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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

13.01.26

A música dos zelosos


a. almeida

Não há uma sem duas; e não há duas sem três. Três foram, de facto, os concertos que o músico Rui Veloso conseguiu dar no ano passado servindo-se da Banda Sinfónica da GNR, completamente gratuita. Mas se o primeiro desses concertos, realizado no dia 24 de Maio, nas escadarias da Assembleia da República, para o qual Rui Veloso cobrou ao Parlamento cerca de 140 mil euros, foi de acesso livre, já os dois concertos seguintes tiveram âmbito comercial, com bilhetes pagos, com preços entre os 25 e 75 euros: em Lisboa, no Meo Arena, no dia 28 de Novembro, e no mês passado, a 19, no Porto, no Pavilhão Rosa Mota.

Com as duas ‘borlas’ concedidas pela GNR para os dois espectáculos em Lisboa e no Porto, ‘o pai do rock’ terá poupado pelo menos 50 mil euros, considerando os preços praticados no mercado pela contratação de bandas sinfónicas profissionais. E tendo amealhado mais 140 mil euros da Assembleia da República, sem ter de pagar nada à GNR, não se pode queixar da ‘polícia’.

[fonte e resto do artigo - Página Um]

16.12.25

Entre letria e rabanadas


a. almeida

Obituário antecipado de José Jorge Letria, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores

"...Foi nesse contexto — de longevidade institucional sem equivalente em produção intelectual — que surgiu a proeza final. O senhor José Jorge Letria, ou alguém por ele (o que, tratando-se de instituições fossilizadas, vai dar ao mesmo), subscreveu uma nota de pesar pelo falecimento da Clara Pinto Correia que conseguiu a rara façanha de ser simultaneamente mesquinha, falsa, injusta, infeliz e mal escrita — aquilo a que, com rigor geométrico, se poderá chamar a ‘pentatura do círculo’ da mediocridade cultural portuguesa."

Pedro Almeida Vieira

[fonte e artigo completo]

27.11.25

No país dos unicórnios


a. almeida

"A manhã estava cinzenta e a chuva já ameaçava cair. Na outra ponta da cidade, convidados da Web Summit preparavam-se para discutir as últimas inovações tecnológicas e promover Lisboa como a capital da inteligência artificial por uns dias. Mas na zona do antigo Casal Ventoso o ambiente é outro: miséria, desolação, abandono.

O PÁGINA UM visitou o local com o psiquiatra Luís Patrício, uma “autoridade” nacional em matéria de prevenção e tratamento da toxicodependência e que foi co-fundador do centro de desintoxicação das Taipas, o primeiro do género em Portugal. O que encontrámos, ao realizar esta reportagem, foi um centro comercial de drogas a céu aberto, num ecossistema onde consumidores e traficantes convivem lado a lado com bairros residenciais e famílias no seu dia-a-dia."

[fonte e resto do artigo]

30.07.25

Imprensa de palha


a. almeida

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Nos meus tempos de criança, enchia-se um colchão com palha. À falta de outras coisas fofas, com substância, era a solução. Hoje em dia, também há palha, e muita, nomeadamente na nossa televisão, no nosso jornalismo, na nossa imprensa. Jornais para serem lidos na retrete, que não se coíbem de enfeitar o espaço nobre de um título com uma minudência social, como que um aperitivo a aguçar o "apetite" por mais palha, que virá numa página interior.

A burros dá-se palha, mas, pelos vistos, também aos leitores.

24.07.25

Imprensa de retrete


a. almeida

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Quando um jornal de referência nacional, como o Jornal de Notícias, dispensa quase uma página inteira, a cores, a uma figura das revistas cor-de-rosa, informando os leitores que tal notabilidade se encontra de férias na quentura das águas do Mediterrâneo, diz muito da qualidade do título em particular e da imprensa no geral.

Uma de tal Ana Garcia, que dizem ser uma pipoca mais doce, apreciada por uma multidão de "maria vai com as outras", deve ser assim uma espécie de figura indispensável na nossa sociedade a ponto de não poder passar em claro a "novidade" jornalística de que se encontra em Formentera, a gozar as delícias do Verão.

