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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

20.01.26

O Carneiro a ser carneiro e contorcionistas


a. almeida

Que bonito e caricato é ver agora as figuras socialistas, as mesmas que tanto depreciaram e desconsideraram António José Seguro enquanto proto-candidato e candidato, a "engolirem sapos" e a contorcerem a espinha. Reclamam agora um estatuto de "amigos de infância", desde a escola primária, acotovelando-se para ficar ao lado daquele que, se depender de mim, será o próximo Presidente da República.

Esta gente não tem vergonha nem espinha dorsal. Pensam que as pessoas — a começar pelo próprio Seguro, o "Tozero", não têm memória. Mas têm! Veja-se o exemplo recente de Marta Temido: deve estar com dores de tanto torcer a espinha, dada a contradição absoluta entre a opinião que tinha e a que agora demonstra pelo "quase" Senhor Presidente.

Por outro lado, José Luís Carneiro, agindo como se fosse o obreiro da vitória de Seguro (que apenas apoiou por obrigação), vem exigir ao Primeiro-Ministro que se coloque ao lado do candidato. Mas por que carga de água? O Primeiro-Ministro já deixou claro que nenhum dos candidatos na segunda volta representa o seu espaço político; logo, não tem de se pronunciar, muito menos declarar apoio.

Além disso, há um detalhe que faz toda a diferença: ele é Primeiro-Ministro e tem de governar. Sem maioria parlamentar, num esforço constante de entendimento à esquerda e à direita, em nada o ajudaria posicionar-se agora. Quem não compreende isto? Talvez um "bronco", mas Carneiro?

Enfim, se este cenário arrelia até o mais santo, a verdade é que não surpreende. Afinal, é com esta massa que se coze a nossa política e as suas figurinhas.

20.11.25

Usar, abusar e brincar


a. almeida

Certa publicidade, a bem dizer quase toda, é ridícula porque desfazada da realidade. De resto, será esse o objectivo dela, de vender o que não precisamos, de nos levar a comprar o que é dispensável, de vermos virtudes onde tudo é fatela, normal ou defeituoso.

Ainda agora, anda pela rádio uma publicidade do Novo Banco em que uma gerente da Hortículas Casal da Avô liga para o banco a pretender falar com o gerente de conta e a atendendora, solícita, diz que foi ver e que, afinal, o homem até está lá no Casal, disponível, por entre os tomates, alfaces e couves-galegas.

Ridículo! Desde logo experimentem ligar para o Novo Banco e contabilizem o tempo que precisam para chegar à fala com quem quer quer seja, isto depois de percorrerem o costumeiro labirinto automático de opções e mais opções. Das vezes que senti essa necessidade, desisti ao fim de largos minutos, mesmo perante um problema sério, de quebra de segurança no acesso ao Home Banking, que em rigor nunca me foi esclarecido.

Mesmo na própria agência, que aos poucos tem sido mutilada no número de funcionários e horários de atendimento, numa simples operação de depósito em caixa posso ter de esperar 30 minutos e apenas num curto período temporal das 13 às 15 horas. Chegou a ser a qualquer hora, de manhã ou à tarde, mas reduziram, imagine-se a lata desta gente, "para um melhor serviço". Outra qualquer operação e atendimento pessoal tem de se agendar e é coisa para esperar mais de uma hora, e quando acontece, pouca ou nenhuma simpatia, a despachar. 

Enfim, cada vez menos por mais, mesmo que gente sorridente a publicitar o contrário. Quanto mais reduzem o horário, o atendimento pessoal e presencial, quanto mais reduzem no papel, mais sobe a comissão de conta.

Não surpreende por isso, que todos os bancos apresentem grandes lucros, absurdos, em grande parte devido às comissões. Absurdo mas sem controlo porque tudo é à tripa farra, sem rédea curta por parte de quem poderia impor limites aos abusos.

Como se não bastasse, espetam-nos com estas publicidades, como que a gozar com quem trabalha. A descaradeza também deveria pagar comissão ao Estado. Só dos bancos seria uma fortuna diária.

Perante isto, mudar de banco? Para qual, se todos seguem a mesma cartilha e cantam a mesma cantiga?

16.11.25

A sério? Sempre o futebol?


a. almeida

Você percebe que está em Portugal e não no Bangladesh, quando o telejornal do principal canal da televisão pública abre com o assunto de um jogo da bola, em que a selecção nacional, seja lá o que isso signifique, vai defrontar uma equipa tendencialmente de  toscos, uma tal de Arménia. Parece que, dizem , o jogo é decisivo. Não sei para quem é decisivo. Nestas coisas da bola há muito que aprendi dar-lhe a devida e relativa importância: pouca ou nenhuma. Se perder e ficar de fora do mundial, o que é altamente improvável, ninguém vai acordar com as ruas e casas inundadas, árvores caídas, derrocadas, automóveis destruídos ou as urgências médicas fechadas.

Assuntos importantes e sérios neste país é secundário.  Sempre o futebol!

