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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

12.08.25

Os contos do José da Xã


a. almeida

Acabei de ler os dois livros que simpaticamente me ofereceu o José da Xã

Li com todo o gosto, e no geral apreciei bastante. Sendo que gostei mais de alguns contos do que de outros, o que é normal, em todos consegui captar emoções, sentimentos e mensagens.

A escrita do José é envolvente, descritiva, e coloca-nos facilmente nos diferentes ambientes,  juntos e mesmo na pele das personagens — quase como se estivéssemos a assistir in loco.

Dentro dos meus gostos pessoais, e cada leitor tem as suas manias, senti que alguns finais ficaram com algo em aberto, como se a pedirem um desfecho mais forte, mas, ainda assim, na maioria, sintomáticos e mesmo a deixarem uma introspecção, quase como a convidar o leitor a concluir de acordo com a mensagem que extraíu de cada história, pelo que cada final pode ter diferentes conclusões.

Fico agradecido ao José pela oferta e deixo o meu incentivo para que continue a escrever — porque, com essa capacidade narrativa pode facilmente entrar em algo mais ambicioso.

07.05.24

Pornografia é mel


a. almeida

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Não sabia, nem é o meu género de escrita nem de leitura, mas tendo em conta o que li por aqui num certo blog no Sapo, fico a saber, por pressuposto, que neste blog também posso escrever pornografia. E sem necessidade de referência ou recomendação prévia de escalão etário ou advertência.

Mas não! É melhor não! É um género como outro qualquer mas de facto a roda e a pólvora estão inventadas e o que não falta por aí são sítios de contos eróticos ou badalhóticos e além disso tudo é free, live and in color, sem pretenciosismos literários, sem rodeios nem perliminares.

Em todo o caso, a pornografia continua a ser pólen para as abelhas, bosta para as moscas, minhoca para as trutas. Em resumo, um chamariz, um anzol, no caso para leitores especiais. Recordo-me de aqui há uns anos, num dos meus blogs, noutra plataforma, fiz um artigo recomendável em que abordava a temática da proliferação na internet de sítios de cariz pornográfico e como exemplo deixava um link que na época era moda. Ora à custa desse link e do decorrente aumento das visitas, ganhei uns trocados pela publicidade agregada, até que o capataz da plataforma veio avisar que teria que remover o link por desrespeitar as normas de conduta. Lá removi o link e de rajada até mesmo o blog porque entretanto foi chão que deixou de dar uvas.

Como se vê, apesar da pornografia estar vulgarizada a extremos, disseminada, ao alcance de qualquer um, mesmo das crianças e sem qualquer controlo parental ou de outra natureza, continua a ser pólen a chamar abelhas ao jardim proibido, mesmo em blogs.

24.03.24

Luz e escuridão


a. almeida

Entre ramos de oliveira,
De verdes palmas juncado,
Envolto pela multidão,
Entra em Jerusalém, Jesus.

E dessa euforia primeira,
Em louvores aclamado,
Foi dado na condenação
À dor e morte na Cruz.

Que dias estes, meu Senhor,
Fundo e denso turbilhão,
Em que da luz do esplendor
Te condenaram à escuridão.

21.03.24

No Dia Mundial da Poesia - Soneto da partida


a. almeida

Olho, olho e vejo-te triste, perdida,
E cansado nos olhos de assim te ver,
Duvido da razão de tão triste ser,
Quando, ontem, diferente, eras vida!

Fico destroçado, só, enlouquecido,
Ignorante, amorfo, a tentar ler
No profundo livro do teu ser,
O princípio do caminho perdido.

Tudo na vida é dor e desgraça,
Um vento breve que por nós passa
Num aroma suave de rosas e jasmim.

No céu procuro na luz dos astros,
Na terra a verdura macia dos pastos,
A serenidade de aceitar este teu fim.

20.03.24

Desfecho


a. almeida

Chegará o tempo dos ais, lamentos,
Dores, angústias contadas a fio,
O resumo de todos os sofrimentos,
De lágrimas que somadas dão rio.

Que mais esperar desta serena
Prostração desolada numa cama,
Em que mais que lamento ou pena
Esvai-se a vida de quem se ama?

Mas cada um seguirá, só, pelo seu pé
Até ao limiar da porta de saída,
Numa aceitação natural mas de fé,
A representar o acto final da vida.

13.03.24

O que é o amor?


a. almeida

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O amor! O que é o amor?
Já o cantaram e choraram poetas,
Despiram-lhe a alma,
Vestiram-no de dramas,
Pintaram-no de risos,
Afogaram-no em lágrimas.

Declamaram que era fogo a arder sem se ver,
Ferida não sentida a doer,
E tudo e em tudo o mais,
No que se possa dizer e escrever.
Será tudo isso, o amor,
Mas mais do que isso o que for
Aquém e além dele.

Porventura, até será tudo ou nada,
Relação de ódio ou apaixonada,
Enlaces e desenlaces
Carnais, entre humanos e bestas,
Num palco universal, teatral,
Numa realidade fingida
Ou num fingimento real.

O amor pode, pois, ser tudo,
Do mais profundo sentimento
À mais serena aragem;
A carícia do vento na seara,
A fonte a matar a sede,
O grilo a cantar no prado,
Um afago macio, um encosto,
A doçura macia do mel,
Na carne o sabor do sal
Uma lágrima a rolar no rosto,
Uma mão delicada na pele
De homem, mulher ou animal.

11.03.24

Na brisa dos dias


a. almeida

brisa dos dias.jpg

Sente-se no ar a serenidade
Dos dias tristonhos,
Dos lamentos contidos,
Das angústias esmagadas,
Dos gritos sufocados.


Mas espreita a oportunidade,
De realizar os sonhos,
Com mil abraços sentidos
E nas costas palmadas,
No triunfo dos vingados.