24.12.25
Serra da Freita - Arouca
a. almeida



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24.12.25
a. almeida



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03.11.25
a. almeida




Cascata do Outeiro - Rio Antuã - Pindelo - Oliveira de Azeméis
15.09.25
a. almeida


Hoje, dia 15 de Setembro, fui comprir uma tradição pessoal já com muitos anos. Fui à romaria de Santa Eufêmia que se realiza anualmente nos dias 14, 15 (dia grande) e 16 de Setembro, na freguesia de S. Pedro do Paraíso, concelho de Castelo de Paiva. Porque muita gente aproveitou o Sábado e o Domingo, hoje verificou-se menos romeiros do que é habitual, quando a meio da semana. Mesmo assim, muita gente, capela repleta para a missa e as barracas dos bifes apinhadas, como sempre.
Porque intemporal, reescrevo, com ligeiras actualizações, o que já escrevi num outro blog.
Esta santa, tem muita tradição em Portugal e a ela, sensivelmente por esta data, são dedicadas festas e romarias em algumas das nossas aldeias.
Por cá, das grandes romarias da nossa região e arredores, nomeadamente a Senhora da Saúde, em Carvalhos-Pedroso-Vila Nova de Gaia, S. João no Porto, Senhor da Pedra, em Gulpilhares - Vila Nova de Gaia, a Senhora da Saúde, em Gestoso -Vale de Cambra, S. Cosme, em Gondomar, S. Simão, em Urrô - Penafiel, S. Domingos da Queimada, Raiva - Castelo de Paiva, Senhora das Amoras, em Oliveira do Arda, Castelo de Paiva, Festa das Colheitas, em Arouca (pelo final de Setembro) e Festa das Fogaceiras, em Santa Maria da Feira (a 20 de Janeiro) e outras mais, pessoalmente considero que a romaria de Santa Eufêmia, na freguesia do Paraíso, em Castelo de Paiva, será aquela que ainda conserva as características quase genuínas, herdadas e transmitidas de há muitas décadas, relatadas pelos nossos avós e bisavós. A contribuir para isso, o facto de se situar numa região relativamente interior, ainda muito caracterizada pela agricultura e também pela localização do arraial, que, ao contrário do que é normal, não está no alto de um monte (como S. Domingos da Queimada) mas sim num baixio encravado entre duas vertentes da serra e desenvolve-se em vários sucalcos ladeados de ruas estreitas. Os acessos no recinto são estreitos.
Por conseguinte, a parnefália de enormes e ruidosos divertimentos, roulottes de vendas e grandes tendas comerciais, desde africanos a chineses, ciganos e marroquinos, que fazem parte da mobília das festas e romarias actuais, ali não têm lugar nem espaço, apenas nas imediações, e os vendedores tradicionais ocupam os lugares desde há várias décadas. Raramente, pode existir uma pequena pista de carrinhos, quase sempre parada, e uma ou outra tenda de ciganos a vender roupas, mas no essencial todo o restante negócio está revestido das tais características tradicionais, assumindo plano de destaque a venda de doces, onde a primazia e a excelência recaíam nos afamados doces de Serradelo, de fabrico familiar numa vizinha aldeia, próxima do Monte de S. Domingos da Queimada, mas há alguns anos com actividade encerrada por desinteresse de continuidade por parte dos herdeiros. Restam os doces de Entre-Os-Rios, Sardoura e Pedorido, tudo aldeias ribeirinhas do rio Douro. Também marcam presença as tendas de cestaria, frutas, com destaque para uvas e melão de “pele-de-sapo”, castanhas, das grandes, enchidos, presunto e fumeiro, artesanato e brinquedos. Também ali já é possível beber o primeiro “vinho-doce” e comer as primeiras castanhas assadas
Apesar de tudo, a tradição e a fama da romaria de Santa Eufêmia assenta na devoção à santa, com pagamento de promessas, na actuação de duas bandas de música (neste ano as bandas dos Mineiros do Pejão - Castelo de Paiva e a Marcial do Vale, de Santa Maria da Feira), e também nas afamadas barracas de comes-e-bebes, onde o enorme bife de carne de vitela da raça arouquesa é rei, mas também a vitela estufada, dobrada ou feijoada. Normalmente são seis ou sete grandes barracas e quase sempre a abarrotar de gente esfaimada. Tanto na véspera como no dia, são milhares os forasteiros que chegam do concelho, Castelo de Paiva, mas também dos municípios vizinhos como Arouca, Santa Maria da Feira, Gondomar, Penafiel e não só.
Noutros tempos, recordo-me de nas imediações do proprio arraial se efectuar a matança de gado e mesmo ali, crucificadas num pinheiro, as rezes eram esquartejadas e cortadas em grandes bifes que depois eram fritos e acompanhados com batata e cebolada bem frita. Hoje em dia já não se mata ali o gado mas mata-se a mesma fome e a qualidade da carne é a de sempre, bem como os modos de a preparar e servir. Impressiona, de facto, ver todo o movimento (durante o dia e pela noite fora) à volta das barracas improvisadas e numa luta com os enormes bifes bem regados com o grosso vinho verde da região de Paiva. Os clientes não conhecem idades nem classes sociais e misturam-se na mesma fartura os senhores doutores e engenheiros, vindos das cidades e vilas próximas (já por lá vi governadores civis, presidentes de câmaras e vereadores) com os operários e lavradores. Perante aquele quadro de abundância, seria difícil fazer alguém acreditar que, seja em que ano for, estamos numa época de crise e falta de esperança no futuro.
Vê-se também muita gente e casais de idosos, que cumprem religiosamente votos, promessas e hábitos de décadas e para eles a Santa Eufêmia é um dia tão grande e alegre como um Natal ou Páscoa. Na freguesia é ponto de reunião de famílias que improvisam mesas onde os bifes serão a premissa da amizade fraternal. Os romeiros pagam as promessas, acendem velas e participam na missa e na procissão. Pelos músicos dos Mineiros do Pejão, destacou-se uma peçada de música e os ouvintes ficam com olhos enublados pelas emoções e sons da “1812” de Tchaikovsky, que não compreendem mas sentem. De seguida, já com a alma e o coração lavados, estendem uma ampla toalha no chão, à sombra de um carvalho, oliveira ou plátano, e espalham o farto farnel caseiro, com a panela do arroz envolto em jornais passados, ainda a fumegar de quente e bom, este sim, de comer e chorar por mais. Na véspera são muitos os peregrinos que em ritmo de fé sobem as encostas do Douro e do Arda e chegam a pé, ainda por devoção e promessas, percorrendo várias dezenas de quilómetros, vindos de aldeias vizinhas ou bem mais afastadas.












