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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

13.01.26

A música dos zelosos


a. almeida

Não há uma sem duas; e não há duas sem três. Três foram, de facto, os concertos que o músico Rui Veloso conseguiu dar no ano passado servindo-se da Banda Sinfónica da GNR, completamente gratuita. Mas se o primeiro desses concertos, realizado no dia 24 de Maio, nas escadarias da Assembleia da República, para o qual Rui Veloso cobrou ao Parlamento cerca de 140 mil euros, foi de acesso livre, já os dois concertos seguintes tiveram âmbito comercial, com bilhetes pagos, com preços entre os 25 e 75 euros: em Lisboa, no Meo Arena, no dia 28 de Novembro, e no mês passado, a 19, no Porto, no Pavilhão Rosa Mota.

Com as duas ‘borlas’ concedidas pela GNR para os dois espectáculos em Lisboa e no Porto, ‘o pai do rock’ terá poupado pelo menos 50 mil euros, considerando os preços praticados no mercado pela contratação de bandas sinfónicas profissionais. E tendo amealhado mais 140 mil euros da Assembleia da República, sem ter de pagar nada à GNR, não se pode queixar da ‘polícia’.

[fonte e resto do artigo - Página Um]

12.01.26

Gato por lebre


a. almeida

Desde o dia 5 de Janeiro, a TVI e a CNN Portugal, em parceria com o Jornal de Notícias e a TSF, passaram a inundar o espaço público com aquilo a que chamam “tracking polls” — um termo anglo-saxónico usado para dar um ar moderno a algo que, na prática, não passa de sondagens diárias apresentadas como se estivessem a medir, em tempo real, o impacto dos acontecimentos de campanha na intenção de voto dos portugueses.

O formato é televisivo, a narrativa é científica e o efeito político é profundo. O problema, porém, é simples e grave: nada disto corresponde a ciência estatística. Trata-se de um embuste. De uma simulação de rigor ao serviço da construção de narrativa. E pior: um embuste cometido com dolo por jornalistas, que sabem — ou deviam saber — que aquilo que estão a mostrar não mede o que dizem medir.

[fonte e resto do artigo - Página UM]

30.12.25

Corrida de S. Silvestre


a. almeida

"O director do Diário de Notícias, Filipe Alves, que no sábado passado assegurou, nas redes sociais, que as suas empresas cumpriam a lei, mandou afinal registar, mais de cinco meses fora de prazo, a Informação Empresarial Simplificada (IES) da Parágrafo Mágico, num gesto apressado que ocorreu apenas dois dias depois de o PÁGINA UM ter noticiado que a sociedade — da qual é sócio-gerente — não tinha ainda depositado as demonstrações financeiras de 2024 na Base de Dados das Contas Anuais, contrariando uma obrigação anual de transparência empresarial."

- Pedro Almeida Vieira

Fonte e resto de notícia: Página UM

16.12.25

Entre letria e rabanadas


a. almeida

Obituário antecipado de José Jorge Letria, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores

"...Foi nesse contexto — de longevidade institucional sem equivalente em produção intelectual — que surgiu a proeza final. O senhor José Jorge Letria, ou alguém por ele (o que, tratando-se de instituições fossilizadas, vai dar ao mesmo), subscreveu uma nota de pesar pelo falecimento da Clara Pinto Correia que conseguiu a rara façanha de ser simultaneamente mesquinha, falsa, injusta, infeliz e mal escrita — aquilo a que, com rigor geométrico, se poderá chamar a ‘pentatura do círculo’ da mediocridade cultural portuguesa."

Pedro Almeida Vieira

[fonte e artigo completo]

01.12.25

O exercício da mentira


a. almeida

"Afirmavam e provavam os oponentes que, como primeiro-ministro, o senhor Sócrates descaradamente mentia. Afirmam e provam agora os seus seguidores que o senhor Passos Coelho descaradamente mentia.

Cidadão sem partido, sem tacho, amizades ou dependências políticas, livre que nem andorinha, pergunto-me que proveito move as senhoras e senhores que tanta energia e palavras gastam no fingimento de que protestam contra a mentira, e sinceramente querem endireitar o torto. Será mau hábito que têm? Achaque que lhes dá? Sendo apenas figurantes e vassalos, imaginam-se actores de primeira?

De qualquer modo o espectáculo é deprimente, menos pela fantochada do que pelo que põe à mostra de sabujice. E mal, muito mal, vai à vida política da nação, quando o debate público ganha o tom das rixas de taberna".

