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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

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25.04.25

O 25 de Abril, o velho, o rapaz e o burro


a. almeida

Não assisti à cerimónia do 25 de Abril que decorreu na Assembleia da República (tinha mias que fazer), mas passando os olhos pelas "gordas da comunicação social, parece que a Esquerda desancou no Governo a propósito do adiamento da parte festiva da comemoração. Era o expectável.

Independentemente de o Governo se pôr ou não a jeito, e acho que se pôs, sejamos pragmáticos: A Esquerda, perante um Governo de Direita, ontem, hoje ou amanhã, mesmo que já em transição para novas eleições, e por isso em pleno período de campanha eleitoral, criticaria sempre, fosse pelo que fosse, por ter cão ou não ter, muito ao jeito da fábula de "O velho, o rapaz e o burro". Por conseguinte, apeado, em cima da besta sozinho ou com o rapaz, o Governo nunca se livraria das queixas e acusações. Faz parte do cardápio e das regras estar sempre contra, seja lá pelo que for — e, se não houvesse motivos, inventavam-se!

Não obstante, para o bem ou para o mal, o povo no geral, já os topou ao longe e já sabe do que a casa gasta pelo que, como se diz por cá, "vêm de carrinho".

26.04.24

Coração de papoila


a. almeida

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Uma papoila crescia, crescia, grito vermelho, num campo qualquer.

E que melhor maneira de festejar o Dia da Liberdade do que dela usufruir plenamente? Pois foi assim, ontem, 25 de Abril. Manhã cedo, rumo à serra da Freita - Arouca, quatro almas percorrendo um trilho não oficial, daqueles seguidos apenas pelo mapa e sentido de orientação.

Foram quase 15 km por trilhos e caminhos duros, de, subidas e descidas íngremes, com paisagens deslubrantes e a serra pintada de púrpura das urzes e de amarelo da carqueja. 

Em resumo, das cerimónias da data, nada vi nem ouvi, nem discursos do mais do mesmo, do rame-rame costumeiro, do recalcar do que foi feito, conquistado e do que falta cumprir. Não estarei cá, seguramente, mas daqui a mais 50 anos ainda será a mesma cantiga, isto se no entretanto os senhores da guerra, de dedo pesado, não accionarem os botões vermelhos.

Em resumo, um dia pleno de liberdade. Pena que de curta duração e hoje, já em trabalho, de novo preso à ditadura dos deveres e obrigações, porque isto de liberdade é bonito, como na cantiga e nos slogans, mas no fundo há bocas para alimentar, incluindo as do cão e gatos, casa para pagar, contas de seguros, de água, saneamento, gás, electricidade para não esquecer,  IMI, IUC, IRS, IVA para engordar o cofre comum.  Não falta quem se queira ver livre destas "algemas" e encontrar nas tetas do estado social a solução para todos os seus encargos, mas isso, não faltando quem delas mame, é para a larga maioria uma utopia. 

A vida, em todas as suas nuances, não se compadece nem vive apenas de lirismos. A realidade quase sempre é infalível a sobrepor-se à fantasia, à ilusão. Se estas existem e a elas recorremos, são apenas lenitivos que pouco efeito têm e que tomamos como placebos.

Quanto à foto de cima, captada numa das ruas de uma aldeia da Freita,  fiz da papoila coração.

Seguem-se alguns olhares da caminhada.

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24.04.24

Comments, no comments


a. almeida

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Em resumo, tudo lugares comuns, coisas muito certinhas e politicamente correctas. Mas como em tudo, há o reverso, ou, se quisermos, vários reversos da moeda: Há autores que gostam de receber comentários mas evitam fazê-los. Há os que com sentido de tolerância aceitam tudo, mesmo que críticos e contrários; Há os que apenas aceitam o que lhes agrada, reprovando os que traduzem o contraditório, mesmo que feitos de forma sustentada e correcta; Há, em suma, de tudo um pouco e o contrário.

Pessoalmente, não sendo dos que mais comentam, tenho comentado e sempre procuro fazê-lo de modo adequado, e de resto tudo o que tenho deixado como recado ou opinião, tem sido aprovado na moderação pelos autores e não raras vezes com simpática retribuição. Todavia, se há posts que me levam a querer comentar, mas que prevejo que será chover no molhado e malhar em ferro frio, pela ortodoxia dos autores e dos artigos, prefiro passar ao lado. Afinal é velho o ditado de que "lavar a cabeça a burros é uma perda de tempo e gasta-se sabão". Além do mais, aprendi numa leitura de um livro da minha escola primária, que travando-se de razões e em luta um moleiro e um mineiro, ficaram, naturalmente, ambos acinzentados. Face a isto, é pura perda de tempo.

Apesar de tudo isto, por estes dias deixei um comentário num blog onde alguém dissecava o livro de Passos Coelho e sobre o conceito nele de "família tradicional". Porque depois desse meu comentário já vi vários outros aprovados, deduzo que o meu tenha sido censurado ou posto em banho-maria a aguardar uma melhor disgestão. E isto surpreende, ou talvez não, vindo de alguém que supostamente defende os tais valores à frentex, abrileiros, muito na onda woke.

Normalmente quando os meus comentários são longos e que por si só dariam um post, costumo guardar o texto. Com pena, não foi o caso porque o reproduziria aqui com todas as letras. Ora como não pretendo nem gosto de refazer o que feito foi, fica sem efeito. Mas registo essa particularidade sobre a autora desse blog que escuso de publicitar. Naturalmente que perdeu o cliente mas haverá sempre quem por lá vá dizer que sim, que sim, que sim.

Vem , pois, este censura, a talho de foice, de que anda por aí muita boa gente a blogar, que apesar de defender os tão propalados valores de Abril, e com a liberdade na boca a toda a hora, tanto mais que amanhã se celebra o meio século sobre a data, na realidade são eles, ou elas,  não mais que uns ditadorzinhos birrentos que não lidam com a opinião contrária, o contraditório. Nada que surpreenda, antes pelo contrário.