01.09.25
a. almeida

Passagem e visita a Podence, aldeia de Macedo de Cavaleiros, ligada aos populares caretos. Estes bem conhecidos e que tiveram um impulso de popularidade com a classificação pela Unesco de Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, a 12 de Dezembro de 2019.
Quanto aos caretos, nada a acrescentar e resumem-se à sua notoriedade pelas festividades do Carnaval e que por essa ocasião levam milhares de visitantes a essa aldeia.
Quanto a Podence, não gostei. Melhor dito, é daquelas coisas que vistas uma vez ficam vistas para sempre. Uma aldeia muito incaracterística, uma amálgama de prédios velhos, mesmo em ruínas e as construções mais modernas numa anarquia de estilos, a denotar falta de qualquer preocupação urbanística e preservação das características do edificado antigo, em que predomina a pedra de xisto e madeira. Apenas como único ponto de interesse as pinturas que cobrem as fachadas de algumas construções ao longo da rua principal e mesmo assim com apontamentos bizarros e supérfluos como as referências descontextualizadas a Cristiano Ronaldo, o papa Francisco, António Guterres, Marcelo Rebelo de Sousa, etc. O monumento principal, a igreja matriz, estava encerrado, para "obras de santa engrácia", como informou uma velhinha da aldeia. Nem isto se aproveitou na visita.
Mesmo o museu do careto, localizado numa antiga escola primária, paredes meias com um café e restaurante, ligados à associação local, mostrou não justificar os 2 euros pagos por bilhete de entrada, com alguns apontamentos ligeiros, um vídeo a rodar sem parar e num ambiente injustificadamente escuro.
Em resumo, fora da festividade do Carnaval, e mesmo aí será confusão da brava, uma paragem em Podence justifica-se apenas para matar a curiosidade e marcar o ponto. Nada ali surpreende de originalidade ou autenticidade. Estes valores já se perderam no tempo. Agora é mediatismo e com a fama é aproveitar na cama.
Não obstante, é apenas a impressão que registei. Outros acharão interessante. Complementa-se a visita, e aí a justificar, até porque próxima, uma paragem na bonita albufeira do Azibo e nas suas excelentes praias.
De seguida alguns olhares colhidos.























