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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

01.12.25

O exercício da mentira


a. almeida

"Afirmavam e provavam os oponentes que, como primeiro-ministro, o senhor Sócrates descaradamente mentia. Afirmam e provam agora os seus seguidores que o senhor Passos Coelho descaradamente mentia.

Cidadão sem partido, sem tacho, amizades ou dependências políticas, livre que nem andorinha, pergunto-me que proveito move as senhoras e senhores que tanta energia e palavras gastam no fingimento de que protestam contra a mentira, e sinceramente querem endireitar o torto. Será mau hábito que têm? Achaque que lhes dá? Sendo apenas figurantes e vassalos, imaginam-se actores de primeira?

De qualquer modo o espectáculo é deprimente, menos pela fantochada do que pelo que põe à mostra de sabujice. E mal, muito mal, vai à vida política da nação, quando o debate público ganha o tom das rixas de taberna".

[J.Rentes de Carvalho]

12.08.25

Os contos do José da Xã


a. almeida

Acabei de ler os dois livros que simpaticamente me ofereceu o José da Xã

Li com todo o gosto, e no geral apreciei bastante. Sendo que gostei mais de alguns contos do que de outros, o que é normal, em todos consegui captar emoções, sentimentos e mensagens.

A escrita do José é envolvente, descritiva, e coloca-nos facilmente nos diferentes ambientes,  juntos e mesmo na pele das personagens — quase como se estivéssemos a assistir in loco.

Dentro dos meus gostos pessoais, e cada leitor tem as suas manias, senti que alguns finais ficaram com algo em aberto, como se a pedirem um desfecho mais forte, mas, ainda assim, na maioria, sintomáticos e mesmo a deixarem uma introspecção, quase como a convidar o leitor a concluir de acordo com a mensagem que extraíu de cada história, pelo que cada final pode ter diferentes conclusões.

Fico agradecido ao José pela oferta e deixo o meu incentivo para que continue a escrever — porque, com essa capacidade narrativa pode facilmente entrar em algo mais ambicioso.

23.05.25

As verdades que doem


a. almeida

No Chega votaram ricos e pobres, urbanos e rurais, mulheres e homens, liberais e estatistas, intelectuais e incultos. Entre um milhão e meio de eleitores do Chega encontram-se perfis pessoais variadíssimos e, provavelmente, um milhão e meio de diferentes razões de voto.

Mas como chão comum a tanta gente talvez estejam algumas ideias simples: o voto no Chega é o que mais irrita os jornalistas e comentadores que querem impôr uma narrativa paternalista no espaço público; é o voto que mais assusta uma classe política que protege e reparte poder e privilégios entre si há décadas; é o voto que mais indigna os sinalizadores de supostas virtudes; é o voto que mais deixa raivosos aqueles que se sentem ungidos por uma superioridade moral.

 

[Telmo Azevedo Fernandes - Blasfémias - continuar a ler]

13.11.24

A berrar e a borrar


a. almeida

Hoje sinto-me preguiçoso. Assim, não porque precise ele de publicidade, faço de um comentário do Pedro Correia, no "Delito de Opinião", o post deste dia. Sei que são perguntas "difíceis" mas haverá sempre alguém que saiba as respostas. Com sorte, talvez os berradores e os borradores.

"...Sobre a agenda climática convém assinalar o seguinte: só a UE está a cumprir escrupulosamente a referida agenda. Em mais nenhuma parte do mundo - do Brasil do senhor Lula à China do ditador Xi - isso ocorre.
E no entanto só aqui, na Europa Ocidental e Central, aparecem "activistas climáticos" a berrar contra os governos e a borrar edifícios e museus com tintas e outra porcaria?.
Por que raio não irão eles berrar e "agir" em Nova Deli, Pequim, Moscovo, Manila, Cairo, Nairobi ou Joanesburgo?"

 

05.11.24

Peças do mesmo molde


a. almeida

Não sou o primeiro a afirmá-lo, nem, com toda a certeza, o último. Ainda agora e bem melhor que eu, o escreveu J. Rentes de Carvalho, patrão da barca do "Tempo Contado".

Mas, de facto, vivemos num tempo em que somos, literalmente, levados a acreditar no que nos impingem os senhores que, de um ou outro modo, vão sendo os "donos disto tudo", a começar pela comunicação social, esta há muito com a alma e o resto da mobília vendidas ao diabo, como quem diz aos interesses de grupos, agendas partidárias e ideológicas e lobies mais ou menos obscuros que com ares de quem nos governa e seriamente preocupados pelo nosso bem-estar geral, vão ditando as leis e impondo as regras e as modas, por mais estapafúrdias e wookianas que sejam. Por todos os meios procuram reescrever a História, rever livros, adoçar narrativas. Em suma, uma enorme lavandaria de cérebros menos dados a escrutínio proprio.

Por conseguinte, o mandá-los "à merdinha" ou a dar uma "volta ao bilhar grande" já não basta e porventura o melhor remédio será ignorá-los e continuar a pôr o pé fora das argolas com que nos tentam emaranhar.

Não obstante, a resmunguice mais ou menos resignada de uns poucos choca com a dimensão do rebanho que obediente segue os carneiros-mor. Alinham-se a passo milimétrico como a soldadesca de uma Coreia do Norte na parada militar perante o supremo morcão e líder Kim Jong. O rebanho exulta com as narrativas das supremas cabecinhas pensadoras e surfa na onda da aceitação de que o obsceno é normal e curriqueiro.

