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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

06.10.25

A flotilha do ridículo ao cubo


a. almeida

Está mais ou menos terminada a novela da flotilha mediática. Os "heróis e heroinas", chegaram sãos e salvos (sabe-se lá com despesas pagas por quem). Por mim podiam ficar por lá a activar.

Na parte que toca aos turistas portugueses, decorreu e acabou exactamente conforme programado, para os próprios, e rigorosamente conforme previsto para quem esteve de fora. Nada, nada, no mais ínfimo pormenor, se desviou do roteiro, nem as queixinhas de  "fome e sede" que aquelas pobres criaturas dizem ter passado.

Fosse assim fácil adivinhar o resultado do euromilhões e o primeiro prémio daria apenas 1 euro a cada premiado, de tão previsível.

Sem mais delongas, o resultado foi ridículo, ridículo, ridículo. Não menos ridículo do que isso, a imensa cobertura mediática dada à novela, numa prova provada que a nossa CS também deveria ir a votos e ser reduzida, democraticamente pelo eleitores, à sua insiginificância.

Siga, que ainda há sumo para espremer! Arme-se já uma flotilha terrestre para ir para Moscovo reclamar pela injustificada invasão de um país livre, para Tiananmen, em Pequim, a manifestar contra o desrespeito pelos direitos humanos e falta de democracia, ou logo acima, na Coreia do Norte, a vociferar pela ditadura medieval do Kim. Bóra lá!.

02.10.25

Depois dos demorados preliminares, o climax


a. almeida

E pronto! Com tão demorados preliminares, era de esperar o climax. De resto foi tudo meticulosamente planeado e realizado para esse fim. Nunca uma viagem pelo Mediterrâneo demorou tanto, nem no tempo dos fenícios, cartagineses ou romanos, mas era imperioso que o ponto de rebuçado fosse atingido, sob pena de acontecer uma ejaculação precoce.

A pseudo-flotilha humanitária, mais do tipo turístico-partidária-ideológica-activista, lá conseguiu o que realmente queria, o mediatismo, o barramento e a detenção pelas forças militares israelitas. Se em águas internacionais ou exclusivas, é irrelevante porque detidos seriam sempre. Apetece-me até dizer que alguns e algumas dos detidos até desejarão umas valentes bastonadas, porque, se a coisa fizer umas nódoas negras, serão troféus a provar a brutalidade daqueles judeus.

O resto, como propaganda, sempre foi acessório, folclórico até. Alguns e algumas vão pendurar essa medalha na sala de troféus e daqui a uns anos falarão disso, no papel de heróis e lutadores de causas, mesmo que sempre perdidas, aos filhos e netos, aqueles que, claro, conseguirem procriar. 

A mim e a muitos, sempre me pareceu um activismo de treta, um entretenimento para quem faz destas teatralidades a sua vida e ganha-pão. Quanto menos adeptos conseguem arregimentar em votos, mais folclore, mais extremismo. Por exemplo, a Mortágua, de um partido de uma mulher só e sozinha, achou bem mais útil trocar S.Bento por uma traineira, não para pescar sardinhas ou carapaus, mas captar o tempo de antena e microfones. Aquele seu ar de vítima de todos os males, adapta-se ao enredo.

A realidade, goste-se ou não, concorde-se ou não, é bem diferente e faz-se por outras vias. Nunca foi nem será com este tipo de expedientes, por mais que rendam cobertura mediática, que se resolvem os problemas do mundo, quando o que está em causa é o poder, incluindo o das armas. Ademais, o activismo para ter algum efeito, tem de ser genuíno, descomprometido de agendas ideológicas e mediáticas. Não perceber isso é não perceber de coisa alguma.

Da imprensa: "Se estás a ver este vídeo, é porque eu fui ilegalmente capturado pelas forças israelitas e levado para Israel contra a minha vontade", disse o "activista" português depois da detenção.

Tudo conforme previsto. Até diria que esta mensagem terá sido gravada de véspera, ou mesmo antes do embarque no cruzeiro, porque já todos sabiam, de há muito, o desfecho.  

Ridículo!

