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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

25.02.25

Ser poeta


a. almeida

Lá vai ele, poeta sem nome,
A semear palavras no chão,
Como quem planta e tem fome,
Mas nada colhe que dê pão.

Escreve e ninguém o escuta,
O mundo não o quer ouvir;
Tem o poeta uma dura luta,
Chorando, querendo sorrir.

Importa escrever de coração,
Avançar, nunca olhar para a ré;
Mais do que o ser por missão,
Ser-se poeta é um acto de fé.

Siga teimoso, rabisque a aurora,
Pinte do nada um novo horizonte;
Ser poeta é andar sem demora
A buscar sede onde nasce a fonte.