Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Diário de quem já não vai para novo

...porque as palavras são a voz da alma.

Diário de quem já não vai para novo

...porque as palavras são a voz da alma.

10.06.24

Cada cavadela, cada minhoca


a. almeida

Os políticos, e sobretudo os nossos, não têm emenda. Antes delas e dos resultados, vão dizendo que estas eleições para o Parlamento Europeu não têm que ter extrapolações para o panorama parlamentar caseiro, porque personalizadas, porque num contexto especial de alta abstenção, porque sem o efeito do voto útil, mas logo que feito o escrutínio e do que possa ser vantagem, mesmo que poucochinha e muito relativa, não perdem tempo a cantar de galo. E perdendo, a relativizar, a fazer outras contas, de recuperações, de manutenções, de resiliência, de resistência, etc. Foi também assim com o BE,  CDU, LIVRE, etc. Tem sido sempre assim e foi ontem com o Pedro Nuno Santos face à vitória do PS, a respirar das recentes derrotas, já a proclamar-se como o dono do galinheiro.

Está-lhes no sangue. Faz parte do folclore. Não prescidem destas manifestações de poder na capoeira. Infelizmente, para a classe, cada vez vão perdendo o pouco crédito que têm. Cada cavadela, cada minhoca ou cada tiro, cada melro!

04.06.24

Os donos, os guardiões do templo


a. almeida

Ouvindo Pedro Nuno Santos - PS, a falar dos supostos valores dos socialistas, com aquele seu tom de discurso inflamado e senhor absoluto da razão igualmente absoluta, não posso deixar de me sentir, senão irritado, pelo menos com um sentimento de total desconsideração por este tipo de políticos. É que na minha génese, não me considerando de todo socialista, pelo menos no sentido que o exerce e proclama esta facção ideológica e extremada liderada pelo PNS, vejo-me, contudo, a partilhar a maioria desses mesmos valores, e mais alguns, mesmo que com diferentes visões quanto à sua defesa e respeito.

Ora esta proclamação de quem se sente e faz parecer que são os guardiões do templo, defensores únicos e exclusivos de certos valores, só pode merecer desconsideração porque irrita de facto. É que estes políticos não veem, não querem ver, nem percebem que mesmo outros partidos e movimentos serão igualmente defensores de muitos desses valores que temos como humanistas e civilizacionais e alguns outros pontos de vista divergentes não são mais que a diferença de pensamento, que também me parece um valor legítimo a considerar e defender.

Por conseguinte, recuso-me a dar crédito a estes profetas que se consideram os supra-sumo, os donos, os guardiões do templo sagrado e mestres dos valores e da moralidade política e democrática, e que todos os demais estão errados e andam a marchar de passo trocado.

Há limites, para a paciência e razoabilidade. 

 

 

27.05.24

Em Estevais com J. Rentes de Carvalho


a. almeida

estevais_rentes carvalho_1.jpg

estevais_rentes carvalho4.jpg

estevais2.jpg

Sozinhos ou na companhia de bons amigos, podemos fazer, 100, 200, 500 ou mais quilómetros, ver paisagens incríveis, lugares maravilhosos, sobretudo como os de Trás-os-Montes, transpor rios cantantes, atravessar ou percorrer aldeias pitorescas, ouvir histórias de vida ou meras curiosidades locais, colher cerejas do ramo de uma generosa sardeira, saborear os melhores pratos, degustar os mais frescos vinhos, mas delas curtas ou longas, valem as que acabam por ser peregrinações, pelo lado humano e mesmo espiritual que absorvemos. Foi já assim, há tempos, com a visita a um dos meus mestres das letras, o Miguel Torga, presente espiritualmente por ali naquelas paisagens simultaneamente rudes e acolhedoras, do seu reino que pintou como “maravilhoso”, fosse pelo negrilho que povoou o seus poemas, fosse já no repouso eterno na campa simples e rasa escondida num canto do cemitério da aldeia, mas agora, com a graça de ainda andar entre nós, deu-se a conjunção de certos astros para que pudesse ter a alegria de poder ser recebido por J. Rentes de Carvalho, interrompido no trabalho e do sossego da sua casinha na remota aldeia dos Estevais, ali pelo Mogadouro, onde tem raízes profundas.

A caminho do centenário, é este um dos meus autores preferidos e partilho com ele alguma amargura de só tardiamente ser descoberto e reconhecido no nosso e seu país, apesar de já ser tanto holandês como transmontano. Mesmo no seu município, onde o simples Trindade Coelho é orgulho local, só agora, aos 94 anos de idade, vai dar o seu nome à Casa da Cultural. Não é muito mas é alguma coisa.