Que dispense o JN essa reverência e referência na versão digital, vá que não vá, mas a ocupar uma preciosa página de papel, é demasiada vulgaridade e um desperdício face a tanta coisa mais sumarenta para noticiar.

Em todo o caso, consuma quem quiser. Falo por mim, que nem gosto de pipocas, sejam elas doces ou salgadas. Noutros tempos, tal publicação sempre daria jeito na retrete. Mas hoje em dia, com papel higiénico aveludado, com ou sem folha dupla, às cores e às bolinhas, e com perfume a rosas ou a lavanda, nem para isso se encontra proveito.

Tempos moderno, estes, com uma imprensa de retrete.

12.03.25

Porque fica feio dizer "etnia"


a. almeida

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O recorte é de uma notícia do Observador, de 19 de Fevereiro passado. À falta de mais informações, e porque dizem que é feio escrever os palavrões "etnia" e "ciganos", somos levados a deduzir que se tratava apenas de um acampamento de escuteiros, de suecos ou holandeses, que descontraídos vieram em férias assistir à Feira do Cavalo. 

"De acordo com a PJ, a disputa começou com uma troca de palavras e agressões, culminando com os dois suspeitos a disparar armas de fogo na direção das vítimas, “atingindo-as e provocando-lhes ferimentos graves”.

Por outro lado, a descrição também nos remete para a etnia dos cowbois. O que faz sentido pois não há cowboys sem cavalos. 

Assim vamos indo!

10.10.24

O Ofegante não casa com a Tranquilidade


a. almeida

Quem passa por aqui já terá percebido que é pouco ou nenhum o crédito que dou aos nossos políticos. Mas isso não é problema porque nunca lhes faltará quem os defenda, venere e siga, cegamente, clubisticamente. Apesar disso, de quando em vez lá vem uma ou outra medida mais ou menos acertada e assim me pareceu, agora, com as medidas que o Governo anunciou e quer implementar no sector da Comunicação Social. Escusado será aqui esmiuçá-las porque já o foram suficientemente por estes dias.

Ora como se esperava, eu pelo menos, o sector ficou todo incomodado e logo em seu apoio vieram as milícias habituais, incluindo os partidos cujos representantes no nosso parlamento cabem todos dentro de um Austin Mini. É o costume, dali não vem nada de novo e basta o Governo dizer seja o que for que daquelas bandas o entendimento será sempre em sentido oposto. O contrário é que seria surpreendente.

Mas se esta comichão que se fez sentir é normal nos tais sectores donos da verdade e guardiões da democracia, mestres sábios e com certezas absolutas no que é melhor para o país e para os  portugueses, incluindo os imigrantes, também não surpreende a reacção de muita da comunicação social, suas figuras e agentes. Efectivamente este sector não gosta que o abanem e sobretudo que lhes destape a careca. Ora podia lá ser, esta gente andar a ser comandada ao som de assobios e ordens superiores transmitidas por auriculares ou por whatsapp? Não! Nunca! Quando muito, o que pode e deve vir do Governo é apoios, dinheiro, quanto mais melhor. Aí, sim, saberão ser fiéis e reconhecedores da voz do dono.

Afinal de contas, esta coisa da ética e outras que tais, com que dizem que se devem reger os jornalistas e seus órgãos de comunicação, é conversa para adormecer macacos. Como lavar a cabeça a burros, é perda de tempo e gasto em sabão.

Assim sendo, lá vamos tendo um jornalismo e uma comunicação ofegante. Recomendações de tranquilidade não caem bem, porque não é com essas linhas com que se cozem os títulos e as notícias espampanantes. Pois não! Além do mais como é que os jornalistas e seus repórteres poderiam correr atrás das pessoas, das notícias, das intervenções, dos directos, de microfone na mão e câmaras aos ombros sem ficarem ofegantes? É que nem mesmo o melhor atleta de maratona!

Quanto à publicidade ou falta dela na RTP,  voltamos daqui a...15 minutos!