29.08.25
a. almeida

Por estes dias, com a temperatura bem mais agradável, um passeio por Trás-os-Montes, por esse reino maravilhoso cantado por Torga.
A meio da manhã, uma paragem em Murça. Facilmente encontramos online informações sobre esta pequena vila, sede de um município com pouco mais que 5 mil habitantes. Fácil, também, o acesso a partir do litoral, pela A4, e localizada muito perto da mesma, mais ou menos a meio caminho entre Vila Real e Mirandela.
Como pontos de interesse, o centro da vila, onde se destaca a popular "porca", que outros até dizem ser uma ursa. A igreja matriz, de invocação de Santa Maria Maior, o pelourinho, na Praça 5 de Outubro, o edifício da Câmara e pouco mais, mas mesmo assim um conjunto interessante e harmonioso. Já por ali tinha estado há cerca de 13 anos e a porca continua a mesma. Para abastecer de coisas boas, vale a pena entrar na loja das Caves de Murça, onde não falta boa pinga, azeite e outros produtos desta bonita região. Vim abastecido para o Natal.
Também merece uma visita a bonita ponte romana sobre o rio Tinhela e o troço de calçada também romana que lhe dá acesso, a que se acede a partir da Estrada Nacional 15. Com mais tempo, é interessante o percurso pedestre que ladeia a margem do bonito e límpido curso de água, afluente do rio Tua. Não obstante, como o português comum gosta de ir de carro até à porta das coisas a ver, este belo recanto e património antigo, passa ao lado da maioria de quem, de fora, ali decide parar, porque para lá chegar é preciso caminhar um bom pedaço, ida e volta, percorrendo a milenar calçada.
Por estes dias procurarei partilhar outras impressões, outros olhares, de outros sítios visitados nesta saída por fora cá dentro. Bem sei que não é a mesma coisa que falar de Punta Cana, de outras puntas ou outras canas, mas é o que se pode arranjar.













22.08.25
a. almeida

Parque Biológico de Vinhais
20.08.25
a. almeida





Em recente saída de férias por este Portugal profundo e interior, com a pontaria de passar pelos locais mais afectados pelos incêndios, nomeadamente nas zonas de Sabugal e Fundão, pelo que sempre sem ver o azul do céu e a respirar um nevoeiro de fumo, fiz eu, e quem me acompanhava, uma paragem e visita, entre muitas, na sempre deslumbrante e granítica Sé da Guarda.
Custa comprender, porém, certas opções de quem tem responsabilidade e gere alguns dos nossos espaços e património históricos. Mesmo percebendo que a limpeza e conservação custam dinheiro, é difícil de compreender que para se entrar na Sé da Guarda seja preciso cobrar um bilhete e com um adicional se para aceder ao terraço. Disse, testando, que apenas pretendia rezar e, talvez por algum decoro, autorizaram, mas sem ordem para fotografar. Para isso, apenas pagando. Ok!
Já no interior do templo, duas máquinas para aviar medalhas personalizadas alusivas ao local. Daqui a nada terá ali uma máquina de aviar finos e sandes de bifanas. Fiquei a pensar que se Jesus cá voltasse teria de ali usar o chicote de cordas e acabar com aqueles "vendilhões no templo".
Também em Belmonte, com 40 graus de temperatura, na pequena capela de S. Tiago, novamente a bilheteira à porta. Que para se rezar poderia ser em qualquer sítio, respondeu a zelosa cobradora. Por sua vez, o castelo, mesmo que num Domingo e em dia de Feira Medieval, fechado, ou pelo menos com impedimento de acesso e visita porque em preparação um espectáculo musical que iria acontecer à noite, com acesso pago. Creio que informaram que iriam actuar os The Gift.
E vai alguém, em tempo de férias, do Algarve ou do Minho a Belmonte, ou vindo da menos distante Espanha, e fica impedido de visitar o castelo, porque sim. Para mim o prejuízo foi zero, porque já tinha visitado há uns dez anos atrás, mas fiquei aborrecido pelos casais amigos que me acompanhavem. Bonita e esquisita forma de promover a visita do nosso interior e dos seus monumentos históricos.
Tempos estranhos estes, em que já não conseguimos aceder a um espaço tão emblemático como a Sé da Guarda sem ter de pagar ou aceder ao interior escalvado de um castelo em terra de Pedro Álvares Cabral. Já nada é como dantes!
