Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

05.07.24

É a democracia, seu estúpido!


a. almeida

Sei e sabemos que a França, em processo de eleições,  está em polvorosa, e são várias as forças (verdadeiros cães e gatos entre si) que por ora recolhendo as garras  e dentes, revezam-se para numa frente popular tirar o tapete à extrema direita que, pelos resultados de Domingo passado, ameaça tomar o poder. Para além deste unir forças de um saco de gatos, houve manifestações e tudo o mais em que a França, com um historial de revoluções e decapatições, é fértil. 

Eu também não gosto de extremismos, à direita ou à esquerda, porque no meio sempre esteve, senão a virtude, o equilíbrio e bom senso. Mas, queira-se ou não, goste-se ou não, se a dita extrema direita vencer será, imagine-se, por um processo democrático e eleições igualmente democráticas, logo o povo a escolher, a decidir. Ou seja, não está em causa um golpe de Estado ou uma nova revolução com corte de cabeças. É apenas a democracia a funcionar, seu estúpido, apetece dizer!

Ontem, no Telejornal da RTP, não contabilizei mas, a olhómetro, terão sido pelo menos 10 minutos dedicados ao tema e todo esse tempo foi de propaganda e tempo de antena aos opositores ao Rassemblement National (RN), expondo os seus receios, explicando as suas ideias e dando voz e protagonismo aos seus militantes.

A RTP esqueceu-se, todavia,  que na cobertura de eleições, aqui, na Concochina ou na França, importa ser imparcial, isento e dar vez e voz a todos. É nestes valores e princípios que um qualquer bandido ou homicida é julgado, com sentido de justiça, mesmo que a fúria popular os queiram linchar às portas dos tribunais.

Foi, pois, parcial e descaradamente apoiante de um lado a desfavor do outro. Mas, reitero que, queira-se ou não, goste-se ou não, se a dita extrema direita vencer será por processo democrático e eleições igualmente democráticas, logo o povo a escolher, a decidir. Não é a democracia o respeito pelas diferenças e opiniões contrárias, por mais estapafúrdias e radicais que sejam ou pareçam?

Eu não quero nem gosto de uma televisão pública parcial, que tome partidos, que nos doutrine. Já bastou quase meio século dessa receita. Quem vota, aqui ou em França, é de maior idade e concerteza que senhor das suas faculdades de escrutínio e capacidade de decisão, mesmo que não do agrado de outros. Serão uns mais democratas que outros?

Quanto ao resto, ao resultado das eleições em França, nem me aquece nem arrefece, precisamente porque será a escolha livre e democrática dos seus cidadãos a decidir, pró bem ou pró mal. De resto, aquilo já não é propriamente um país, uma nação, mas antes um caldeirão de uma qualquer mixórdia, sem identidade própria, de quem nem o Asterix arrisca a beber. Terá, pois, sempre o que merece. C'est ça!

Allez, allez!

07.06.24

A arruaceiros dá-se palha


a. almeida

Dizem, e di-lo a Constituição, essa vetusta e séria senhora, que todos temos o direito à manifestção. Mario Soares até foi mais longe e fez jurisprudência quando afirmou que temos direito à indignação. 

Apesar disso, e a propósito do protesto que alguns "democratas" resolveram fazer em simultâneo  com o discurso de Von der Leyen  numa acção de campanha da AD na cidade do Porto, não há como dizê-lo, foram um bando de arruaceiros, no desrespeito e perturbação de uma campanha legal e democrática. 

Quem tem verdadeiro espírito democrático e respeito pelos demais, não tem o direito de perturbar e desrespeitar os outros, mesmo que por motivos que considerem legítimos, porque tudo no seu tempo e modo adequados.

Mas neste contexto e do que vi nalguma da nossa televisão, o foco desta não foi a acção de campanha da AD mas dos arruaceiros, dando-lhes cobertura, palco e voz. Das imagens e queixas de alguns dos arruaceiros, que disseram ter sido maltratadinhos pelos brutos dos polícias, parece-me que o que ficou a faltar para justificar as queixas, foram umas bastonadas, porque a burros não se dá conversa mas palha. Afinal eu faria o mesmo se viessem a minha casa perturbar o meu ambiente e a minha família. Quem se põe a jeito, como dizia o Jorge Coelho, leva!

O problema destes arruaceiros é que se sabe quem são, que orientações seguem e de que quadrantes vêm. Muitos fazem-no como militância e desafios e descarga de adrenalina e para mais tarde dizerem aos filhos e netos que estiveram ali nas manifestações, a darem o corpo às balas. Balelas!

Ora o tema do "free for palestine" invocado pelo grupo de arruaceiros, é legítimo e eu também, horrorizado com o que vai acontecendo naquele território e àquele povo, sou a favor dele, mas não tenho que o berrar nas orelhas dos outros como se  sejam eles os culpados directos nem perturbar a ordem pública. Por outro lado, porque não berram eles, com igual fervor, contra o Hamas? E porque não a favor da Ucrânia e contra os russos? E porque não alugam um avião e vão à Terra Santa berrar isso directamente nos ouvidos dos israelitas ou até Moscovo e gritar no Kremlin?

Já não há paciência para arruaceiros e muito menos para as televisões que lhes dão palco e tempo de antena. Em suma, a valorizar o que devia ser condenado. Mas é disto que a casa gasta! Habituem-se os que não gostam!