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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

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22.09.25

A Idade Média com boa média


a. almeida

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O fenómeno, moda ou mania dos eventos recreativos relacionados à temática da Idade Média, por isso ditos Medievais, neste nosso pequeno torrão à beira mar plantado, só neste ano de 2025, não me enganado, contabilizei 170 eventos, de acordo com um site dedicado ao assunto. Por 2024 foi similar.
Desde recriações, torneios, festas, mercados, feiras e viagens e afins, com duração de apenas de um dia, um fim de semana ou quase meio mês, como em Santa Maria da Feira com a sua interminável Viagem Medieval - e lá virá o tempo em que se dedicará à coisa um mês inteirinho - convenhamos que é uma fartura.

Pergunta-se, até quando rebentará ou encolherá a bolha? Talvez um dia aconteça, mas creio que, pelo andar da carruagem, por muito tempo a tendência até será para crescer e chegará a um situação em que cada terrinha, mesmo que sem torre, castelo ou pelourinho, terá o seu evento, já como acontece com provas de corridas.
A juntar a este fartote, temos as festas e romarias de aldeia, municipais e regionais, que são várias centenas, mesmo milhares, mais umas largas dezenas de festivais de música, etc. Não digam que Portugal não é um país de farras, de comes-e-bebes. Visto assim, pelos números, parece um parque de diversões permanente.

Atrasados em muitos indicadores, políticos, económicos, sociais e culturais, neste, seguramente, devemos ser líderes globais per-capita. Ainda bem? Sei lá. O que é de mais é moléstia, diz o povo, mas vá lá saber-se se isto é demais ou ainda de menos? Não tenho resposta mesmo que considere um exagero.

15.09.25

Romaria de Santa Eufêmia em terras de Castelo de Paiva


a. almeida

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Hoje, dia 15 de Setembro, fui comprir uma tradição pessoal já com muitos anos. Fui à romaria de Santa Eufêmia que se realiza anualmente nos dias 14, 15 (dia grande) e 16 de Setembro, na freguesia de S. Pedro do Paraíso, concelho de Castelo de Paiva. Porque muita gente aproveitou o Sábado e o Domingo, hoje verificou-se menos romeiros do que é habitual, quando a meio da semana. Mesmo assim, muita gente, capela repleta para a missa e as barracas dos bifes apinhadas, como sempre.

Porque intemporal, reescrevo, com ligeiras actualizações, o que já escrevi num outro blog.
Esta santa, tem muita tradição em Portugal e a ela, sensivelmente por esta data, são dedicadas festas e romarias em algumas das nossas aldeias.
Por cá, das grandes romarias da nossa região e arredores, nomeadamente a Senhora da Saúde, em Carvalhos-Pedroso-Vila Nova de Gaia, S. João no Porto, Senhor da Pedra, em Gulpilhares - Vila Nova de Gaia, a Senhora da Saúde, em Gestoso -Vale de Cambra, S. Cosme, em Gondomar, S. Simão, em Urrô - Penafiel, S. Domingos da Queimada, Raiva - Castelo de Paiva, Senhora das Amoras, em Oliveira do Arda, Castelo de Paiva, Festa das Colheitas, em Arouca (pelo final de Setembro) e Festa das Fogaceiras, em Santa Maria da Feira (a 20 de Janeiro) e outras mais, pessoalmente considero que a romaria de Santa Eufêmia, na freguesia do Paraíso, em Castelo de Paiva, será aquela que ainda conserva as características quase genuínas, herdadas e transmitidas de há muitas décadas, relatadas pelos nossos avós e bisavós. A contribuir para isso, o facto de se situar numa região relativamente interior, ainda muito caracterizada pela agricultura e também pela localização do arraial, que, ao contrário do que é normal, não está no alto de um monte (como S. Domingos da Queimada) mas sim num baixio encravado entre duas vertentes da serra e desenvolve-se em vários sucalcos ladeados de ruas estreitas. Os acessos no recinto são estreitos.
Por conseguinte, a parnefália de enormes e ruidosos divertimentos, roulottes de vendas e grandes tendas comerciais, desde africanos a chineses, ciganos e marroquinos, que fazem parte da mobília das festas e romarias actuais, ali não têm lugar nem espaço, apenas nas imediações, e os vendedores tradicionais ocupam os lugares desde há várias décadas. Raramente, pode existir uma pequena pista de carrinhos, quase sempre parada, e uma ou outra tenda de ciganos a vender roupas, mas no essencial todo o restante negócio está revestido das tais características tradicionais, assumindo plano de destaque a venda de doces, onde a primazia e a excelência recaíam nos afamados doces de Serradelo, de fabrico familiar numa vizinha aldeia, próxima do Monte de S. Domingos da Queimada, mas há alguns anos com actividade encerrada por desinteresse de continuidade por parte dos herdeiros. Restam os doces de Entre-Os-Rios, Sardoura e Pedorido, tudo aldeias ribeirinhas do rio Douro. Também marcam presença as tendas de cestaria, frutas, com destaque para uvas e melão de “pele-de-sapo”, castanhas, das grandes, enchidos, presunto e fumeiro, artesanato e brinquedos. Também ali já é possível beber o primeiro “vinho-doce” e comer as primeiras castanhas assadas

