08.08.25
País de festivais e festivaleiros
a. almeida
É sabido, Portugal é um país de festivais de música. Confesso que não tenho dados nem os pesquisei, mas não custa a acreditar que proporcionalmente esteja no top 3, quiçá mesmo em primeiro lugar mundial.
A fazer fé no Chat GPT, Portugal será provavelmente o país com mais festivais de música per capita do mundo — mais do que o dobro do segundo colocado (Malta), e muito acima de grandes mercados como Reino Unido e EUA.
Segundo a Associação Portuguesa de Festivais de Música (APORFEST), o número de festivais de música tem variado anualmente, mas a tendência tem sido de crescimento. No ano passado, 2024, o sector registou um novo recorde, com 358 festivais realizados em todo o país. Quase que aposto que neste ano de 2025 o número aumentará.
Mas serão bem mais, pois alguns de menor impacto não entrarão no crivo da APORFEST.
O mês de Julho é o que regista mais eventos (80) bem como Lisboa (72) , Porto (41), Braga (40) e Leiria (23) são os locais onde mais ocorrem.
A somar aos festivais, as centenas de festas e romarias, todas com espaço e dinheiro para toda a espécie de bandas e artistas, dos mais rascas aos mais conceituados. Mesmo o mais fatela, já não sobe ao palco por menos de 10 mil euros, apenas com playback, como ainda agora cá pela aldeia com a famosa Maria Leal. Assim se estoura dinheiro ao desbarato. Isso e em foguetes mesmo que os empresários deste sector a queixarem-se pelas restrições devido aos incêndios.
As Câmaras Municipais, mesmos aquelas do interior, com 4 ou 5 mil habitantes, também não se coibem de estourar 150 mil euros numa banda, como há dias no município de Penamacor. É o que é!
Resulta daqui que a nossa malta quer e gosta de farra e para isso não tem perna manca nem carteira apertada. Mesmo que depois no dia-a-dia se ande a cagar e a tossir, para festivais há sempre guita com fartura.
Também não deixa de ser curisoso que ambas as empresas de serviços de telecomunicações, como a MEO, a NOS e a Vodafone tenham os seus festivais. Aos clientes fartam-se de esticar a corda e tantas vezes a prestar maus serviços mas para esta sponsorização o dinheiro sobra.
Realidades e singularidades deste nosso Portugal, sempre no top do que diz respeito a farras.