Discute-se no café ou nas redes sociais os principescos ordenados que se pagam a desportistas e acolhe-se a notícia de que um qualquer treinador porreiraço irá ganhar 8 milhões por época como se isso seja pouco mais que o ordenado mínimo de um qualquer pedreiro ou trolha. Mas aqui o treinador de quem se fala, é apenas um gota nesse oceano de obscenidade salarial e nem sequer é ele o culpado nem dos que mais ganha, longe disso. Têm-na, a culpa, na justa medida que temos cada um de nós, peças uniformes desta moderna sociedade. Nem mais nem menos!

Assim como assistir à carnaficina nas guerras, atentados terroristas e conflitos vários, vai-nos retirando sensibilidade  a ponto de aceitarmos estas situações e notícias com uma naturalidade de mansos e ordeiros como gado a entrar no matadouro.

Passamos há muito os limites da idade da inocência e já nada nos comove ou nos abala nos alicerces da nossa indiferença. Estamos no ponto! Cada um um pedaço de barro pronto a ser moldado, mas já não na roda do oleiro, mas para não haver peças únicas, apenas pela uniformidade de um molde. Todos iguaizinhos! 
Vamos, pois, andando neste turpor geral em que tudo continuará a ser mais do mesmo, expectável, previsível. 

Como escreveu o velho escritor e pensador "...só que o dito não é para aqui chamado, esse “à vontade do freguês” é modo de dizer, pois já não há freguês no sentido corrente. Nem sequer loja, mas estádios plenos de multidão entusiasmada, gritando e saltando ao mando do deejay, esquecida que é rebanho, e terminada a música, as luzes, o foguetório, a espera, o chicote e a mordaça."

31.10.24

Modernas inquisições


a. almeida

Essa queixa-crime contra dois deputados do Chega e um assessor que já reuniu mais de 100 mil assinaturas é uma palhaçada judicial de todo o tamanho, própria de quem não tem tradição democrática e procura, através do tribunal judicial, meter na prisão os adversários políticos, em lugar de os vencer no tribunal da opinião pública.
Tudo o que os deputados do Chega disseram (e o seu assessor também) é puro direito à liberdade de expressão, ampliado pela sua condição de deputados da Nação, e perfeitamente enquadrável na jurisprudência do TEDH sobre esta matéria.

[Pedro Arroja - Portugal Contemporâneo]

 

Palhaços e palhaçadas nunca hão-de faltar, sobretudo no nosso panorama político e politiqueiro. O difícil é escolher. E como de facto não somos todos criancinhas da pré-escola, não é preciso reunir um cento de mil assinaturas para achar tudo isto uma verdadeira palhaçada. Mas têm medo de quê esses subscritores? Que a democracia não funcione?  Vai daí, que a Justiça deva decidir o que não decide o povo nas urnas?

Por este andar, um dia destes juntar-se-ão mais 100 mil inquisitores a pedir para colocar na alçada da Justiça e na choldra todos os que tiverem a ousadia de votar no Chega. Já faltou mais! Terão prisões para tantos?

24.07.24

Abrir ou fechar a porta


a. almeida

Creio que por ontem, deixei um comentário num post em que a autora dizia ser o primeiro que escrevia e que até mereceu da plataforma um destaque. Nada mal para um primeiro post. Uma cavadela, uma minhoca.

A propósito, confesso que nunca percebi os critérios dos "destaques" e talvez por isso é pouca a importância que lhes dou. Se mereci algum, nem me apercebi. De resto, do pouco que consigo descortinar, deve ser de ondas, sendo que, parece-me, há temas bandeira. Por exemplo se escrevesse aqui positivamente sobre uma marcha de orgulho LGBTQQICAAPF2K+XYZ+ABC+, um artigo a desancar no Chega ou a partilhar a receita de um bolo de diospiro,  ou aquela viagem que nunca fiz fora de Portugal, provavelmente seria merecedor de um destaque.  Talvez, mas isto sou eu a especular.

Mas como não sigo tendências e até admito que o palato dos leitores não está habituado aos sabores ácidos com que, reconheço, polvilho as minhas pobres considerações, não posso aspirar a grandes plateias. Na gíria do negócio, para isso resultar teria que mudar de ramo, ou de galho conforme o macaco.

Mas dizia, que o post inicial gera sempre essa "ansiedade" e daí a expressa pela autora. E respondi que esse era sempre importante porque o primeiro passo de uma caminhada e que pela minha parte, em oposição,  já estou a pensar em quando tomarei a decisão de publicar aqui o último, ou pelo menos o último a anteceder uma pausa que poderá ser até ao fim das férias, como até à véspera do Natal, da Páscoa, do Dia de Camões ou do S. Nunca. Talvez num destes dias.

É que isto de escrever, mesmo que com prazer, cansa, para além de que, convenhamos, tirando uma dúzia de espaços bem cimentados na qualidade e no tempo e, vá lá, nos tais "destaques",  regra geral é escrever para meia dúzia de acidentais visitantes, quase como na maioria das plateias dos nossos teatros em que se contam pelos dedos das mãos, e quando muito juntos os dos pés, os que se dignam a pagar bilhete para assistir. Num blog, todavia, a coisa é pior porque é tudo servido à borla e nem assim...

Mas vamos indo e andando e tendo em conta que nada é eterno e a experimentação faz parte do progresso, para além de que a diferença entre o abrir e fechar uma porta é apenas no sentido em que se roda a chave. Tão simples!