Apesar de tudo, a tradição e a fama da romaria de Santa Eufêmia assenta na devoção à santa, com pagamento de promessas, na actuação de duas bandas de música (neste ano as bandas dos Mineiros do Pejão - Castelo de Paiva e a Marcial do Vale, de Santa Maria da Feira), e também nas afamadas barracas de comes-e-bebes, onde o enorme bife de carne de vitela da raça arouquesa é rei, mas também a vitela estufada, dobrada ou feijoada. Normalmente são seis ou sete grandes barracas e quase sempre a abarrotar de gente esfaimada. Tanto na véspera como no dia, são milhares os forasteiros que chegam do concelho, Castelo de Paiva, mas também dos municípios vizinhos como Arouca, Santa Maria da Feira, Gondomar, Penafiel e não só.

Noutros tempos, recordo-me de nas imediações do proprio arraial se efectuar a matança de gado e mesmo ali, crucificadas num pinheiro, as rezes eram esquartejadas e cortadas em grandes bifes que depois eram fritos e acompanhados com batata e cebolada bem frita. Hoje em dia já não se mata ali o gado mas mata-se a mesma fome e a qualidade da carne é a de sempre, bem como os modos de a preparar e servir. Impressiona, de facto, ver todo o movimento (durante o dia e pela noite fora) à volta das barracas improvisadas e numa luta com os enormes bifes bem regados com o grosso vinho verde da região de Paiva. Os clientes não conhecem idades nem classes sociais e misturam-se na mesma fartura os senhores doutores e engenheiros, vindos das cidades e vilas próximas (já por lá vi governadores civis, presidentes de câmaras e vereadores) com os operários e lavradores. Perante aquele quadro de abundância, seria difícil fazer alguém acreditar que, seja em que ano for, estamos numa época de crise e falta de esperança no futuro.

Vê-se também muita gente e casais de idosos, que cumprem religiosamente votos, promessas e hábitos de décadas e para eles a Santa Eufêmia é um dia tão grande e alegre como um Natal ou Páscoa. Na freguesia é ponto de reunião de famílias que improvisam mesas onde os bifes serão a premissa da amizade fraternal. Os romeiros pagam as promessas, acendem velas e participam na missa e na procissão. Pelos músicos dos Mineiros do Pejão, destacou-se uma peçada de música e os ouvintes ficam com olhos enublados pelas emoções e sons da “1812” de Tchaikovsky, que não compreendem mas sentem. De seguida, já com a alma e o coração lavados, estendem uma ampla toalha no chão, à sombra de um carvalho, oliveira ou plátano, e espalham o farto farnel caseiro, com a panela do arroz envolto em jornais passados, ainda a fumegar de quente e bom, este sim, de comer e chorar por mais. Na véspera são muitos os peregrinos que em ritmo de fé sobem as encostas do Douro e do Arda e chegam a pé, ainda por devoção e promessas, percorrendo várias dezenas de quilómetros, vindos de aldeias vizinhas ou bem mais afastadas.

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08.08.25

País de festivais e festivaleiros


a. almeida

É sabido, Portugal é um país de festivais de música. Confesso que não tenho dados nem os pesquisei,  mas não custa a acreditar que proporcionalmente esteja no top 3, quiçá mesmo em primeiro lugar mundial.

A fazer fé no Chat GPT, Portugal será provavelmente o país com mais festivais de música per capita do mundo — mais do que o dobro do segundo colocado (Malta), e muito acima de grandes mercados como Reino Unido e EUA.

Segundo a Associação Portuguesa de Festivais de Música (APORFEST), o número de festivais de música tem variado anualmente, mas a tendência tem sido de crescimento. No ano passado, 2024, o sector registou um novo recorde, com 358 festivais realizados em todo o país. Quase que aposto que neste ano de 2025 o número aumentará.
Mas serão bem mais, pois alguns de menor impacto não entrarão no crivo da APORFEST.
O mês de Julho é o que regista mais eventos (80) bem como Lisboa (72) , Porto (41), Braga (40) e Leiria (23) são os locais onde mais ocorrem.

A somar aos festivais, as centenas de festas e romarias, todas com espaço e dinheiro para toda a espécie de bandas e artistas, dos mais rascas aos mais conceituados. Mesmo o mais fatela, já não sobe ao palco por menos de 10 mil euros, apenas com playback, como ainda agora cá pela aldeia com a famosa Maria Leal. Assim se estoura dinheiro ao desbarato. Isso e em foguetes mesmo que os empresários deste sector a queixarem-se pelas restrições devido aos incêndios.

