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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

16.11.25

A sério? Sempre o futebol?


a. almeida

Você percebe que está em Portugal e não no Bangladesh, quando o telejornal do principal canal da televisão pública abre com o assunto de um jogo da bola, em que a selecção nacional, seja lá o que isso signifique, vai defrontar uma equipa tendencialmente de  toscos, uma tal de Arménia. Parece que, dizem , o jogo é decisivo. Não sei para quem é decisivo. Nestas coisas da bola há muito que aprendi dar-lhe a devida e relativa importância: pouca ou nenhuma. Se perder e ficar de fora do mundial, o que é altamente improvável, ninguém vai acordar com as ruas e casas inundadas, árvores caídas, derrocadas, automóveis destruídos ou as urgências médicas fechadas.

Assuntos importantes e sérios neste país é secundário.  Sempre o futebol!

14.11.25

Sempre a somar


a. almeida

Por coisas cá minhas, fiquei satisfeito com a vitória da Irlanda sobre Portugal. Num instante vi-me num pub irlandês, de Guiness na mão, a torcer pelos rapazes de verde.

Num grupo de "favas contadas", a sobranceria nunca foi boa conselheira. E se a senti em diferentes tempos na selecção, também muito na comunicação social. Ainda ontem falava-se que o jogo poderia servir para Ronaldo elevar-se mais um pouco no seu estatuto, no que poderia contribuir para conseguir o golo mil, quiçá mudar de ideias e ainda ter como objectivo participar nos próximos três mundiais. Todavia, o máximo que conseguiu no jogo foi uma expulsão por agressão maldosa, que dizem ter sido a primeira ao serviço da selecção. Sempre a somar recordes.

Apesar de tudo, será preciso que a selecção vá a jogo com 5 coxos e 6 cegos para que  não carimbe a vitória e o apuramento no próximo jogo, mesmo que, cuidado, com a potência futebolística que é a Arménia.

Isto de gozar com quem trabalha...

08.10.25

Portugal Football Globes, no país dos parolos


a. almeida

Da imprensa: "Realizou-se, na noite de terça-feira, a primeira gala do Portugal Football Globes, evento organizado pela Federação Portuguesa de Futebol que contou com a presença de as mais altas figuras do futebol nacional, bem como do futebol de praia e do futsal."

Não, não foi na Inglaterra, Estados Unidos, Austrália ou Nova Zelândia. Foi mesmo em Portugal, com e para portugueses. Logo esta designação de "Portugal Football Globes", e com outros inglesismos à mistura, é de um parolismo e provincianismo no pior sentido. Que os imigrantes sejam cada vez mais e de forma descontrolada, e ainda agora uma leva deles que por cá haviam entrado por mar ao arrepio da legalidade, já estão soltos, e andam por aí a fazerem o que bem lhes apetece, suportados pela Segurança Social, já se sabia, mas que isto já seja uma república das bananas com o inglês como língua oficial, ainda faltam uns passos. Não muitos, mas faltam!

Mas é isto que temos, mesmo que choque este parolismo, esta desconsideração à língua de Camões, de Pessoa e Saramago. 

05.09.25

Os eufemismos e a merdice da semântica


a. almeida

Longe vão os tempos em que o monumental era, de facto, monumental: pedras sobre pedras, talhadas com arte e erguidas à custa de engenho e obstinação, sem ferramentas ou máquinas prodigiosas nem milagres tecnológicos.
Pontes que domavam rios, aquedutos que matavam sedes, muralhas que seguravam impérios, torres que roçavam os céus, castelos que impunham respeito, capelas e catedrais repletas de espiritualidade que elevavam as almas ao céu. Obras milenares ou centenárias, intemporais.

Mas os séculos avançaram e da idade das trevas vivemos agora nos tempos modernos, da luz e da tecnologia. Hoje, bastam vinte e dois homens a perseguir e a pontapear uma bola durante noventa minutos para que o vocabulário se encha de “monumentos”. De súbito, uma defesa do guarda-redes é monumental, um golo é monumentalíssimo, um passe ganha foros de obra-prima, uma finta transforma-se em prodígio sobrenatural e uma jogada rendilhada vira tratado de arquitectura, de técnica e tática. Os iluminados da televisão e da imprensa juram que é tudo grandeza, tudo arte maior, tudo imortal. Os adeptos inebriam-se e concordam.

Vivemos, assim, numa sociedade povoada de Midas: basta o toque, e até a mais simples bosta se converte em ouro de lei ou em diamante de muitos quilates.
Estranhos tempos, estes, em que já nem distinguimos o que é monumento ou monumental, pedra preciosa do que é bugiganga de feira. E o mais curioso — ou trágico — é que engolimos todas essas “monumentalidades” com a mesma reverência de outrora. Talvez por isso paguemos a esses operários de chuteira salários faraónicos, com milhões e milhões e corramos semana após semana, de carteira aberta, todos entusiasmados e contentinhos, a pagar ao clube de culto o nosso dízimo.

