Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

16.10.25

Uma observação com ervilhas e alecrim


a. almeida

freguesias observador.jpg

Atentos à lista de freguesias do concelho de Santa Maria da Feira, inclusa nesta página da versão online do Observador,  só pode ser brincadeira que uma das freguesias, que pela ordem alfabética será Guisande, apareça como "Ervilhas".
Do mesmo modo, a freguesia que será Romariz, está indicada como "Alecrim".

Pessoalmente gosto de ervilhas, em arroz ou em guisado, com frango ou ou vitela, e alecrim também gosto e tenho pelo quintal, que uso tanto como tempero como para chã.

Mas, convenhamos, fica mal, muito mal, ao Observador, esta ligeireza. É o que dá recorrer a IA sem verificação. Mas podia ser pior, se confundindo Lisboa com coentros ou Porto com rabanetes. 

30.07.25

Imprensa de palha


a. almeida

jornalismo de palha.jpg

Nos meus tempos de criança, enchia-se um colchão com palha. À falta de outras coisas fofas, com substância, era a solução. Hoje em dia, também há palha, e muita, nomeadamente na nossa televisão, no nosso jornalismo, na nossa imprensa. Jornais para serem lidos na retrete, que não se coíbem de enfeitar o espaço nobre de um título com uma minudência social, como que um aperitivo a aguçar o "apetite" por mais palha, que virá numa página interior.

A burros dá-se palha, mas, pelos vistos, também aos leitores.

24.07.25

Imprensa de retrete


a. almeida

pipoca.jpg

Quando um jornal de referência nacional, como o Jornal de Notícias, dispensa quase uma página inteira, a cores, a uma figura das revistas cor-de-rosa, informando os leitores que tal notabilidade se encontra de férias na quentura das águas do Mediterrâneo, diz muito da qualidade do título em particular e da imprensa no geral.

Uma de tal Ana Garcia, que dizem ser uma pipoca mais doce, apreciada por uma multidão de "maria vai com as outras", deve ser assim uma espécie de figura indispensável na nossa sociedade a ponto de não poder passar em claro a "novidade" jornalística de que se encontra em Formentera, a gozar as delícias do Verão.

Que dispense o JN essa reverência e referência na versão digital, vá que não vá, mas a ocupar uma preciosa página de papel, é demasiada vulgaridade e um desperdício face a tanta coisa mais sumarenta para noticiar.

Em todo o caso, consuma quem quiser. Falo por mim, que nem gosto de pipocas, sejam elas doces ou salgadas. Noutros tempos, tal publicação sempre daria jeito na retrete. Mas hoje em dia, com papel higiénico aveludado, com ou sem folha dupla, às cores e às bolinhas, e com perfume a rosas ou a lavanda, nem para isso se encontra proveito.

Tempos moderno, estes, com uma imprensa de retrete.

30.05.25

Nem-nem? Antes, não-não


a. almeida

jovens desempregados.jpg

No JN, de Quarta-Feira, 28 de Maio de 2025: "Há 140 mil jovens portugueses que não trabalham nem estudam".

Considera-se a faixa entre os 15 e 29 anos. Dizem que são os "nem-nem". Chamar-lhes-ía, antes, os "não-não" porque não querem estudar e não querem trabalhar.

Em resumo, sem paninhos quentes, um país de malandros. Não venham com a treta de problemas estruturais e falta de mercado de trabalho, porque então não se justifica a ideia comumente aceite de que precisamos de imigrantes. A velha desculpa de que o país está envelhecido e que com isso a sustentabilidade da Segurança Social está por um fio, tem assim muito que se lhe diga.

Bem sei que não falta quem encontre razões e justificações, sociais, culturais e políticas, para este "dolce far niente", mas no geral é porque a malandrice neste país ainda compensa ou tem quem a alimente. Os pais, concerteza, mesmo que tantas vezes sem possibilidades, mas também o Estado que vai permitindo estas coisas, estes paradoxos, sem políticas à altura, nomeadamente de obrigações ou outras que não incentivem à subsidiodependência. 