As Câmaras Municipais, mesmos aquelas do interior, com 4 ou 5 mil habitantes, também não se coibem de estourar 150 mil euros numa banda, como há dias no município de Penamacor. É o que é!

Resulta daqui que a nossa malta quer e gosta de farra e para isso não tem perna manca nem carteira apertada. Mesmo que depois no dia-a-dia se ande a cagar e a tossir, para festivais há sempre guita com fartura.

Também não deixa de ser curisoso que ambas as empresas de serviços de telecomunicações, como a MEO, a NOS e a Vodafone tenham os seus festivais. Aos clientes fartam-se de esticar a corda e tantas vezes a prestar maus serviços mas para esta sponsorização o dinheiro sobra.

Realidades e singularidades deste nosso Portugal, sempre no top do que diz respeito a farras.

24.06.25

S. João em noite de trovão


a. almeida

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Na melhor tradição, cá por casa houve noite de S. João. Longe da confusão, do meio da multidão, mas em família. Houve, como de costume, sardinha assada com salada de pimentos assados, costeletas de porco grelhadas para os mais esquisitos, que os mais novos não são de espinhas, arroz de feijão, caldo verde, vinho branco e tinto, broa caseira, azeitonas e tudo o resto, o que, desta maneira, ficou por meia dúzia de patacos por cabeça, enquanto que fosse na tasca da festa, pagar-se-ía "couro e cabelo".

Houve tempo para a sobremesa, com bolo, cerejas, ameixas-de-s.joão e até para a largada de um balão. Como se não bastasse, virada ao mar, nuvens negras com relêmpagos, como se fora fogo de artifício de borla. Porém, se choveu não foi por cá.

Já dizia a minha bisavó, "melhor festa faz quem em sua casa em paz". 

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15.07.24

A vida é um permanente festival


a. almeida

E continuam os festivais de música. No nosso país são como cogumelos e vendem-se como pãezinhos quentes.

São também um barómetro que permite constatar que ainda se vive bem e sobra dinheiro à malta para estes entretenimentos. 

A comunicação social, dá-lhes destaque, muito, tratando-os como como coisas deveras importantes e ficamos todos assoberbados com as opiniões de gente feliz com copos de cerveja nas mãos. É o país a andar para a frente!

Nós Alive, Meo Marés Vivas, Vodafone Paredes de Coura, etc, etc. As empresas de telecomunicações são o máximo nestas coisas. Deviam mudar de ramo.

Não há tempo para lamentar o dia seguinte e falta de dinheiro, porque o próximo festival já fica ao dobrar da esquina. Talvez lá para o final de Verão se volte à rua a protestar contra os baixos salários e rendas altas.

Como costumo dizer, se fosse para tirar batatas não aparecia ninguém! 

25.06.24

A casamentos e a baptizados...


a. almeida

Neste Domingo fui a um casamento. Terei ido ao último talvez há uma boa dúzia de anos. De uma vintena de sobrinhos, chegou a vez da Teresa. 

Gostei, sobretudo, da parte mais importante e significativa, a celebração religiosa. Já a poucos e poucas importa, mas é o que é. É certo que com músicas a puxar para a lágrima fácil, e não havia necessidade, mas também é o que é. Ademais, os artistas que estão no mercado da coisa (e foram bons) percebem da poda.

O resto, o acessório, o entretenimento e o comes-e-bebes, saberemos todos, mais ou menos, como a coisa decorre, porque estas modas replicam-se e do mais humilde ao mais abastado, ninguém quer ficar para trás e com mais ou menos esforço, com capacidade própria ou a contar com o "ovo no cu da galinha" dos convidados para pagarem estes o "copo-de-água", e quiçá a lua-de-mel num qualquer paraíso tropical, lá vamos seguindo o que as modas e tendências desta indústria ditam.

Em abono da Teresinha, mesmo que parecendo sofisticada a coisa até foi do mais simples e comedida, porque como em tudo na vida, neste mercado há preços e variantes para todos os gostos e carteiras e em que é dado a comer e beber aos convivas coisas tais que nem durante um mês seria possível comer e beber. Por ali come-se sobretudo com os olhos. Celebra-se a alegria, pois claro, mas sobretudo o esbanjamento, o desperdício, a desproporcionalidade.

