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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

24.08.25

Na glorificação da selvajaria


a. almeida

Li algures que morreu um forcado em contexto de tourada, colhido durante uma pega, bem como uma pessoa que assistia depois de se sentir mal com  a cena. Lamento, concerteza que sim, ambas as mortes, mas não mais do que isso. Quem vai à guerra dá e leva e quem ainda insiste e persiste em participar activa ou passivamente nestes espectáculos deploráveis, onde se glorifica a selvajaria gratuita sobre um animal nobre, não pode esperar grandes consternações.

Apesar de tudo, continua esta imoralidade e não falta quem se deleite a assitir ao sofrimento animal. Triste de mais.

 

31.07.24

O directo não é gago


a. almeida

Já expressei por aqui a  opinião sobre o espectáculo de abertura dos Jogos Olímpicos em Paris. Porventura dissonante da larga maioria, mas é minha.

Soube-se agora que uma das cenas, com a "francesa" Lady Gaga", afinal foi exibida em deferido, por isso filmada num período anterior e dada a "comer" ao mundo televisivo como que em directo, a sair quentinha do forno. Houve quem o notasse e daí a polémica, mas no geral a maioria comeu sem espinhas.

Foi obviamente uma situação inédita, fraudulenta, enganosa e que para além das justificações da produção à posteriori, em nada atenuam uma realidade de que estas coisas são mesmo e apenas para a televisão, onde nem sempre o que parece é. Ora um dia destes seremos totalmente enganados, comidos de cebolada, e um espectáculo destes dado como directo não passará, afinal, de uma manta de retalhos, uma montagem cinematográfica, produzidos em diferentes tempos e lugares, retocados ao máximo. E mesmo assim não faltarão odes, adorações e venerações, porque por estes tempos é disto que os dependentes televisivos precisam para lhes dar pica.

Para além de tudo, no caso, os Jogos, mesmo que já há muito afastados dos seus valores e propósitos primordiais, e convertidos aos interesses da indústria televisiva e do entretenimento, não precisavam nada destas merdices. Bastaria o tradicional desfile à volta da pista e logo de seguida o principal, os atletas, as provas e as competições. Tudo o resto não faz falta à ementa. É mesmo acessório e como tal, dispensável.

27.07.24

Uma espécie de parada à chuva


a. almeida

Vi apenas uma parte e confesso que não gostei. Apenas um ou outro apontamentos interessantes.

O espectáculo de abertura dos Jogos Olímpicos em Paris pode ter sido em grande, diferente do habitual, mas sem grande coisa. De resto, feito e pensado quase exclusivamente para a televisão e, sem chuva. Parece que, aberto o céu, os jornalistas nem toldes ou plásticos tinham para se protegerem e ao equipamento, mas nestas coisas poupa-se no essencial para se gastar no acessório, como quem diz, economia na farinha para esbanjar em farelo. E era necessário que assim fosse, um espectáculo televisiso, pois seria impossível de outro modo, até  pelo "estado de guerra" em que está a cidade das luzes.  

No geral, e do género, já vi melhores quadros em paradas de orgulho gay. Foi uma apologia a esse movimento, como se fosse disso que se tratasse. Não fosse o desfile de atletas a agitarem as respetcivas bandeiras e parecia mesmo uma parada de um grupo específico. O assunto eram os jogos, mas já sabemos que em Paris e na França les jeux sont différents. Se a maioria dos demais países participantes têm outras culturas e valores, porventura mais reservados e menos dados à apologia da promiscuidade, a França"caga-se" para isso.

Alguns comentários babados e rendidos, exaltam que foi um espectáculo a demonstrar que não devemos ter "medo" nem nos rendermos a ele. Para esses apatece perguntar, o que fazem então todos aqueles largos milhares de polícias e todo o aparato militar que por estes dias fazem de Paris uma cidade fortaleza? Para proteger quem e do quê?

Vive la France!

Notas posteriores: A paródia à "Última Ceia", é a todos modos ofensiva, despropositada, e como diria o outro, "não havia necessidade". Mas havia, porque a França nisto é especialista.  Celebrar a "tolerância"  com representações ofensivas não é seguramente o modo certo de o fazer. A França está habituada a celebrar a tolerência com violentas manifestações de rua, pelo que tem fraca escola.

Curiosamente, desta vez (porque será?) escaparam às ofensas a religião muçulmana. É que provavelmente já não há polícias suficientes para aumentar o reforço da segurança que tal ofensa exigiria. É assim paradoxal que num país que se identifica como "tolerante", se proponha, num contexto de um evento global e multi-cultural, racial e religioso,  a ofender gratuitamente culturas e religiões. E anda preocupada com questões de segurança? Quem não deve não teme, mas a França teme, porque em variadas situações se expõe e põe a jeito. 

Vive la France!