14.11.25

Sempre a somar


a. almeida

Por coisas cá minhas, fiquei satisfeito com a vitória da Irlanda sobre Portugal. Num instante vi-me num pub irlandês, de Guiness na mão, a torcer pelos rapazes de verde.

Num grupo de "favas contadas", a sobranceria nunca foi boa conselheira. E se a senti em diferentes tempos na selecção, também muito na comunicação social. Ainda ontem falava-se que o jogo poderia servir para Ronaldo elevar-se mais um pouco no seu estatuto, no que poderia contribuir para conseguir o golo mil, quiçá mudar de ideias e ainda ter como objectivo participar nos próximos três mundiais. Todavia, o máximo que conseguiu no jogo foi uma expulsão por agressão maldosa, que dizem ter sido a primeira ao serviço da selecção. Sempre a somar recordes.

Apesar de tudo, será preciso que a selecção vá a jogo com 5 coxos e 6 cegos para que  não carimbe a vitória e o apuramento no próximo jogo, mesmo que, cuidado, com a potência futebolística que é a Arménia.

Isto de gozar com quem trabalha...

08.10.25

Portugal Football Globes, no país dos parolos


a. almeida

Da imprensa: "Realizou-se, na noite de terça-feira, a primeira gala do Portugal Football Globes, evento organizado pela Federação Portuguesa de Futebol que contou com a presença de as mais altas figuras do futebol nacional, bem como do futebol de praia e do futsal."

Não, não foi na Inglaterra, Estados Unidos, Austrália ou Nova Zelândia. Foi mesmo em Portugal, com e para portugueses. Logo esta designação de "Portugal Football Globes", e com outros inglesismos à mistura, é de um parolismo e provincianismo no pior sentido. Que os imigrantes sejam cada vez mais e de forma descontrolada, e ainda agora uma leva deles que por cá haviam entrado por mar ao arrepio da legalidade, já estão soltos, e andam por aí a fazerem o que bem lhes apetece, suportados pela Segurança Social, já se sabia, mas que isto já seja uma república das bananas com o inglês como língua oficial, ainda faltam uns passos. Não muitos, mas faltam!

Mas é isto que temos, mesmo que choque este parolismo, esta desconsideração à língua de Camões, de Pessoa e Saramago. 

06.10.25

A flotilha do ridículo ao cubo


a. almeida

Está mais ou menos terminada a novela da flotilha mediática. Os "heróis e heroinas", chegaram sãos e salvos (sabe-se lá com despesas pagas por quem). Por mim podiam ficar por lá a activar.

Na parte que toca aos turistas portugueses, decorreu e acabou exactamente conforme programado, para os próprios, e rigorosamente conforme previsto para quem esteve de fora. Nada, nada, no mais ínfimo pormenor, se desviou do roteiro, nem as queixinhas de  "fome e sede" que aquelas pobres criaturas dizem ter passado.

Fosse assim fácil adivinhar o resultado do euromilhões e o primeiro prémio daria apenas 1 euro a cada premiado, de tão previsível.

Sem mais delongas, o resultado foi ridículo, ridículo, ridículo. Não menos ridículo do que isso, a imensa cobertura mediática dada à novela, numa prova provada que a nossa CS também deveria ir a votos e ser reduzida, democraticamente pelo eleitores, à sua insiginificância.

Siga, que ainda há sumo para espremer! Arme-se já uma flotilha terrestre para ir para Moscovo reclamar pela injustificada invasão de um país livre, para Tiananmen, em Pequim, a manifestar contra o desrespeito pelos direitos humanos e falta de democracia, ou logo acima, na Coreia do Norte, a vociferar pela ditadura medieval do Kim. Bóra lá!.

02.10.25

Os partidos a darem música


a. almeida

Constato, ouvindo pela Rádio Observador, que no tempo de antena concedido aos partidos concorrentes às eleições autárquicas, vários partidos, da esquerda à direita não aproveitam os mesmos, não facultando os conteúdos. Ora a Rádio, porque naturalmente lhes interessa manter o espaço porque recebem, passa música para entreter tolos. Já o hino da IL, em vez de algo mais substancial, é oportunidade para ir à casinha aliviar a tripa. Só pode ser gozo!

Vai mal a coisa, desperdiçando o Estado verbas para estas merdices, mesmo palhaçadas. Era acabar com os tempos de antena e pelo menos alguma coisa se poupava. Para além disso, acabava-se com  estas desconsiderações para com os ouvintes e eleitores.

Se as rádios locais recebem 14,80 euros por minuto, certamente que de âmbito nacional a coisa pia mais fino. 

Atentos aos valores pagos pelo serviço para as Legislativas de Maio passado, percebe-se que a coisa não fica propriamente barata aos contribuintes: Veja-se e pasme-se:
Rádio e Televisão de Portugal 79,67 mil euros, à Rádio Comercial 255,13 mil euros e à Rádio Renascença 319,75 mil euros, valores aos quais se aplicam taxas e impostos.