situações de conflitos, roubos, discussões, agressões, mais valia que lá fizessem um posto e um quartel permanentes.

Ainda hoje, andando no meu quintal fronteiriço, entretido a estacar feijões, ouvi berros e ameças de um filho a chamar a mãe de filha da outra e a elencar uma lista de animais a começar pela vaca, e outros impropérios à altura dos mais apurados deliquentes. E pelo barulho, estaria a partir tudo o que fosse de espatifar. Mas estes deliquentes que até vão à presença do juiz, como tem sido o caso, são libertados a troco de umas horas de trabalhos comunitários que em em rigor nunca cumprem. Gozo puro e duro a que a autoridade e estâncias sociais do município já não têm mão ou assobiam para o lado onde não chove. E assim vamos andando nesta república de bananas, neste faz de conta de boa justiça, campo vasto tão defendido por certas esquerdas.

Ora esta gente, entre alguns, poucos, bons, integrados, honestos e pacatos, de uma quase vintena de alojamentos pagarão na sua maioria uns tostões de renda, coisa simbólica e não há água nem electricidade cortada, mesmo que não pagas as mensalidades. Pelo meio recebem sacos e cabazes de mercearia e têm taxas sociais de tudo e mais alguma coisa. Mas é vê-los a acartar garrafões de vinho da mercearia ao lado, a fumar como desalmados, de bons telemóveis, etc, etc. Assim é que é viver. Trabalhar é que não. Afinal o Estado é bom e generoso e quem trabalha há-de sempre subsidiar quem não.

Ora, cá está a tal coincidência, quando chego a casa tenho uma cartinha da diligente Autoridade Tributária a reclamar neste mês de Maio o costumeiro imposto semestral do IMI, qualquer coisa como duzentos euros e picos, no que resulta em quase quinhentos euros anuais. Feitas as contas, corresponde a muito mais do que o valor da renda anual paga por essa gente, muitos deles verdadeiros oportunistas, parasitas. Mas eu, que trabalho, que pago os impostos, prestação do crédito de habitação ao Banco, etc, etc, tenho ainda que pagar IMI, a renda da minha própria casa que edifiquei num terreno que comprei, fruto do meu trabalho e suor, paga com todos os impostos de IVA, de taxas de urbanização, licenças camarárias, etc, etc.

Surpreende, por tudo isto, por esta desfaçatez, por esta desproporcionalidade, por este permanente far niente ,que alguém se revolte e encontre num qualquer CHEGA o porto da sua indignação? Quem souber que responda!

08.05.24

O rei continua a andar por aí, nu


a. almeida

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Não sei se é mania só nossa, dos portugueses, ou se disso padecem outros. Mas o mal talvez seja geral porque guiado por interesses de marketing e económicos. Como em quase tudo, a engrenagem da nossa sociedade precisa do lubrificante que é o pilim, o dinheiro, o lucro. Assim não surpreende que  Paris-Dakar continuasse a ter esse nome mesmo quando andou pela América do Sul ou o Rock in Rio continue a ter esse designação mesmo quando em Lisboa.

Mas de facto usamos e abusamos dos eufemismos e de aldrabices e tendemos a chamar nomes aos bois mesmo que na realidade sejam gnus, bisontes ou búfalos. Então agora é uma "francesinha" mesmo que esta seja com pescada ou atum, é "Bola de Berlim" mesmo que esta tenha recheio de rabo de porco e foie gras. Pode-se subverter a base, a originalidade para que tudo continue a ser a mesma coisa, quando na realidade não é.

Depois, ainda, a mania dos ditos "chefes", montadores de minúsculos montinhos de comida que em restaurantes xpto se pagam como se de ouro e diamantes fossem os ingredientes, e que teimam em classificar como variantes ou interpretações modernas de uma feijoada, de um arroz de sarrabulho ou bacalhau à liberdade, mesmo que na realidade a composição tenha um único feijão, meia-dúzia de arrozeiros e uma lasca de bacalhau. No meio de tudo isto, supreende a quantidade de gente que alinha nestes eufemismos, nestas aldrabices, nestes fazes-de-conta, e paguem para ver e comer.

Nunca, como agora, faz pleno sentido a analogia de  "O Rei vai nu!", ou então a velha máxima do "Engana-me, que eu gosto!"

07.05.24

Pornografia é mel


a. almeida

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Não sabia, nem é o meu género de escrita nem de leitura, mas tendo em conta o que li por aqui num certo blog no Sapo, fico a saber, por pressuposto, que neste blog também posso escrever pornografia. E sem necessidade de referência ou recomendação prévia de escalão etário ou advertência.

Mas não! É melhor não! É um género como outro qualquer mas de facto a roda e a pólvora estão inventadas e o que não falta por aí são sítios de contos eróticos ou badalhóticos e além disso tudo é free, live and in color, sem pretenciosismos literários, sem rodeios nem perliminares.

Em todo o caso, a pornografia continua a ser pólen para as abelhas, bosta para as moscas, minhoca para as trutas. Em resumo, um chamariz, um anzol, no caso para leitores especiais. Recordo-me de aqui há uns anos, num dos meus blogs, noutra plataforma, fiz um artigo recomendável em que abordava a temática da proliferação na internet de sítios de cariz pornográfico e como exemplo deixava um link que na época era moda. Ora à custa desse link e do decorrente aumento das visitas, ganhei uns trocados pela publicidade agregada, até que o capataz da plataforma veio avisar que teria que remover o link por desrespeitar as normas de conduta. Lá removi o link e de rajada até mesmo o blog porque entretanto foi chão que deixou de dar uvas.

Como se vê, apesar da pornografia estar vulgarizada a extremos, disseminada, ao alcance de qualquer um, mesmo das crianças e sem qualquer controlo parental ou de outra natureza, continua a ser pólen a chamar abelhas ao jardim proibido, mesmo em blogs.