Foi um tiro no escuro, um tiro de sorte ou apenas uma premonição, mas certo é que a minha passagem por Estevais rendeu frutos. Como escreveu na dedicatória num dos livros por si autografados, apareci como "um padre", porque sem anunciar, mas fui recebido e vi autografados a meia dúzia de livros que levava nessa esperança e ainda com a graça acrescentada de receber outros tantos como generosa oferta. E não digo que tive o privilégio, porque ao dizê-lo olhos nos olhos, ele corrigiu-me dizendo que "os privilégios não se recebem, oferecem-se". E ele ofereceu-mo!

Obrigado J. Rentes de Carvalho. Missão cumprida. Já pode colocar o aviso no portão da casa para não ser incomodado. De facto não se incomoda um artista na hora do seu trabalho, na criação, na sua própria casa, na sua aldeia. Bem haja!

estevais5.jpg

estevais6.jpg

estevais7.jpg

21.05.24

No país do esquecimento


a. almeida

Homenagem J Rentes de Carvalho.jpg
Uma justa homenagem a um grande escritor que apesar da sua obra e da sua idade e do reconhecimento que já vai tendo, ainda, no geral, muito esquecido pelo mundo da escrita e de quem com o dever de a defender, valorizar e divulgar. Arrisca-se que tal reconhecimento, como é norma neste torrão, surja depois da sua morte que, apesar da bonita idade, se deseja que  ainda tarde.

Tenho programado um passeio, neste próximo fim-de-semana por Trás-os-Montes e do roteiro espero passar por Estevais-Mogadouro. É pena que, com uma semana de antecedência não tenha a oportunidade de assistir a este evento. Além do mais, estará lá o Mário Augusto, de quem tenho o prazer de já ter privado e a honra de ter estado presente na apresentação de um meu livro. Gente boa, gente da escrita e do pensamento.

Mas fica aqui um abraço ao J. Rentes de Carvalho. Com jeitinho, ainda o encontrarei por Estevais no próximo Domingo. Pelo sim e pelo não, levarei comigo alguns dos seus livros. Quem sabe se não colherei um autógrafo.

06.05.24

Como no teatro


a. almeida

Designer - 2024-05-06T090413.772.jpeg

Pedro Nuno Santos, do Partido Socialista,  parece-me ser igual a muitos que conheço, que conhecemos, pretendendo que lhe seja dada razão só por ter um registo de discurso em tom agressivo e com uns valentes decibéis acima da escala e lançar umas atoardas do género de não ter memória de um Governo ter começado tão mal em funções como o este da AD. Terá memória curta ou selectiva, é o que é.

Em todo o caso, é disto o que a casa gasta e esperar algo em contrário é que seria contra-natura. Por conseguinte, até que sejam marcadas novas eleições, o que não deve tardar, será este o registo, mesmo que agora, numa Cheringonça, a aprovar medidas que em oito anos ficaram por fazer, como o caso das SCUT. E virão outras. É preciso alguma lata e PNS têm-na.

De facto os nossos partidos do arco da governação são bipolares, com uma cara na oposição e outra no governo, como no teatro, ora comédia, ora drama. O problema desta ambiguidade, que nem chega a ser porque uma boa parte do eleitorado, o não clubista, vai-se apercebendo destas representações,  talvez por isso é que sem outras referências mais equilibradas desiquilibra-se para forças como o CHEGA. 

Assim sendo, a não ser que ocorra um cataclismo, em que a política e os políticos são prodigiosos, daqui a nada teremos o Ventura e companhia com mais companhia, mais eleitores, mais votos, mais deputados, mais força parlamentar. Vão, pois, PNS e os demais, em "bom" caminho.

28.04.24

Derrota sem pinta de dúvida


a. almeida

Declaração prévia de interesses: Sou benfiquista, desde pequenino, e  por conseguinte não tenho, de todo, qualquer simpatia pelo clube da cidade invicta. Apesar disso sou cidadão e com opinião sobre o que na esfera pública acontece.