Não quero ser moralista nem julgar tudo pelo mesmo filtro, mas creio que o facto de ter começado a trabalhar a um mês de completar 12 anos, me dá um bocadinho de perspectiva. Gandulões de 15 anos, que não estudam, não trabalham nem frequentam formação, terão concerteza bom corpo para trabalhar, mesmo que a apanhar mirtilos e morangos. Eu tive, e mesmo a trabalhar, estudando. Cumpri serviço militar obrigatório, comprei terreno, construí casa, formei família e dei formação aos filhos. Não foi muito, o que espera, mas sempre sem a ajuda dos pais, porque desde que a trabalhar, a contribuir para o sustento da casa e dos mais novos. Outros tempos e, sabem os mais velhos, bem mais difíceis!

Não obstante os números da notícia do JN, até dizem os dados que Portugal apresente nesta triste situação uma média inferior à da União Europeia, o que também é de pasmar, e aqui novamente a questão da necessidade de mão-de-obra de imigrantes.

Dá que pensar, ou talvez não!

28.05.25

Revanchismo discursivo? É dar-nos música!


a. almeida

Do JN, de ontem:

"Há um revanchismo discursivo em relação à Esquerda que ganhou volume com os resultados eleitorais. A Direita sente que está com as costas quentes e que pode achincalhar os perdedores. Não falta quem venha reforçar o mito propagado pela extrema-direita de que temos vivido numa espécie de regime socialista nos últimos cinquenta anos e é hora de celebrar a libertação. Como se o PS tivesse governado até à semana passada e como se essa governação fosse realmente socialista. Esse discurso delirante vem acompanhado da vontade de mudar a Constituição e de eliminar o preâmbulo que lhes “legitima” o delírio.".

Apresenta-se como música e escreve no JN. Confesso, todavia, que não conheço uma única música das suas e por conseguinte é-me para o caso tão relevante como uma qualquer música anónima que escreve para o jornal da freguesia. Falha minha, admito! Sou mais dos Pink Floyd!

Não tenho eu o ensejo de ser pago para escrever, pelo que escrevo por aqui, de borla. E hoje escrevo apenas para dizer que acho graça ao que escreveu a Capicua. Dava uma boa músíca se com um ritmo revolucionário.

Então a Capicua entende que há um "revanchismo discursivo em relação à Esquerda"? E que a Direita "achincalha os perdedores"?

Mas, então, não foi sempre isso que fez a Esquerda em relação à Direita? Não foi a "geringonça" um hino a esse achincalhamento, fazendo dos perdedores vencedores e do PS, derrotado por Passos Coelho, fazendo emergir das brumas da maioria parlamentar um Primeiro MInistro? E lembra-se, a Capicua, das "costas quentes" do António Costa a debitar pérolas como o "habituem-se!"?

Quanto ao "...Como se o PS tivesse governado até à semana passada e como se essa governação fosse realmente socialista": Ó Capicua, de facto não foram 50 anos de governação socialista, mas convenhamos que foram muitos. Basta dizer que nas duas últimas décadas o PS governou 15 anos. Se quisermos recuar, nos úlitmos 30 anos foram 22 de socialismo. É uma boa relação, não é? Se fosse uma proporção de whisky com coca-cola, já dava uma valente moca. 

Convenhamos que, com tantos anos de governação, é difícil aos nossos socialistas argumentarem que não têm responsabilidades no que de mal se fez e sobretudo do que não foi feito. Tem sido, pois, mais que suficiente para justificar o que até aqui falhou, mesmo considerando que pelo meio alguém teve o penoso trabalho de remendar o barco que, à derivam pelo timoneiro Sócartes, naufragava,  já com a água a chegar ao pescoço do país.

Por conseguinte, não sei o que vale a Capicua, admito que até com qualidade, mas mesmo que fraquinha será melhor música que opinadora, sobretudo a defender a sua Esquerda. Não com este refrão, com esta argumentação.