20.01.26
O Carneiro a ser carneiro e contorcionistas
a. almeida
Que bonito e caricato é ver agora as figuras socialistas, as mesmas que tanto depreciaram e desconsideraram António José Seguro enquanto proto-candidato e candidato, a "engolirem sapos" e a contorcerem a espinha. Reclamam agora um estatuto de "amigos de infância", desde a escola primária, acotovelando-se para ficar ao lado daquele que, se depender de mim, será o próximo Presidente da República.
Esta gente não tem vergonha nem espinha dorsal. Pensam que as pessoas — a começar pelo próprio Seguro, o "Tozero", não têm memória. Mas têm! Veja-se o exemplo recente de Marta Temido: deve estar com dores de tanto torcer a espinha, dada a contradição absoluta entre a opinião que tinha e a que agora demonstra pelo "quase" Senhor Presidente.
Por outro lado, José Luís Carneiro, agindo como se fosse o obreiro da vitória de Seguro (que apenas apoiou por obrigação), vem exigir ao Primeiro-Ministro que se coloque ao lado do candidato. Mas por que carga de água? O Primeiro-Ministro já deixou claro que nenhum dos candidatos na segunda volta representa o seu espaço político; logo, não tem de se pronunciar, muito menos declarar apoio.
Além disso, há um detalhe que faz toda a diferença: ele é Primeiro-Ministro e tem de governar. Sem maioria parlamentar, num esforço constante de entendimento à esquerda e à direita, em nada o ajudaria posicionar-se agora. Quem não compreende isto? Talvez um "bronco", mas Carneiro?
Enfim, se este cenário arrelia até o mais santo, a verdade é que não surpreende. Afinal, é com esta massa que se coze a nossa política e as suas figurinhas.