Do JN, de ontem:
"Há um revanchismo discursivo em relação à Esquerda que ganhou volume com os resultados eleitorais. A Direita sente que está com as costas quentes e que pode achincalhar os perdedores. Não falta quem venha reforçar o mito propagado pela extrema-direita de que temos vivido numa espécie de regime socialista nos últimos cinquenta anos e é hora de celebrar a libertação. Como se o PS tivesse governado até à semana passada e como se essa governação fosse realmente socialista. Esse discurso delirante vem acompanhado da vontade de mudar a Constituição e de eliminar o preâmbulo que lhes “legitima” o delírio.".
Apresenta-se como música e escreve no JN. Confesso, todavia, que não conheço uma única música das suas e por conseguinte é-me para o caso tão relevante como uma qualquer música anónima que escreve para o jornal da freguesia. Falha minha, admito! Sou mais dos Pink Floyd!
Não tenho eu o ensejo de ser pago para escrever, pelo que escrevo por aqui, de borla. E hoje escrevo apenas para dizer que acho graça ao que escreveu a Capicua. Dava uma boa músíca se com um ritmo revolucionário.
Então a Capicua entende que há um "revanchismo discursivo em relação à Esquerda"? E que a Direita "achincalha os perdedores"?
Mas, então, não foi sempre isso que fez a Esquerda em relação à Direita? Não foi a "geringonça" um hino a esse achincalhamento, fazendo dos perdedores vencedores e do PS, derrotado por Passos Coelho, fazendo emergir das brumas da maioria parlamentar um Primeiro MInistro? E lembra-se, a Capicua, das "costas quentes" do António Costa a debitar pérolas como o "habituem-se!"?
Quanto ao "...Como se o PS tivesse governado até à semana passada e como se essa governação fosse realmente socialista": Ó Capicua, de facto não foram 50 anos de governação socialista, mas convenhamos que foram muitos. Basta dizer que nas duas últimas décadas o PS governou 15 anos. Se quisermos recuar, nos úlitmos 30 anos foram 22 de socialismo. É uma boa relação, não é? Se fosse uma proporção de whisky com coca-cola, já dava uma valente moca.
Convenhamos que, com tantos anos de governação, é difícil aos nossos socialistas argumentarem que não têm responsabilidades no que de mal se fez e sobretudo do que não foi feito. Tem sido, pois, mais que suficiente para justificar o que até aqui falhou, mesmo considerando que pelo meio alguém teve o penoso trabalho de remendar o barco que, à derivam pelo timoneiro Sócartes, naufragava, já com a água a chegar ao pescoço do país.
Por conseguinte, não sei o que vale a Capicua, admito que até com qualidade, mas mesmo que fraquinha será melhor música que opinadora, sobretudo a defender a sua Esquerda. Não com este refrão, com esta argumentação.