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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

26.01.26

Exageradamente exagerado - Hoje como em 1986


a. almeida

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Anda tudo extremado! Não é novidade! Também a eleição presidencial, agora resumida a dois candidatos, parece-me que está bem no meio desse caminho, muito por responsabilidade da comunicação social que já não conhece a ética, deontologia e isenção, valores do verdadeiro jornalismo. Mas este há muito que está defunto. O que faz já é à descarada, sem pingo de vergonha.o Público, entre todos, é um exímio exemplo de campo inclinado.

Também eu me considero moderado, e a votar no próximo dia 8 de Fevereiro procurarei ter isso em conta, mesmo que as opções sejam medíocres. Não obstante, colocar-se a questão como de uma luta ou batalha em que está em causa a democracia, só porque com duas personalidades com diferentes pontos de vista e posicionamentos, é exageradamente exagerado e um atestado de menoridade aos portugueses no geral. Desde logo porque estamos nela, na democracia, e a eleição será democrática e os eleitores é que decidirão. Ou não queremos que sejam os eleitores a decidir?. Afinal a democracia não é isso? Respeitar a decisão da maioria do povo, mesmo que contrária às nossas posições e a favor de candidatos ou partidos com quem não alinhamos? Ou somos ou não somos!

No fundo, o discurso que agora faz a comunicação social canhota e o próprio Seguro, é o agitar da bandeira de 1986 pelo trapaceiro do Soares e inimigo mais amigo Cunhal. Então Freitas era o diabo a abater, e tanto era diabo e fascista que anos mais tarde até fez parte do governo socialista. A política rasca e os velhos métodos não se esquecem, mas reinventam-se a servem-se quando dá jeito, mesmo que 40 anos depois.

Face ao leque de opções, posso escolher Seguro, sem taticismos porque não sou figura pública, mas preferia que a sua vitória assentasse apenas nas virtudes que possa ter e não por medo de diabos que, por mais feios que se pintem, não vejo de todo.

Escolham, pois, o Seguro, mas deixem-se de merdas! 

20.01.26

O Carneiro a ser carneiro e contorcionistas


a. almeida

Que bonito e caricato é ver agora as figuras socialistas, as mesmas que tanto depreciaram e desconsideraram António José Seguro enquanto proto-candidato e candidato, a "engolirem sapos" e a contorcerem a espinha. Reclamam agora um estatuto de "amigos de infância", desde a escola primária, acotovelando-se para ficar ao lado daquele que, se depender de mim, será o próximo Presidente da República.

Esta gente não tem vergonha nem espinha dorsal. Pensam que as pessoas — a começar pelo próprio Seguro, o "Tozero", não têm memória. Mas têm! Veja-se o exemplo recente de Marta Temido: deve estar com dores de tanto torcer a espinha, dada a contradição absoluta entre a opinião que tinha e a que agora demonstra pelo "quase" Senhor Presidente.

Por outro lado, José Luís Carneiro, agindo como se fosse o obreiro da vitória de Seguro (que apenas apoiou por obrigação), vem exigir ao Primeiro-Ministro que se coloque ao lado do candidato. Mas por que carga de água? O Primeiro-Ministro já deixou claro que nenhum dos candidatos na segunda volta representa o seu espaço político; logo, não tem de se pronunciar, muito menos declarar apoio.

Além disso, há um detalhe que faz toda a diferença: ele é Primeiro-Ministro e tem de governar. Sem maioria parlamentar, num esforço constante de entendimento à esquerda e à direita, em nada o ajudaria posicionar-se agora. Quem não compreende isto? Talvez um "bronco", mas Carneiro?

Enfim, se este cenário arrelia até o mais santo, a verdade é que não surpreende. Afinal, é com esta massa que se coze a nossa política e as suas figurinhas.