Neste contexto da coisa, com celebração marcada para o meio-dia, o programa começou a horas. Na celebração, após o enlace, alguns convivas, pouco dados a estas coisas, e julgando estar numa arena ou campo de futebol, entre palmas  discretas soltaram uns gritos e assobios. No final, na despedida, o jovem pároco endereçou os parabéns aos noivos, com votos de felicidades e dando o "recado" de que dali a 25 anos, na celebração das "bodas de prata", esperaria "que a coisa corresse melhor" e com mais algum comedimento e que os convivas mais efusivos tivessem tempo de perceber a diferença entre estar num lugar de culto e contemplação e num campo de futebol ou sala de espectáculos. Tudo no seu lugar e contexto próprios, fica bem. 

Importa referir que foi este casamento no dia de S. João e a data não foi a escolhida pelos noivos mas determinada, com quase dois anos de antecedência, pela agenda da Quinta de eventos. É assim que funciona e os noivos, regra geral, quando querem uma coisinha XPTO à sua medida, têm que aguentar os cavalos. Por isso, já pouco conta a agenda do padre, do registo civil ou da disponibilidade de pais e padrinhos.

A entrada na Quinta, a cerca de 40 km da local da celebração, aconteceu já em hora adiantada para o almoço. Assim, com um dia muito quente, os cerca de 150 convivas entraram nas habituais entradas de tudo e mais alguma coisa e bebidas à fartazana. E andou-se nisto até cerca das 18.30 e o almoço passou a jantar. 

No entretanto, reparei que as madames, de vestidinhos cingidos com abertura na perna de cima abaixo, decotes generosos e de sapatinhos de cinderela, com tacões altos ou de  agulha, depressa os atiraram para canto e andavam por ali ou de chinelas ou de sapatilhas. O que não sofremos para parecer bonitos e elegantes!

Os jovens rapazes, habituados ao conforto das sapatilhas, andavam por ali a coxear já com bolhas nos calcanhares feitas pelos sapatinhos de biqueira afiada, apertados, comprados de véspera. Como já não sou rapaz a ir para novo, e a velhice ainda é um posto, também comprei sapatos novos mas andei a treiná-los um mês antes, pelo que problemas desses não tive. De resto evitei danças, correrias e embarques nos comboios de gente. 

Depois as coisas habituais que agora dizem ser fixes, como as fotografias assim e assado, as fotos no "espelho mágico", os joguinhos e outras cenas a mando do disc-jockey, duelos de cadeiras entre homens e mulheres, formação de combóios, as músicas do costume de que não podem faltar o YMCA, o bomba com movimento sexy, o "I Will Survive", o leilão da gravata do noivo, e por aí fora. Saberão do que falo.

E com tudo isso, depois o partir do bolo, que pouco faltou para tombar no lago que o rodeava, os noivos a passar por entre alas de convidados fornecidos com velas de foguete e copos de espumante e, porque era noite de S. João, o lançamento de balões e o habitual fogo de artifício. O evento decorreu perto do Porto pelo que havia ali uma mistura de foguetes e balões. Parecia que havia casamentos em tudo quanto era sítio.

Depois o jantar, dizem que ceia, só já pela meia-noite e com oferta de sardinhas assadas, francesinhas, bifanas e tantas outras coisas que tais. Avisado que aquelas não são horas de encher a pança, já castigada pelo desacerto do horário, achei preferível passar ao lado e dar de frosques. Saí de mansinho pela meia-noite e meia. Mas disseram-me, depois, que houve gente que aguentou até às 4 da matina. Jovens, pois claro. Acredito que no dia seguinte foram ressacas, pés maltratados, caganeiras e indisposições. Talvez por isso, ou pela Teresa ser farmacêutica, na casa de banho havia um "kit da ressaca" com uma carrada de comprimidos tidos como recomendáveis a aliviar os excessos da boca. Coisas!

Em resumo, o que se esperava que fosse porque estas coisas cada vez mais são "dejá-vus", lugares comuns, clichês, mais do mesmo, um "a maria vai com as outras". Mas não podia dizer que não à Teresinha, logo a sobrinha que tenho como mais contida e simples. E não fosse assim e a comidinha teria sido menos tradicional e mais uma palete de invenções estapafúrdicas de chefes armados ao pingarelho. Ainda bem, e aquele bacalhau e posta de novilho estavam divinais, acompanhados por uns grelinhos com migalhas de pão.

Desculpem alguma ironia, mas que vai indo a casamentos sabe que é assim, e nestes modernos tempos é do que a casa mais gasta e os convidados andam todos a toque de caixa, como marionetas nas mãos dos fotógrafos, disc-jockeys, e chefes de cerimónias. Tudo é muito demorado, protocolar, exasperantemente cansativo. Creio, até, que estas coisas fazem-se sem qualquer respeito pelos mais velhos (porventura os que mais prendam os noivos). Tudo é preparado como se todos tivéssemos 20 ou 30 anos. É o que é.

Tenho para mim, não fora a exagerada despesa para o Estado, para todos nós, e a bandidagem devia ser penalizada, não com penas de prisão mas obrigada a participar num casamento moderno todos os dias. Era castigo bastante.