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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

24.02.25

Apenas pelo ordenado mínimo?


a. almeida

Presumo que o cargo de presidente da Federação Portuguesa de Futebol venha acompanhado apenas do ordenado mínimo, porque, para esta boa gente do dirigismo, o leitmotiv da coisa é unicamente o serviço público, num altruísmo digno de nota. Surpreende, portanto, que, com tanto sacrifício, fiquem agarrados ao cargo até que os estatutos lhes impeçam qualquer recandidatura.

E gostam tanto de estar ao leme do dirigismo, com este espírito tão desprendido, que, mal deixam um poleiro, já saltam para outro. Veja-se o caso do Sr. Fernando Gomes, que, com imensa tristeza, abandona a presidência da FPF — o morto ainda está quente, e já se prepara para ocupar o nobre cargo de presidente do Comité Olímpico Português.

Enquanto isso, aqui na aldeia, o nosso Centro Social é gerido por uma Comissão Administrativa, sem direcção, porque ninguém quer assumir responsabilidades. Não souberam disto o Fernando Gomes nem o Pedro Proença, caso contrário, certamente se apresentariam às eleições, tal é o seu inabalável espírito de voluntariado e entrega ao serviço público.

Realmente, há coisas. Ou são mesmo uns tipos porreiros e desprendidos, ou então… não estou mesmo a ver o que os move. Haverá mais alguma coisita?

06.07.24

O balão desceu


a. almeida

O Balão esvaziou e já desceu. Ficaram vazias as praças. Os adoradores dos novos deuses desconvocaram  a mitigar máguas. Desta vez não houve anjos voadores e cada tiro cada melro. Mas houve choros. Foi uma selecção de chorões e deste vez não se fez juz ao aforismo de que "quem não chora, não mama".

O futebol é assim desde que o conhecemos, tanto no tempo em que os príncipes ganhavam trocos como agora em que nadam em milhões: imprevisível, sem sentido de justiça, e nem sempre quem joga mais vence. É tão velha a coisa que já a devíamos saber de cor e salteado e estar prevenidos para incertezas baixas e expectativas altas.

Já não há espera no aeroporto porque alguns dos deuses já deram de frosques e estão a caminho dos paraísos, de férias.

Para trás fica o bode expiatório, porque sempre os houve. E a sua cara de puto, rapaz simples, encaixa bem no perfil de procurado. Afinal entre o bater a bola no poste e entrar dentro, rasulta de uma ténue linha, a que separa os epítetos de besta  e bestial. Mas será sempre mais fácil bater num miúdo do que em vacas sagradas. Estas protegem-se e veneram-se até que caiam de velhas.

Dizem que foi um jogo dividido, oportunidades para ambos os lados e que o prolongamento foi todo dos nossos. Pois foi, mas os outros encaixaram os cinco, sem espinhas, no sítio certo, com conta, peso e medida, e desta vez não houve heróis voadores, nem anjos da guarda. Os louvores e empolamento do valor de mercado, a preço de ouro, devem ter-lhe pesado.

Como se costuma dizer, "para o ano há mais" e Segunda-Feira é dia de trabalho porque nem todos somos heróis da bola.

17.06.24

Bolas, piões e berlindes


a. almeida

O menino grandalhão que na escola é o terror dos colegas, dos mais pequenos, mestre na arte das coças e destratos, a que modernamente se diz ser bullying, encontra em Putin e na Rússia se não um bom exemplo, seguramente uma excelente analogia.

Ora o menino mauzão, chamado à atenção pelo conselho directivo, diz que até aceita ser amigo do Zézinho mas com a condição de ficar-lhe com a bola, o pião, os berlindes e ainda com o seu cacifo.

É assim que se posiciona Putin e a Rússia, impondo para tréguas que a Ucrânia dê como perdida uma grande fatia do bolo territorial, incluindo o que ainda não conseguiu ocupar, e que o vizinho invadido declare  oficialmente que prescinde de se juntar a más companhias.

Quem é que pode aceitar condições destas por parte de um invasor? Bem sabemos que a força e o poder acabam, mais cedo ou mais tarde por se imporem perante os menos poderosos, mas até que ponto um país, uma nação, um povo, e mesmo um velho continente aceita submeter-se a tal condição?
Não sei nem sabemos como é que tudo isto vai acabar, ou pelo menos abrandar, mas os sinais que vão sendo dados é que a coisa é para continuar e extremar.

Apesar de tudo, desta desfaçatez, ao arrepio de toda a moral e direito internacional, ainda há pelo mundo, e mesmo cá pelo nosso quintal, gente a pôr-se ao lado do menino grandão e a considerar que o problema é do pequenito que andava a exibir bolas e dos amigos que lhe vão fornecendo piões e berlindes, como quem diz, a pedi-las.

Por cá vão tendo, é certo, menos base de apoio, mesmo eleitoral, mas apesar disso e enquanto não desaparecem do mapa, vão tendo palco e voz. Demasido grande e excessivamente amplificada que impossível torna-se, com toda a sua desfaçatez,  não vê-los nem ouvi-los.