Jorge Nuno Pinto da Costa ficará, naturalmente, para sempre ligado à história do F.C. do Porto, quer pela duração da sua presidência, quer pelos êxitos e prestígio que o clube, e sobretudo a equipa de futebol senior, alcançou na sua vigência. Mesmo que figura maior de um sistema obscuro que, nomeadamente pela década de 1990, guiou o futebol português ao seu bel-prazer,  ritmo e interesses. Mesmo que judicialmente pouco ou nada tenha dado, o caso e casos relacionados ao processo "apito dourado", mesmo que a ponta do icebergue, foram por demais reveladores dessa forma de mexer os cordelinhos e sempre protegido pela guarda pretoriana da claque, bem paga com benefícios que a justiça ainda procura deslindar. Adiante.

Infelizmente, para ele, Pinto da Costa, sai agora da direcção do clube e da SAD por uma porta pequena, pequenina, perdendo as eleições para André Villas-Boas, de forma inequívoca, arrasadora como diria a CMTV, tanto mais que contra todas as expectativas.

Ao longo dos muitos anos, a sua presidência foi quase um reinado, porque nunca confrontado de forma séria em eleições. Os poucos que lhe fizeram frente foi mesmo muma de marcar ponto e para legitimar uma oposição que na realidade e em rigor nunca teve. Ao primeiro embate a sério, foi-se abaixo das canetas. Mesmo contra todos os bons princípios de bom senso e ética, tenha jogado a última cartada em véspera do acto eleitoral ao renovar com o treinador Sérgio Conceição, mesmo que no ano de menor rendimento da equipa de futebol, a lutar pelo 3.º lugar a escassas jornadas do fim. Ambos não tinham necessidade dessa "cartada" e creio até que foi a chave que abriu a porta da copiosa derrota eleitoral. Ficaram ambos muito mal e esborratados nessa fotografia à la minute.

Seja como for, a vida continua, incluindo a da nação portista, e os perdedores saberão lamber as feridas e provavelmente o que agora parecem cicatrizes profundas, como a também derrotada claque dos "super dragões", mesmo que a parabenizar o vencedor como "FDP", daqui a nada estará ao lado do Villas Boas, na boa, novamente como uma avançada guarda pretoriana, pela simples razão de que este propalado estado de "um contra tudo e todos" precisa desta gente "ordeira", merecedora de benesses que dão à macacada o modo de vida para fazer fortuna e coleccionar carros topo de gama. Há quem diga que não, mas é ver para crer.

É o que é! Pessoalmente, mesmo de fora, não esperava que o Pinto da Costa perdesse, até porque sempre achei que o homem pretendia simbolicamente acabar a vida no papel de presidente, nem que preciso fosse viver até aos 100 ou 110.

É a vida! Pôs-se a jeito e em todos os momentos da campanha foi sempre igual a ele próprio, mordaz, desconsiderando quem o confrontasse, mesmo quem também fez muito pelo clube, destratando-os, desconsiderando-os, mesmo insultando-os. Provou agora do veneno e abandonou as instalações com o rabinho por entre as pernas, deixando os lamentos por conta de terceiros. Terá sido duro, mas, convenhamos, fez por isso. Teve o que mereceu. O karma é fodido!

Apesar de tudo, e voltando ao início, não foi por esta pesada derrota que deixará de fazer parte da história deste grande clube, pelo melhor e pelo pior, mas esta derrota e as suas circunstância também dela farão parte.

Quanto a Villas-Boas, não se espere grande mudanças. Concerteza que num estilo diferente, que desde logo lhe vem da idade, mas no essencial, entrado nos carris, continuará com toda a certeza a dar eco à velha e esfarrapada filosofia do "sozinho (o clube) contra tudo e todos".

Por ora, parabéns!

11.04.24

Xi condecorações


a. almeida

A propósito da polémica, ou não, da condecoração ao general Spínola e a outra catrefada de gente, pelo presidente da república, sou por princípio contra elas, as condecorações, sobretudo a título póstumo e principalmente a militares, mormente quando estes não são soldados rasos e eram da tropa mandona por opção, profissão e carreira. Ninguém andava por ali obrigado nem a chafurdar em trincheiras e esgotos, como eu andei.

Em todo o caso, espanta-me que algumas figuras iluminadas e guardiães da moral do politicamente correcto, acontonadas na esquerda extremista, se tenham manifestado, indignados, contra a condecoração ao general do monóculo. Onde e quando é que essa gente se manifestou contra o branqueamento do papel de terrorista e assassino do camarada Otelo Saraiva de Carvalho? Ou o O MDLP era diferente das Brigadas FP-25 de Abril? A que é que cheirava um e outro? Mas a este, ó pá, talvez um apertado xi-coração. Ou então, ó pá, a outro grande defensor da liberdade, o Xi, o chinês.

Xiça! Haja paciência com esta gente!