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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

29.01.26

Perspectiva teatral


a. almeida

Tal como quando aconteceu com o apagão, parece ficar claro que o primeiro-ministro, visto por uma certa perspectiva, não tem estofo para somar pontos com  o que no país corre mal e com a tragédia, seja de origem técnica, humana ou causada pelas indomáveis forças da natureza. Deveria fazer como todos fazem? Aparecer com os discursos do costume, falar ao país às 20 horas com ar pesaroso, vestir camuflados, fardas de bombeiros, colocar capacetes, óculos e luvas e dar mostras que está no terreno, no teatro de operações? Exactamente no teatro, como uma personagem teatral a interpretar um papel de figura zelosa e interessada?

Para o bem e para o mal, por inércia, personalidade ou cálculo, tem lidado com estas situações de um modo diferente da norma estabelecida, fora de tempo e da luz dos holofotes e das câmaras. Todavia, nesta sua forma de ser, estar e agir, o país da opinião, dos opinion makers, os dão notas como professores, não lhe perdoa em tudo quanto é palco de comunicação. Eu próprio, com tanta má nota,  fico sem saber qual das versões me agradaria, se a teatral se a outra, a discreta, menos presencial e espalhafatosa. Como no meio estará a virtude, talvez entre as duas, até porque percebo que nas horas de tragédia temos de nos agarrar a algo e a alguém, como a tomar uma pastilha Melhoral, que não fará bem nem mal.

Somos de percepções e algo falha quando não as recebemos de alguém. Nessa perspectiva teatral tem falhado o nosso primeiro e volta agora a falhar.

26.01.26

Exageradamente exagerado - Hoje como em 1986


a. almeida

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Anda tudo extremado! Não é novidade! Também a eleição presidencial, agora resumida a dois candidatos, parece-me que está bem no meio desse caminho, muito por responsabilidade da comunicação social que já não conhece a ética, deontologia e isenção, valores do verdadeiro jornalismo. Mas este há muito que está defunto. O que faz já é à descarada, sem pingo de vergonha.o Público, entre todos, é um exímio exemplo de campo inclinado.

Também eu me considero moderado, e a votar no próximo dia 8 de Fevereiro procurarei ter isso em conta, mesmo que as opções sejam medíocres. Não obstante, colocar-se a questão como de uma luta ou batalha em que está em causa a democracia, só porque com duas personalidades com diferentes pontos de vista e posicionamentos, é exageradamente exagerado e um atestado de menoridade aos portugueses no geral. Desde logo porque estamos nela, na democracia, e a eleição será democrática e os eleitores é que decidirão. Ou não queremos que sejam os eleitores a decidir?. Afinal a democracia não é isso? Respeitar a decisão da maioria do povo, mesmo que contrária às nossas posições e a favor de candidatos ou partidos com quem não alinhamos? Ou somos ou não somos!

No fundo, o discurso que agora faz a comunicação social canhota e o próprio Seguro, é o agitar da bandeira de 1986 pelo trapaceiro do Soares e inimigo mais amigo Cunhal. Então Freitas era o diabo a abater, e tanto era diabo e fascista que anos mais tarde até fez parte do governo socialista. A política rasca e os velhos métodos não se esquecem, mas reinventam-se a servem-se quando dá jeito, mesmo que 40 anos depois.

Face ao leque de opções, posso escolher Seguro, sem taticismos porque não sou figura pública, mas preferia que a sua vitória assentasse apenas nas virtudes que possa ter e não por medo de diabos que, por mais feios que se pintem, não vejo de todo.

Escolham, pois, o Seguro, mas deixem-se de merdas! 

22.01.26

Em terra de "cegos" quem tem Visão...


a. almeida

O revisionismo no jornalismo lusitano: o caso da Visão, ou como o Estado agradecerá os donativos.

No jornalismo não basta invocar palavras nobres — “independência”, “qualidade”, “liberdade” — para que estas recuperem automaticamente o sentido que perderam. Há marcas que se gastam. Há títulos que se tornam resíduos simbólicos. E há redacções que, por acção ou por omissão, atravessam processos históricos decisivos sem jamais prestarem contas do papel que desempenharam. A revista Visão é hoje um desses casos.

A campanha de angariação de fundos lançada por um grupo de jornalistas da Visão, apresentada como um gesto de resistência cívica e defesa do jornalismo independente, assenta numa premissa falsa e num exercício de amnésia selectiva: a ideia de que a Visão é, ou foi recentemente, um bastião de jornalismo livre, crítico do poder e imune a agendas. Não foi. E não é.

