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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

02.02.26

O fim - Porque há que desocupar a loja


a. almeida

Antes de ser posto fora da porta, com despedimento anunciado mas sem justa causa, ao fim de dois anos e de pouco mais de 600 publicações, este espaço fica-se por aqui. Daqui a a alguns dias soltarei qualquer amarra que tenha à plataforma e à MEO. Perderá um cliente mas para esta gente um cliente é apenas um número. "Humaniza-te" é apenas um slogan, um merdismo comercial.

Entre alguns (poucos) trolls, foram muitos os que passaram por aqui com regularidade, interessados, ocasionais e regulares, incluindo algumas dezenas de subscritores.

Ainda pensei retomar o blog noutra plataforma, como refugiado, mas considero que pelo tempo de existência não se justifica. Valeu pela experiência. De resto, já me ocupam outros espaços e projectos. Qualquer espaço similar será criado do zero, sem qualquer herança.

A todos os que por aqui encontraram opiniões, pensamentos e reflexões com algum valor, comentaram e reagiram, bem-hajam. Sejam felizes!

26.01.26

Holocausto blogosférico


a. almeida

Como já sabido, a plataforma Sapo Blogs, continua em estado de forte caganeira, sem cura, e como tal, usando um daqueles eufemismos modernaços, vai ser descontinuada, tal como a MEO Cloud. Pior do que isso,  é o holocausto blogosférico que se seguirá, a partir de 30 de Novembro, uma vez que nem mesmo o arquivo será mantido. Será, pois, uma extinção em massa e tudo, presumo, em nome da massa. Mesmo os processos de exportação não são garantia de compatibilidades com outras plataformas. Das tentativas que fiz, todas falharam.

Por parte deste simples blog, a perda é pouca, reconheço, porque ainda novo por aqui, e basicamente com espuma dos dias, mas para quem de facto anda por cá com amor e paixão há muitos anos, alguns desde o princípio, mais do que escrevendo criando amizades e ligações, a coisa pia mais fino e o desapontamento, do que tenho lido, é maior e geral.

Seja como for, nada é eterno e duradouro e sabemos que “It’s just business.”

Posto isto, terminará, entretanto, esta aventura, pelo que agradeço aos que por cá têm passado com regularidade, mesmo aqueles queridos que apenas para desdizer e maldizer. Vou ter saudades.

Por agora não tenho intenção de pedir asilo noutra plataforma. Se o decidir até à data da exterminação programada, direi qualquer coisinha.

01.12.25

O exercício da mentira


a. almeida

"Afirmavam e provavam os oponentes que, como primeiro-ministro, o senhor Sócrates descaradamente mentia. Afirmam e provam agora os seus seguidores que o senhor Passos Coelho descaradamente mentia.

Cidadão sem partido, sem tacho, amizades ou dependências políticas, livre que nem andorinha, pergunto-me que proveito move as senhoras e senhores que tanta energia e palavras gastam no fingimento de que protestam contra a mentira, e sinceramente querem endireitar o torto. Será mau hábito que têm? Achaque que lhes dá? Sendo apenas figurantes e vassalos, imaginam-se actores de primeira?

De qualquer modo o espectáculo é deprimente, menos pela fantochada do que pelo que põe à mostra de sabujice. E mal, muito mal, vai à vida política da nação, quando o debate público ganha o tom das rixas de taberna".

[J.Rentes de Carvalho]

12.08.25

Os contos do José da Xã


a. almeida

Acabei de ler os dois livros que simpaticamente me ofereceu o José da Xã

Li com todo o gosto, e no geral apreciei bastante. Sendo que gostei mais de alguns contos do que de outros, o que é normal, em todos consegui captar emoções, sentimentos e mensagens.

A escrita do José é envolvente, descritiva, e coloca-nos facilmente nos diferentes ambientes,  juntos e mesmo na pele das personagens — quase como se estivéssemos a assistir in loco.

