Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

02.10.25

Os partidos a darem música


a. almeida

Constato, ouvindo pela Rádio Observador, que no tempo de antena concedido aos partidos concorrentes às eleições autárquicas, vários partidos, da esquerda à direita não aproveitam os mesmos, não facultando os conteúdos. Ora a Rádio, porque naturalmente lhes interessa manter o espaço porque recebem, passa música para entreter tolos. Já o hino da IL, em vez de algo mais substancial, é oportunidade para ir à casinha aliviar a tripa. Só pode ser gozo!

Vai mal a coisa, desperdiçando o Estado verbas para estas merdices, mesmo palhaçadas. Era acabar com os tempos de antena e pelo menos alguma coisa se poupava. Para além disso, acabava-se com  estas desconsiderações para com os ouvintes e eleitores.

Se as rádios locais recebem 14,80 euros por minuto, certamente que de âmbito nacional a coisa pia mais fino. 

Atentos aos valores pagos pelo serviço para as Legislativas de Maio passado, percebe-se que a coisa não fica propriamente barata aos contribuintes: Veja-se e pasme-se:
Rádio e Televisão de Portugal 79,67 mil euros, à Rádio Comercial 255,13 mil euros e à Rádio Renascença 319,75 mil euros, valores aos quais se aplicam taxas e impostos.

30.09.25

Ainda se acredita no milagre da multiplicação


a. almeida

Os assistentes de Inteligência Artificial fazem-nos ser preguiçosos. Não mais inteligentes, porque quem é burro continuará a ser burro (salvo seja para os próprios), mas, sim, mais dados a fazer coisas sem cuidados, pesquisas, verificações das fontes etc. Mas, admitindo que os dados seguintes estão certos, quando está na ordem do dia a falta de habitações, o aumento das mesmas e das rendas, bem como a insuficiência de serviços de saúde, ou, melhor dizendo, dos profissionais que os servem, importa não esquecer o impacto do aumento quase exponencial dos imigrantes.

Nos últimos anos, o número de imigrantes em Portugal aumentou drasticamente, duplicando em três anos e quase quadruplicando desde 2017, com a população estrangeira a ultrapassar 1,5 milhões no final de 2024, segundo dados da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA). Em 2017, havia cerca de 421 mil estrangeiros regularizados, e esse número passou para aproximadamente 1,55 milhões em 2024.

Evolução do número de imigrantes:
Em 2017: Havia cerca de 421 mil estrangeiros legalizados em Portugal.
Em 2023/2024: O número de imigrantes ultrapassou os 1,5 milhões, chegando perto dos 1,6 milhões no final do ano passado.
Duplicação em três anos: O número de estrangeiros mais do que duplicou nos últimos três anos.
Quase quadruplicou desde 2017: Comparado com 2017, o número de imigrantes quase quadruplicou.
Fontes:Dados da Agência para a Integração, Imigrações e Asilo (AIMA) confirmam este aumento significativo. Relatórios da AIMA e Público também evidenciam o crescimento.

Em resumo, estavam à espera de quê? Do milagre da multiplicção. Decorre daqui o problema de uma imigração descontrolada e sem regras, porque, precisamente, contribui para a incapacidade de resposta das necessidades inerentes. Por conseguinte, a imigração é precisa mas de forma regulamentada, controlada e não só em função das necessidades do mercado de trabalho mas também de forma a que os serviços sociais, de educação, saúde e habitação, possam corresponder e dar respostas.

Quando assim não acontece, como se passa em Portugal, não surpreendem as consequências e não há nenhum Governo que possa acudir, no imediato, a esta carência. Se sim, só com milagres para quem neles acreditar. Por regra, as oposições são férteis em descortinar milagres, sobretudo o da multiplicação. Uma vez nos governos, dão-se conta dessa incapacidade, e de deuses e santos, passam a falíveis seres terrenos.

04.06.25

Fosse há umas semanas e o Chega teria mais um voto


a. almeida

Já o terei escrito por aqui. Comecei a trabalhar numa fábrica ainda não tinha 12 anos. 900 escudos foi o meu primeiro ordenado. Dos 21 aos 23 anos fiz 2 anos de serviço militar obrigatório no ramo da Marinha. Apesar disso, pós-laboral, consegui estudos de nível secundário e não tivesse já casado e com filhos bem que poderia abalançar-me a um curso superior. Mas tenho cursos técnicos de sobra e na minha área não me sinto reduzido perante arquitectos e engenheiros e alguns até recorrem aos meus préstimos, Adiante!

Mesmo nesse contexto, e tendo casado aos 25 anos, comprei terreno, fiz casa, em muito literalmente com o meu esforço. Claro que fiz um emprestimo bancário que está agora, finalmente, a terminar. Já poderia ter amortizado o valor em falta mas a burocracia e a penalização não incentivam e como a carga de juros é agora residual, vai-se indo até que o balão da mama dos bancos dê o último suspiro.

Posto isto, tenho uma casa minha, que construí, paguei SISA do terreno, IVA de tudo quanto nela apliquei, juros ao Banco, etc, etc. Apesar disso, o Estado toma-a como sua e anualmente cobra-me um imposto estúpido chamado IMI, uma espécie de renda que pagamos por algo que já é nosso. Na minha zona há um edifício de habitação social, feito no tempo das vacas gordas e nenhum dos ocupantes paga de renda anual o que eu pago semestralmente, isto para além de outras mãos largas. Mesmo que não paguem, ninguém os despeja. Apesar disso, alguns, têm melhores carros que o meu e levam a mesma vida que eu. Para quem nada faz ou produz o Estado tem sido generoso.

Como se não bastasse, e apesar da minha habitação ter sido dada como concluída há quase 25 anos, e de lá para cá nada lhe ter sido acrescentado na parte construtiva, fiquei agora a saber que as Finanças decidiram reavaliar a mesma e aplicar-lhe os valores de referência por m2 de construção, 665,00 euros. Em resumo, o valor patrimonial tributável, num piscar de olhos, aumentou perto de 10% do valor patrimonial  e um aumento no IMI de cerca de  50 euros  por ano. Já paguei, contrariado, mas paguei, até adiantado. 

No meio disto, sabendo-se que o valor de referência por m2,  não é de aplicação automática, sendo apenas reflectido nas construções novas ou nos imóveis alvo de modificação ou de reconstrução ou na sequência de uma nova avaliação, eu questiono qual o critério que levou à reavaliação do meu imóvel, sendo que, como atrás dito, desde há quase 25 anos que não teve qualquer intervenção, ampliação ou obras de melhoramento e por isso mais velho e com o natural desgaste e perda de funcionalidade de alguns aspectos da casa.

É sobretudo este critério discricionário e injustificável, quase capcioso, que está em causa. No mínimo, por algum respeito, mereceria o contribuinte ser devidamente informado da alteração e justificados os critérios subjacentes. Mas a máquina é cega e de facto nesta engrenagem do aparelho mecânico do Estado somos apenas números, grãos de areia esmagados por entre as rodas-dentadas.

Claro que me apetecia aqui soltar uma série de impropérios e nomes bem feios, chamando à equação as mãezinhas de muita gente, mas estas não tendo culpa no cartório, limito-me a dizer que fosse há umas semanas o Chega teria mais um voto. Não que acredite que me baixaria o IMI ou outros impostos, nem me convençam as suas virtudes, mas porque alguém naquela estrutura, tem que acertar com um pontapé mesmo no meio dos tomates dos senhores de sempre, os que até aqui nos têm desgovernado. Fica para a próxima!