Fonte e resto do artigo: Página UM

13.01.26

A música dos zelosos


a. almeida

Não há uma sem duas; e não há duas sem três. Três foram, de facto, os concertos que o músico Rui Veloso conseguiu dar no ano passado servindo-se da Banda Sinfónica da GNR, completamente gratuita. Mas se o primeiro desses concertos, realizado no dia 24 de Maio, nas escadarias da Assembleia da República, para o qual Rui Veloso cobrou ao Parlamento cerca de 140 mil euros, foi de acesso livre, já os dois concertos seguintes tiveram âmbito comercial, com bilhetes pagos, com preços entre os 25 e 75 euros: em Lisboa, no Meo Arena, no dia 28 de Novembro, e no mês passado, a 19, no Porto, no Pavilhão Rosa Mota.

Com as duas ‘borlas’ concedidas pela GNR para os dois espectáculos em Lisboa e no Porto, ‘o pai do rock’ terá poupado pelo menos 50 mil euros, considerando os preços praticados no mercado pela contratação de bandas sinfónicas profissionais. E tendo amealhado mais 140 mil euros da Assembleia da República, sem ter de pagar nada à GNR, não se pode queixar da ‘polícia’.

[fonte e resto do artigo - Página Um]

12.01.26

Gato por lebre


a. almeida

Desde o dia 5 de Janeiro, a TVI e a CNN Portugal, em parceria com o Jornal de Notícias e a TSF, passaram a inundar o espaço público com aquilo a que chamam “tracking polls” — um termo anglo-saxónico usado para dar um ar moderno a algo que, na prática, não passa de sondagens diárias apresentadas como se estivessem a medir, em tempo real, o impacto dos acontecimentos de campanha na intenção de voto dos portugueses.

O formato é televisivo, a narrativa é científica e o efeito político é profundo. O problema, porém, é simples e grave: nada disto corresponde a ciência estatística. Trata-se de um embuste. De uma simulação de rigor ao serviço da construção de narrativa. E pior: um embuste cometido com dolo por jornalistas, que sabem — ou deviam saber — que aquilo que estão a mostrar não mede o que dizem medir.

[fonte e resto do artigo - Página UM]

18.12.25

Com que cara?


a. almeida

Chegados aqui, relativamente ao caso Spinumviva e face à decisão do Ministério Público, com que cara ficam todos aqueles que, a começar pelo revoltoso Pedro Nuno dos Santos, usaram o caso para conduzir o país a uma crise política e a eleições antecipadas? É certo que a resposta já foi dada pelo povo com a posterior realização de eleições. Nelas, aqueles que mais sustentaram a crise foram também os mais penalizados, incluindo o Partido Socialista e o seu líder. Agora, pedir desculpas é que não; e, porventura, continuarão até a pintar a nuvem de negro. A verticalidade é coisa que não abunda na classe política.

Por conseguinte, nestas matérias raramente os políticos aprendem. Vão, pois, continuar com as suas caras de sempre, sem vergonha, a chafurdar nestes chiqueiros que apenas prejudicam o avanço do país, tudo em nome do interesse partidário e pessoal.

Do mesmo modo, a imprensa que tão esforçadamente contribuiu para alimentar suspeitas e para a crise política não vai dar o braço a torcer e continuará no mesmo processo. Depois, em conjunto, vem fazer queixinhas de que não tem clientes e de que já ninguém compra jornais. Tem o que merece. Afinal, quem quer pagar por jornalixo? E querem os jornais que o Estado financie a sua distribuição? Era só o que faltava!

22.10.25

Maio, maduro Maio


a. almeida

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...E pronto! Está apresentado! Assim se diz ao que vem. Perspectivas de esquerda, radicais, à imagem da criadora, era o que estava em falta. Quanto menos representatividade democrática lhes concede o povo, mais barulho nas ruas e nas bancas. 

Até o major Tomé foi chamado ao púlpito a desbobinar a velha cassete. Para os saudosistas vale a pena, é como uma máquina do tempo a recuar ao PREC, a destilar ódio contra a política armamentista da Europa. Já quanto à sua querida e amada Rússia, em plena economia de guerra, para sustentar uma invasão de um país livre, nem uma palavrinha, nem um slogan. O algodão não engana!