Dentro dos meus gostos pessoais, e cada leitor tem as suas manias, senti que alguns finais ficaram com algo em aberto, como se a pedirem um desfecho mais forte, mas, ainda assim, na maioria, sintomáticos e mesmo a deixarem uma introspecção, quase como a convidar o leitor a concluir de acordo com a mensagem que extraíu de cada história, pelo que cada final pode ter diferentes conclusões.

Fico agradecido ao José pela oferta e deixo o meu incentivo para que continue a escrever — porque, com essa capacidade narrativa pode facilmente entrar em algo mais ambicioso.

23.05.25

As verdades que doem


a. almeida

No Chega votaram ricos e pobres, urbanos e rurais, mulheres e homens, liberais e estatistas, intelectuais e incultos. Entre um milhão e meio de eleitores do Chega encontram-se perfis pessoais variadíssimos e, provavelmente, um milhão e meio de diferentes razões de voto.

Mas como chão comum a tanta gente talvez estejam algumas ideias simples: o voto no Chega é o que mais irrita os jornalistas e comentadores que querem impôr uma narrativa paternalista no espaço público; é o voto que mais assusta uma classe política que protege e reparte poder e privilégios entre si há décadas; é o voto que mais indigna os sinalizadores de supostas virtudes; é o voto que mais deixa raivosos aqueles que se sentem ungidos por uma superioridade moral.

 

[Telmo Azevedo Fernandes - Blasfémias - continuar a ler]

26.02.25

A língua que nos deram


a. almeida

Perdoar-me-á, o J. Rentes de Carvalho, mas não resisto a reproduzir na íntegra uma das suas pérolas da escrita e pensamento. De resto, é por uma boa causa, porque de facto andamos , de há muito, a cavar nesta imbecilidade de usarmos os inglesismos por tudo e por nada, não só na fala e na escrita, como nas parangonas dos títulos ou designações de eventos. Cada tiro cada melro, cada cavadela, cada minhoca. Somos uns tristes e nma miséria que não se compreende com a riqueza da nossa língua, de Camões, de Eça, de Pessoa, de Torga e tantos, tantos outros. De facto gostamos de usar fantasias carnavalescas que nos ficam curtas nas mangas e com isso, mesmo em Carnaval, ficamos ridículos.

 

"A língua que nos deram

Todos conhecemos momentos em que se hesita entre a gargalhada e o choro, mas não são esses os piores. Ruins mesmo são os que enfastiam e nos deixam num estado de prostração, porque pôr o dedo na chaga de nada adianta quando sabemos que nos falta remédio para ela.

Vem isto a propósito do fenómeno generalizado e nacional do arroto de postas de pescada no que toca o uso a língua inglesa. De doutor a semi-analfabeto há uma rapaziada a quem se lhes meteu na cabeça que a demonstração de ser fino, sabido, pertencer aos eleitos, à fina-flor, não dispensa umas pazadas de Inglês. E vá de arrotar. Ora em exclamações, ora citando meia página de Shakespeare, umas frases de Johnson, às vezes lavra própria, causando arrepios a quem sabe da poda e se pergunta se aquilo é sintoma de doença.

Porque doença é, e uma forma de pobreza. Nada mais deprimente do que ver alguém, julgando que bota figura no carnaval da intelectualidade, usar uma fantasia que lhe fica curta nas mangas.

Oiça, mesmo na forma simples e popular, a sua, a nossa língua-mãe é tão rica que lhe permite exprimir adequadamente, e até com elegância, os seus sentimentos, conviver, comunicar impressões, participar no trato social. Quer mais? Abra os ouvidos. Ainda há gente a falar um Português correcto. Quer apurar o vocabulário e o estilo? Tem aí Fernão Lopes, Vieira, Camões, Bocage, Fialho, Eça, Pessoa, tantos outros. Leia.

Mas por favor, caia em si, poupe-nos o espectáculo, não se envergonhe de quem é, de quem somos, da língua que nos deram."

J. Rentes de Carvalho