09.04.25

A cabazada certa


a. almeida

Isto não se faz aos nossos mais velhos. A RTP decidiu não transmitir aquela espécie de concurso, "O Preço Certo", e em vez desse tão caro entretenimento para os reformados, e certamente caro para os contribuintes, transmitiu o Espanha-Portugal, em futebol feminino.

Cada um é para o que nasce e, sendo que as mulheres são tão fantásticas em tantas coisas, inclusive no desporto, e em tantas coisas melhores e mais capazes que os homens, não o são seguramente no futebol. Pelo menos é a minha opinião. Assistir a futebol feminino é mesmo ver um jogo entre meninas,  como assistir a uma prova de Fórmula 1 com a velocidade máxima nos 80 km/hora ou como as crianças a andarem de bicicleta com rodinhas atrás. Mas é só a minha opinião e admito que não é politicamente correcta! 

Mas dizia, em vez de "O Preço Certo", tivemos assim 90 e poucos minutos de uma cabazada certa e creio que se as nossas hermanas carregassem um pouco mais no acelerador, o número de golos poderia ser confundido com um jogo de andebol.

Foi mau demais, com as "navegadoras" desnorteadas, à deriva, mas os especialistas dizem que "foi mais um degrau no crescimento". A malta do futebol não se cansa com os lugares comuns nem abre mão dos eufemismos. Para mim, sem paninhos quentes, foi apenas uma banhada, um cabazada, uma copiosa derrota. 

Há dias assim, um misto de realidade, uma dança dos caprichos da sorte e azar, mas também de muita incapacidade a até azelhice.

Descer com os pés à terra, isso sim, é crescer!

24.02.25

Apenas pelo ordenado mínimo?


a. almeida

Presumo que o cargo de presidente da Federação Portuguesa de Futebol venha acompanhado apenas do ordenado mínimo, porque, para esta boa gente do dirigismo, o leitmotiv da coisa é unicamente o serviço público, num altruísmo digno de nota. Surpreende, portanto, que, com tanto sacrifício, fiquem agarrados ao cargo até que os estatutos lhes impeçam qualquer recandidatura.

E gostam tanto de estar ao leme do dirigismo, com este espírito tão desprendido, que, mal deixam um poleiro, já saltam para outro. Veja-se o caso do Sr. Fernando Gomes, que, com imensa tristeza, abandona a presidência da FPF — o morto ainda está quente, e já se prepara para ocupar o nobre cargo de presidente do Comité Olímpico Português.

Enquanto isso, aqui na aldeia, o nosso Centro Social é gerido por uma Comissão Administrativa, sem direcção, porque ninguém quer assumir responsabilidades. Não souberam disto o Fernando Gomes nem o Pedro Proença, caso contrário, certamente se apresentariam às eleições, tal é o seu inabalável espírito de voluntariado e entrega ao serviço público.

Realmente, há coisas. Ou são mesmo uns tipos porreiros e desprendidos, ou então… não estou mesmo a ver o que os move. Haverá mais alguma coisita?

17.02.25

Colhemos o que semeamos


a. almeida

Pinto da Costa, partiu. Vai hoje a sepultar.
Como homem, deixo as condolências à família, aos sócios e adeptos e sincero desejo que descanse em paz.

Quanto ao papel que teve enquanto dirigente desportivo e do futebol, num âmbito clubista, é exaltado pelo universo do clube, sócios e adeptos, o que é normal e natural, porque no geral estes julgam os êxitos, mas não querem saber patavina da natureza dos meios utilizados para os conseguir.

Para quem está de fora desse universo, como eu, nada me diz de modo particular,  sendo que partiu uma figura que de um modo ou outro esteve ligado a um sistema obscuro, que claramente deturpou durante décadas a verdade desportiva, sendo uma figura maior mas não a única, até porque há destes tristes exemplos no meu próprio clube e noutros. Que foi uma figura marcante, polémica e controversa, amada e odiada, concordo.

Quanto ao resto, o habitual, com a comunicação social a dar um destaque exacerbado e dar importância à dúvida se o Benfica ou Sporting deram ou não os sentimentos, se vão, ou não, marcar presença institucional nas cermónias fúnebres. E porque terão que o fazer se no geral sempre foram desrespeitados, desconsiderados ou alvos de duras e ferozes críticas por tal figura? E porquê o Benfica ou Sporting, se, entre outros correligionáros, até o próprio e actual presidente do clube, que o derrotou nas urnas, foi sentenciado, nas suas últimas vontades, a não estar presente? Ora quem mesmo na morte deixa expressos de forma tão vincada estes ressentimentos, mesmo para com os seus, não vejo porque seja merecedor de apreços terceiros, mesmo que friamente institucionais.

É o que é! Colhemos sempre o que semeamos, mesmo nos últimos instantes da vida. Não podemos esperar colher flores onde plantamos espinhos.

Que descanse em paz!