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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

05.01.26

Caír de Maduro


a. almeida

Concerteza que a recente acção dos Estados Unidos na Venezuela, que levou à detenção do ditador Nicolás Maduro, é um desrespeito pelo Direito Internacional e abre graves precedentes. Ponto!

Todavia, de outro modo, não estou a ver como é que aquele povo, na sua maioria, conseguiria de forma natural e pacífica assegurar um regime democrático e libertar-se das garras de um regime ditatorial, corrupto e narco-traficante. Por vezes, temos de aceitar que é necessário escrever-se direito por linhas tortas.

Não sei, nem os especialistas, onde é que esta situação vai parar e se mesmo assim alguma coisa vai mudar no regime da Venezuela. Creio que não, porque o polvo tem os seus tentáculos bem espalhados. Mais verdes ou maduros, sempre haverá gente diposta a sacrificar um povo.

De tudo isto, foi surpreendente como o fanfarrão do Nicolás Maduro foi apanhado na sua própria casa, como que assaltado por um qualquer ladrãozeco de bairro. Simultaneamente triste, humorístico e dramático.

Das reacções, o costume: A hipocrisia e a cara de lata de muitos, desde logo da Rússia, a reclamar o respeito pelo Direito Internacional, como o que fez  e continua a fazer na Uncrânia seja exemplo desse respeito. Mesmo a China, moralista, há muito a preparar o mesmo para açambarcar Taiwan, no que será uma mera questão de tempo e oportunidade.

Face a isto, as coisas continuam a ir por um caminho perigoso e nunca a situação internacional esteve tão incerta e perigosa. Para já, aos peões, como eu e quase todos, apenas resta assistir.

15.12.25

Papel higiénico e lodo


a. almeida

O acto terrorista ocorrido na Austrália é, em grande medida, consequência da vaga de anti-semitismo que alastra um pouco por todo o mundo, em particular na Europa e até em Portugal. Quando se chega ao ponto de um evento musical com a projecção do Festival da Eurovisão servir de palco e de catalisador de ódio contra Israel e contra os judeus, percebe-se que estão lançadas as sementes para que a violência, incluindo na forma de terrorismo, encontre terreno fértil para germinar e produzir efeitos.

É certo que o Festival da Eurovisão, há muitos anos, se encontra descaracterizado, mal frequentado, reduzido a um produto de consumo acrítico e descartável. Não surpreende, por isso, que alguns dos seus concorrentes se revelem imbuídos de anti-semitismo ao ponto de boicotarem a presença de quem não tem qualquer responsabilidade pelas orientações do seu Estado. Ainda assim, tal ajuda a expor a consistência do lodo ideológico em que determinados facciosismos se movimentam.

16.09.25

Genocídio! E daí?


a. almeida

Da imprensa: - "Investigação encomendada pela ONU conclui pela primeira vez que Israel cometeu genocídio em Gaza".

Sem ser especialista, do que vou vendo e lendo, também concordo. Mas, como tudo o que sai da ONU, que consequências? Nenhumas, porque a ONU não passa de um pingarelho sem qualquer eficácia prática nas suas resoluções, sendo dominado pelos humores e interesses de meia dúzia de países e potências.

Não obstante, mesmo que já sem qualquer justificação racional e minimamente compreensível, os assassinos do Hamas continuam a ajudar no pretexto para toda a imoralidade, mantendo em seu poder os reféns ou o que resta deles.

29.10.24

Nem o diabo quererá escolher


a. almeida

Os Estados Unidos estão em eleições. Os americanos, seja lá o que isso for, daquela amálgama de raças, origens e culturas, pela 60.ª vez preparam-se para ir a votos e agora escolher entre Donald Trump e Kamala Harris, esta que entrou no comboio desgovernado e em andamento . Não estou sozinho no grupo que considera que a escolha é difícil, pela simples razão de que são ambos fraquinhos, ambos a roçarem os extremos.

Com esta dupla creio que até ao diabo será difícil escolher. Sem desprimor nem desrespeito, um qualquer Tiririca, um Coelho madeirense ou um Tino de Rans seria uma melhor opção para o american people. Mas como não, nem por lá saberão que existem, terão mesmo que escolher, como há dias respondia uma cidadã local à televisão, o menos mau, o mal menor. Ora isso não cheira nada bem, mas quando não há cão caça-se com crocodilo.

Não sou de apostas, mas estou tentado a apostar que vai ganhar quem tiver menos votos. Parece que por lá é possível.

30.07.24

A próxima já está igualmente ganha


a. almeida

Já se sabia no que ía dar o resultado das eleições presidenciais na Venezuela. 2+2 continuam a ser 4. Pouco importa esgrimir aqui o óbvio. Num regime como o do Nicolas Maduro, nunca há surpresas. Tudo decorre conforme previsto.

Entretanto, vários países já felicitaram Maduro pela vitória, com destaque para a Rússia, Cuba, China e Irão, exemplos cimeiros da "democracia" e transparência. Um bom naipe. Não confirmei se também a Coreia do Norte, outro modelo de liberdade, mas é de supor que sim. Por cá, o PCP, que, mesmo a caminho da extinção não deixa os créditos por mãos alheias, saudou a eleição do vencedor antecipado, do "conjunto das forças progressistas, democráticas e patriotas venezuelanas" e condenou a reação do Governo português que com outros países, demonstraram grande preocupação com a transparência das eleições na Venezuela.

Que mais não fosse, bastaria este conjunto de países e o PCP a assinar por cima para garantir que por ali tudo continua como deve continuar e à altura de ambos os regimes. Tudo o resto, o que pudesse conduzir a um processo de facto transparente e escrutinado é coisa que não vai à mesa do rei, do ditador.

Siga! A próxima, queira ele, já está igualmente ganha.

27.03.24

Fuga para a frente


a. almeida

Sobre o recente, terrível e trágico atentado terrorista em Moscovo, já todos percebemos que o regime de Putin e ele próprio pretendem obter o máximo de sumo no assacar de todas as responsabilidades à Ucrânia, dê para onde der. Não há volta a dar e com ou sem evidências, a favor ou ao contrário, toda a narrativa e acções consequentes estão e continuarão nesse sentido.

Neste contexto, não se espere no Kremlin assomos de coerência. Para Putin e seus correligionários, uma pedra será um pau se nisso houver interesse. É bater na madeira, mas se por estes dias houver um terramoto mortal na Rússia, ou qualquer outra tragédia em que as forças da natureza se mostrem, incluindo a queda de um asteróide, Putin  e os seus apontarão os dedos e os mísseis a Kiev, como responsável.

A guerra é suja em todos os seus aspectos e a História ensinou-nos que dela e dos seus mentores não se podem esperar comportamentos compagináveis com a realidade e com os valores que ainda classificam o homem como um ser racional. Face a isto, tudo é possível porque no desespero de um animal tresloucado ou ferido, a fuga é sempre para a frente.