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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

12.06.25

Sandes de couratos e petinga de cebolada


a. almeida

O programa "Praça da Alegria" é mais um dos vários formatos de encher chouriços na nossa televisão e entreter a gente reformada ou aliviar a tensão nas salas de espera dos serviços públicos.  Para além disso, tem promovido umas espécies de concursos ou competições cujo principal objectivo é facturar com chamadas de custo acrescentado, levando a vinhança, família e amigos a telefonaram a escolher o concorrente A ou B, toque ele acordeão, pífaro ou castanholas, tenha talento e formação ou apenas um habilidoso com algum jeito. Aqui há uns tempos, correu pela freguesia um pedido para votar em alguém que lá iria estar a competir em qualquer coisa. Não precisava de ver e ouvir e ajuizar do merecimento, mas apenas porque era conterrânea.

Agora, parece que, dentro do mesmo, vai promover a Praça uma competição de petiscos. Não sei se serão, 10, 20, 30 ou 50 participantes ou concorrentes, mas na certeza de que um pratinho de moelas, petinga de cebolada, couratos de porco, rojõezinhos ou uma punheta de bacalhau, ganhando no juíz do telefone, no julgamento do quem mais liga, ficará com o pomposo título "O petisco melhor de Portugal", como se de facto o país inteiro na arte de fazer petiscos, ali fique representado. Não sei se participará a minha sogra com as suas papas de milho amarelo ou o Tono da Esquina que sabe combinar língua de porco com fígados de galinha como ninguém ou mesmo o Zé das Fêveras que as serve com o tamanho como se fossem de porco de 50 arrobas ou o Albino que as vende, as fêveras, ao metro ou a Adega Sporting, de Castelo de Paiva, com um cardápio de tudo quanto é petisco do bom e melhor. Talvez não, porque a Praça pode ser da Alegria mas deve ser uma tristeza de espaço para albergar tanta e tanta gente, do Minho ao Algarve, dos Açores à Madeira, que no que se refere à nobre arte da confecção da petiscada. 

Mesmo compreendendo o alarido televisivo, é, em rigor, um abuso, uma bacoquice, que por mais parcial que a coisa seja, se arvore e publicite como "o melhor de Portugal".

Vale o que vale, pouco, mas na arte de vender banha da cobra, importa antes o parecer que o ser. A nossa RTP, pública, que por isso devia ser mais comedida nos abusos e eufemismos, já não consegue ser diferente das demais. É a concorrência a ditar as leis.

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