25.09.25

Onde pára a flotilha?


a. almeida

A flotilha activista, humanitária, turística, mediática e afins, já aportou em Gaza? 

Com preguiça, perguntei a um assistente de IA qual a distância marítima entre Barcelona e Gaza e que tempo demora a viagem utilizando um barco médio. Do que respondeu, com as diferentes variáveis, presume-se que a viagem demoraria 3 a 4 dias. Que fossem 7 ou 8.

Neste andar, vai demorar tanto tempo como o Vasco da Gama na viagem marítima para a Índia no séc. XV. De resto, era previsível. Quanto mais tempo, mais dura a coisa, o suspense, como nos antigos folhetins radiofónicos e nas modernas novelas. É disto que se trata, uma novela! 

 

1. Distância aproximada

A rota mais curta entre Barcelona (Espanha) e Gaza (Faixa de Gaza) pelo Mediterrâneo, em linha reta (rota ortodrômica), é de cerca de 3.000 a 3.200 km (≈ 1.600–1.700 milhas náuticas).

2. Velocidade de um barco médio

Isso depende do tipo de embarcação:

Veleiro de cruzeiro: 5 a 7 nós (9–13 km/h).

Iate a motor médio: 15 a 20 nós (28–37 km/h).

Navio de carga/ferry: 18 a 22 nós (33–41 km/h).

3. Tempo estimado de viagem

Veleiro (6 nós) → ~270 horas = 11 dias (navegando direto, sem paradas).

Iate a motor (18 nós) → ~90 horas = 3,5 a 4 dias.

Navio de carga (20 nós) → ~80 horas = 3 a 3,5 dias.

07.06.24

A arruaceiros dá-se palha


a. almeida

Dizem, e di-lo a Constituição, essa vetusta e séria senhora, que todos temos o direito à manifestção. Mario Soares até foi mais longe e fez jurisprudência quando afirmou que temos direito à indignação. 

Apesar disso, e a propósito do protesto que alguns "democratas" resolveram fazer em simultâneo  com o discurso de Von der Leyen  numa acção de campanha da AD na cidade do Porto, não há como dizê-lo, foram um bando de arruaceiros, no desrespeito e perturbação de uma campanha legal e democrática. 

Quem tem verdadeiro espírito democrático e respeito pelos demais, não tem o direito de perturbar e desrespeitar os outros, mesmo que por motivos que considerem legítimos, porque tudo no seu tempo e modo adequados.

Mas neste contexto e do que vi nalguma da nossa televisão, o foco desta não foi a acção de campanha da AD mas dos arruaceiros, dando-lhes cobertura, palco e voz. Das imagens e queixas de alguns dos arruaceiros, que disseram ter sido maltratadinhos pelos brutos dos polícias, parece-me que o que ficou a faltar para justificar as queixas, foram umas bastonadas, porque a burros não se dá conversa mas palha. Afinal eu faria o mesmo se viessem a minha casa perturbar o meu ambiente e a minha família. Quem se põe a jeito, como dizia o Jorge Coelho, leva!

O problema destes arruaceiros é que se sabe quem são, que orientações seguem e de que quadrantes vêm. Muitos fazem-no como militância e desafios e descarga de adrenalina e para mais tarde dizerem aos filhos e netos que estiveram ali nas manifestações, a darem o corpo às balas. Balelas!

Ora o tema do "free for palestine" invocado pelo grupo de arruaceiros, é legítimo e eu também, horrorizado com o que vai acontecendo naquele território e àquele povo, sou a favor dele, mas não tenho que o berrar nas orelhas dos outros como se  sejam eles os culpados directos nem perturbar a ordem pública. Por outro lado, porque não berram eles, com igual fervor, contra o Hamas? E porque não a favor da Ucrânia e contra os russos? E porque não alugam um avião e vão à Terra Santa berrar isso directamente nos ouvidos dos israelitas ou até Moscovo e gritar no Kremlin?

Já não há paciência para arruaceiros e muito menos para as televisões que lhes dão palco e tempo de antena. Em suma, a valorizar o que devia ser condenado. Mas é disto que a casa gasta! Habituem-se os que não gostam!