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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

22.09.25

A Idade Média com boa média


a. almeida

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O fenómeno, moda ou mania dos eventos recreativos relacionados à temática da Idade Média, por isso ditos Medievais, neste nosso pequeno torrão à beira mar plantado, só neste ano de 2025, não me enganado, contabilizei 170 eventos, de acordo com um site dedicado ao assunto. Por 2024 foi similar.
Desde recriações, torneios, festas, mercados, feiras e viagens e afins, com duração de apenas de um dia, um fim de semana ou quase meio mês, como em Santa Maria da Feira com a sua interminável Viagem Medieval - e lá virá o tempo em que se dedicará à coisa um mês inteirinho - convenhamos que é uma fartura.

Pergunta-se, até quando rebentará ou encolherá a bolha? Talvez um dia aconteça, mas creio que, pelo andar da carruagem, por muito tempo a tendência até será para crescer e chegará a um situação em que cada terrinha, mesmo que sem torre, castelo ou pelourinho, terá o seu evento, já como acontece com provas de corridas.
A juntar a este fartote, temos as festas e romarias de aldeia, municipais e regionais, que são várias centenas, mesmo milhares, mais umas largas dezenas de festivais de música, etc. Não digam que Portugal não é um país de farras, de comes-e-bebes. Visto assim, pelos números, parece um parque de diversões permanente.

Atrasados em muitos indicadores, políticos, económicos, sociais e culturais, neste, seguramente, devemos ser líderes globais per-capita. Ainda bem? Sei lá. O que é de mais é moléstia, diz o povo, mas vá lá saber-se se isto é demais ou ainda de menos? Não tenho resposta mesmo que considere um exagero.

08.08.25

País de festivais e festivaleiros


a. almeida

É sabido, Portugal é um país de festivais de música. Confesso que não tenho dados nem os pesquisei,  mas não custa a acreditar que proporcionalmente esteja no top 3, quiçá mesmo em primeiro lugar mundial.

A fazer fé no Chat GPT, Portugal será provavelmente o país com mais festivais de música per capita do mundo — mais do que o dobro do segundo colocado (Malta), e muito acima de grandes mercados como Reino Unido e EUA.

Segundo a Associação Portuguesa de Festivais de Música (APORFEST), o número de festivais de música tem variado anualmente, mas a tendência tem sido de crescimento. No ano passado, 2024, o sector registou um novo recorde, com 358 festivais realizados em todo o país. Quase que aposto que neste ano de 2025 o número aumentará.
Mas serão bem mais, pois alguns de menor impacto não entrarão no crivo da APORFEST.
O mês de Julho é o que regista mais eventos (80) bem como Lisboa (72) , Porto (41), Braga (40) e Leiria (23) são os locais onde mais ocorrem.

A somar aos festivais, as centenas de festas e romarias, todas com espaço e dinheiro para toda a espécie de bandas e artistas, dos mais rascas aos mais conceituados. Mesmo o mais fatela, já não sobe ao palco por menos de 10 mil euros, apenas com playback, como ainda agora cá pela aldeia com a famosa Maria Leal. Assim se estoura dinheiro ao desbarato. Isso e em foguetes mesmo que os empresários deste sector a queixarem-se pelas restrições devido aos incêndios.

As Câmaras Municipais, mesmos aquelas do interior, com 4 ou 5 mil habitantes, também não se coibem de estourar 150 mil euros numa banda, como há dias no município de Penamacor. É o que é!

Resulta daqui que a nossa malta quer e gosta de farra e para isso não tem perna manca nem carteira apertada. Mesmo que depois no dia-a-dia se ande a cagar e a tossir, para festivais há sempre guita com fartura.

Também não deixa de ser curisoso que ambas as empresas de serviços de telecomunicações, como a MEO, a NOS e a Vodafone tenham os seus festivais. Aos clientes fartam-se de esticar a corda e tantas vezes a prestar maus serviços mas para esta sponsorização o dinheiro sobra.

Realidades e singularidades deste nosso Portugal, sempre no top do que diz respeito a farras.

15.07.24

A vida é um permanente festival


a. almeida

E continuam os festivais de música. No nosso país são como cogumelos e vendem-se como pãezinhos quentes.

São também um barómetro que permite constatar que ainda se vive bem e sobra dinheiro à malta para estes entretenimentos. 

A comunicação social, dá-lhes destaque, muito, tratando-os como como coisas deveras importantes e ficamos todos assoberbados com as opiniões de gente feliz com copos de cerveja nas mãos. É o país a andar para a frente!

Nós Alive, Meo Marés Vivas, Vodafone Paredes de Coura, etc, etc. As empresas de telecomunicações são o máximo nestas coisas. Deviam mudar de ramo.

Não há tempo para lamentar o dia seguinte e falta de dinheiro, porque o próximo festival já fica ao dobrar da esquina. Talvez lá para o final de Verão se volte à rua a protestar contra os baixos salários e rendas altas.

Como costumo dizer, se fosse para tirar batatas não aparecia ninguém! 

16.06.24

Rock in Rio - Porque não de forma permanente?


a. almeida

Eventos como o "Rock in Rio", mesmo que seja "in Lisboa", servem para aferir da saúde e disponibilidade financeira dos portugueses. Pelo que se viu esta está bem recomenda-se. Isso e as agências de viagens. Hoje passei ao início da tarde num shopping cá da zona e nas várias agências, havia gente a ser atendida e à espera.
O "Rock in Rio", de Lisboa,  até tem direito a acompanhamento da imprensa, com reportagens, análises e directos. Dir-se-ía que a par ou mesmo com maior interesse de uma qualquer Cimeira da Paz ou um acto eleitoral onde se decida o futuro do país.
Amanhã é Segunda-Feira e como depois de todas as farras virá a ressaca. Dificuldades de dinheiro, incumprimentos, rendas atrasadas, prestações que não se pagam, etc, etc, será uma mera coincidência e sem qualquer relação.
Portugal está bem e recomenda-se! Venham mais destes festivais que a malta , como alguém canta na cantiga, "vai a todas". Pena que não seja de forma permanente.
Bom resto de Domingo.