[J.Rentes de Carvalho]

19.11.25

Quem não gosta de vinho tem maus fígados?


a. almeida

"Há quem confunda ciência com religião, e divulgação científica com catequese. David Marçal, com crónica residente do Público, é um desses casos paradigmáticos — um personagem que, nos últimos anos, foi entronizado por certa comunicação social como uma espécie de sumo-sacerdote da “boa ciência”. Não se sabe bem por que méritos — talvez por ubiquidade mediática, talvez por conveniência ideológica —, mas o estatuto de “voz da razão” que lhe atribuíram sempre me pareceu suspeito. E digo “suspeito” porque a ciência, quando é ciência, é essencialmente dinâmica, provisória e contestável. Aquilo que é dogmático não é ciência: é fé travestida de método."

Artigo de opinião de Pedro Almeida Vieira no "Página Um"

[Fonte e texto integral]

 

20.10.25

O "investimento" a dar frutos


a. almeida

Da imprensa - RTP: "APAV. Mais de 2.800 pais pediram ajuda por violência dos filhos nos últimos três anos.
O número de progenitores agredidos pelos filhos que pediram ajuda à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima aumentou mais de 27% nos últimos três anos, ultrapassando as 2.800 pessoas, uma média de 2,6 casos por dia.

Segundo as estatísticas da APAV sobre "Filhos/as que agridem Os Pais/As Mães", a que a Lusa teve acesso, entre 2022 e 2024, o número de vítimas aumentou de ano para ano, registando-se 815 casos no primeiro ano, 962 no ano seguinte e 1.036 em 2024.

Significa que, no global, há um aumento de 27,1% e que, em média, a APAV ajudou cerca de 78 pessoas por mês, 18 por semana e 2,6 por dia.

Em declarações à Lusa, Cynthia Silva, criminóloga na APAV, apontou que este aumento "pode significar que há mais vítimas a procurarem o apoio da APAV", o que é um "aspeto positivo", mas chamou a atenção para outra percentagem, a das pessoas que ficam em silêncio."

Uma conclusão:
Tempos houve em que a ordem e disciplina na casa eram impostas com mão dura e castigos pesados. Nunca fui dos mais travessos e por isso menos atingido, mas numa casa com 10 filhos, o meu pai também impunha a ordem, mesmo sem severidade extrema. Na vizinhança, raro era o casal que não tinha pelo menos meia dúzia de filhos e até era normal o dobro disso. A tónica comum era mesmo a disciplina rigorosa. Aprendiam uns pelos outros.

Ainda assim, decorridos todos estes anos, sinto que cada castigo que me foi aplicado mostrou-se necessário e pedagógico e porventura até com algum défice. Todos os restantes irmãos não se livraram disso e todos deram homens e mulheres a sério. Mas, claro que havia excessos, muitos, porque em boa parte era cultural, e se houvesse queixinhas pelo rigor da professora na escola, a dose dobrava em casa. Era certinho e direitinho.

No entretanto os tempos mudaram e, bem à portuguesa, depressa se passou do 8 para o 80, com todos os exageros. Agora não se pode falar alto ou dar um tabefe a um filho ou a um aluno, por mais merecido que seja, por ser o mais rufia, indsciplinado e até ofensivo para os pais, professores ou colegas. Estamos no tempo do absurdo e dele não escapam as instituições. Em muitos casos são os pais a ofenderem-se que os professores os substituam no dever da educação que, no geral, é nenhuma. Indignam-se com uma repreensão. É motivo de queixa e, tantas vezes, de esperas ameaçadoras no final das aulas

Assim, estas notícias de que já não são os pais os agressores dos filhos, mas o contrário, e os números revelados serão apenas a pontinha do icebergue, tenho cá para mim que para muitos pensadores, estes sinais são de progresso. No fim de contas, a política do desleixo e da permissividade a todo o custo, em que a disciplina e a ordem são coisas para relevar ou mesmo proibidas, está já a dar frutos. Devem, pois, estar muito satisfeitos todos os arautos e defensores de que as criancinhas não devem ser submetidas ao processo da educação e da disciplina, mesmo que isso implique levantar-lhes a voz, dizer-lhes que não, e mesmo a aplicação de uns bons  tabefes se necessários.

Em suma, é sempre bom quando o "investimento" começa a resultar.

Deitem foguetes!