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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

22.09.25

A Idade Média com boa média


a. almeida

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O fenómeno, moda ou mania dos eventos recreativos relacionados à temática da Idade Média, por isso ditos Medievais, neste nosso pequeno torrão à beira mar plantado, só neste ano de 2025, não me enganado, contabilizei 170 eventos, de acordo com um site dedicado ao assunto. Por 2024 foi similar.
Desde recriações, torneios, festas, mercados, feiras e viagens e afins, com duração de apenas de um dia, um fim de semana ou quase meio mês, como em Santa Maria da Feira com a sua interminável Viagem Medieval - e lá virá o tempo em que se dedicará à coisa um mês inteirinho - convenhamos que é uma fartura.

Pergunta-se, até quando rebentará ou encolherá a bolha? Talvez um dia aconteça, mas creio que, pelo andar da carruagem, por muito tempo a tendência até será para crescer e chegará a um situação em que cada terrinha, mesmo que sem torre, castelo ou pelourinho, terá o seu evento, já como acontece com provas de corridas.
A juntar a este fartote, temos as festas e romarias de aldeia, municipais e regionais, que são várias centenas, mesmo milhares, mais umas largas dezenas de festivais de música, etc. Não digam que Portugal não é um país de farras, de comes-e-bebes. Visto assim, pelos números, parece um parque de diversões permanente.

Atrasados em muitos indicadores, políticos, económicos, sociais e culturais, neste, seguramente, devemos ser líderes globais per-capita. Ainda bem? Sei lá. O que é de mais é moléstia, diz o povo, mas vá lá saber-se se isto é demais ou ainda de menos? Não tenho resposta mesmo que considere um exagero.

13.12.24

Sexta 13 sem Natal dos Hospitais


a. almeida

Sexta-Feira 13. Um dia bom, porque o último da semana de trabalho. Isto, claro, para quem trabalha, porque o que não falta por aí é gente sem o fazer; Os que merecidamente já estão na reforma, os que querendo não arranjam mas também os que não querem trabalhar de qualquer modo, preferindo viver à custa do nosso Estado Social, como quem diz, à custa de quem trabalha.

Nada de novo! Há-de ser sempre assim, pelo menos enquanto a vaca tiver tetas e algum leite.

Mas Sexta-Feira 13 para além das superstições associadas, e um dos meus gatos até é preto, é sempre motivo de negócio e de oportunidade, como em Montalegre, em que em todas as sextas 13, há um evento que mistura bruxas e outras fantasias a que a malta moderna adora e participa. 

Vamos, pois, esperar um dia com normalidade, tanto mais que já foi ontem essa coisa do Natal dos Hospitais, uma feira de vaidades e procissão de figuras e figurões da nossa televisão e do panorama musical avençado. É sempre mais do mesmo, incluindo os apresentadores,  as mudas de roupa das meninas e o desfile de gente que por lá passa a debitar as conversas do costume. Isso sim, seria caso de algum azar se fosse deixado para hoje, Sexta-feira 13.

Não liguem! Isto sou só eu, talvez o único a detestar o Natal dos Hospitais, e toda aquela coisa previsível, tanto que até sabemos quem começa, e quem fecha, como  num dejá vu. E como se não bastasse a dose, a coisa será ainda repetida por um destes dias.

A todos, um Bom Nataaaaal, a todos um bom Nataaal! Que seja um bom Nataaal, para todos nóooos...Que seja um bom Nataaal, para todos nós!

20.03.24

Eventos de corridas - Mais que as mães


a. almeida

Quase todos os dias na minha caixa de correio electrónica (email) recebo mensagens de organizações de eventos de corrida, nomeadamente da Runporto, a apelarem para que eu aproveite o preço das inscrições que daqui a dias já terão outro preço, etc, etc. É da Runporto mas também de outras mais organizações como entidades particulares, locais, municipais, etc.

Se dúvidas houvesse, o correr e caminhar, nas suas diferentes variações, está definitivamente transformado em negócio e enquanto houver gente disposta a pagar haverá provas e organizadores, porque para além de tudo cheira a dinheiro.

Nada contra, obviamente, de resto tudo é negócio e é a oferta a dar resposta à procura. É assim com a corrida e caminhada como poderá ser com pizzas, chouriços, salpicões, óculos de ver ao longe, tomates, pastéis, cuecas, etc,etc.

Só a Runporto tem quase duas dúzias de provas por ano e para todos os gostos.

Plataformas como a Portugal Running só em Março, se bem contei, tem agendadas 35 provas, em Abril e Maio mais de meia centena cada, e por aí fora, durante todo o ano, de Janeiro a Fevereiro e nem nos meses de férias deixa de haver provas. Quase um milhar de eventos para 2024. Mas certamente quem em todo o pais, incluindo ilhas, são muitas mais. Literalmente, mais que as mães.

Até quando se aguentará a bolha, não sei nem é questão que me preocupe, e desde logo porque não sou de todo consumidor destes eventos, o que não me impede de correr, caminhar e bicicletar onde e quando quiser, sem pagar um cêntimo. Dispenso os kits.

Em todo o caso, não significa esta constatação que ache a coisa negativa, porque todas estas largas centenas de provas espalhadas por todo o país, significam que há mais gente a praticar desporto e a tratar da sua condição física e disposta a pagar. Tirando a questão do negócio, também legítima, nada a opor. Se há gente disposta a pagar, que pague.

Por conseguinte, de uma maneira ou outra, toca a dar à sola!

Mas sim, dispensava este marketing e publicidade insistentes e persistentes, quase de forma agressiva. Claro que algumas das entidades já têm destino certo numa corrida para a pasta do spam.