19.01.26

Seguro, seguramente.


a. almeida

Tal como escrevi por aqui no passado dia 15, os resultados das eleições de ontem vieram confirmar a insignificância dos partidos canhotos. Durante todo este tempo de campanha falaram afanosamente do povo, dos trabalhadores, da classe operária, da defesa da democracia e da constituição. Apregoaram-se como os donos morais destes valores. Mas estão desfasados, porque, na hora de fazer as escolhas, o povo remete-os à insignificância eleitoral e política. Até mesmo o imberve Jorge Pinto, que surgiu na disputa como uma espécie de Cristiano Ronaldo dos candidatos, ficou abaixo do bobo da corte. Ou seja, falar a sério ou a apalhaçar teve o mesmo valor. Na realidade até mesmo, pois gozar com a coisa até deu mais votos. Sintomático!

Em resumo, tal como era mais que previsível, os candidatos canhotos todos juntos valeram 4,38%. Ridículo, mas no rescaldo da derrota, continuam a dizer que vão andar por aí, como se continuem a falar em nome dos pseudo-3 milhões que dizem ter agregado na Greve Geral. Tretas! Tretas! Tretas!

Quanto ao resto, votei Cotrim, em nome da defesa aos ataques sem precedentes de que foi alvo, sobretudo pela nossa canhota comunicação social. Na eleição próxima, que definirá a figura que habitará o palácio de Belém, votarei convictamente em António José Seguro, muito pelo que escrevi em 7 de Março do ano transacto, mas por mais.

O vencedor desta primeira volta, pode não ser deslumbrante, nem político manhoso e interesseiro, e por isso tão desconsiderado por figuras gradas do seu partido, que agora, engolindo sapos e rãs, saem da toca com as mãozinhas quentes para as habituais palmadinhas nas costas e afagos pelo pêlo. Deste vez não foi por poucoxinho. Já agora, estou a aguardar pelas consideração do autor do golpe palaciano, o Sr. Costa.  Como todos os demais, vai ter de engolir e debitar coisas simpáticas. A melhor vingança (não que veja Seguro como vingativo e rancoroso) serve-se fria. Em todo o caso, não deve esquecer.

No resto, não acredito que a próxima eleição seja entre a esquerda e a direita. Se fosse, André Ventura já estava eleito. Mas não, parece-me, será sobretudo entre o radicalismo e a moderação e bom senso. É certo que considero que as coisas já lá não vão com paninhos quentes,  com mais do mesmo, mas seguramente, neste quadro de opções, não será com Ventura, mas seguramente com Seguro mesmo que deste não se esperem arrojos.

Fora do que foi a eleição, o habitual, com uns a transformarem isto em eleições legislativas, recados, cartões amarelos e vermelhos, derrotas em vitórias, blá, blá, blá.

A novela segue dentro de momentos!

06.11.25

À frente, um muro de betão


a. almeida

Quem é o Jorge Pinto? Sim, esse candidato a presidente da nossa república, apresentado pelo Livre? É que não conhecia, até ontem, o homem de lado algum, bem menos que o Albertino da Nanda, de Freixo-de-Espada-à-Cinta, que sei que é tractorista, ou o Ramiro, de Marco de Canaveses, que trabalha numa pedreira local.

Mas, louve-se a figura porque presunção e retórica não lhe falta. Ele fala como se já fosse o Cristiano Ronaldo dos candidatos a Belém, o supra-sumo aglutinador da esquerda. O Seguro e os outros 99 candidatos representativos da esquerda têm que se pôr a pau, que este homem, ilustre desconhecido, vai arrasar.

Infelizmente para ele, e felizmente para o país, a realidade é um muro de betão armado, e se não desitir antes, porque para já importa publicitar e dar protagonismo ao Livre (é disso que se trata), o mais certo é esbardalhar-se contra esse muro e depois fastar-se com a rabinho entre as pernas, com  uns 2 ou 3% dos votos e remeter-se novamente ao anonimato.

A ver vamos. O homem até citou o recente vencedor de Nova Iorque, a sustentar que pode haver uma surpresa e também ser eleito, mas convenhamos que uma coisa é sonhar a dormir e outra acordado.