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Diário de quem já não vai para novo

...porque as palavras são a voz da alma.

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29.05.24

Rio de Onor - A merecer amor


a. almeida

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Num fim de semana com tempo propício a dar à sola, uma saída pelo extremo nordeste transmontano. Dos locais que merecem passagem obrigatória, uma visita a Rio de Onor, eleita em 2017 num concurso manhoso como uma das 7 maravilhas das aldeias portugueses (aldeias em áreas protegidas), situada em pleno Parque Natural de Montesinho, no concelho de Bragança, mesmo no limite da raia, e, porque à beirinha e em continuidade, também um olhar à espanhola Rhionor de Castilla e cujas populações convivem irmanadas como se fossem uma única aldeia.

Aldeia de montanha, formada de casas típicas serranas onde predominam o xisto e a madeira como materiais de construção, com varandas alpendradas a que se acedem por escadas exteriores, e ladeadas pelo límpido rio com nome de Onor, do lado português, e del Fontano, do lado espanhol, que enquadram a paisagem, marcada pela igreja matriz de S. João Baptista, sem torre mas com campanário de dois sinos, como é típico por esta região transmontana.

Ambas as margens do rio são unidas por várias passagens, como a emblemática ponte de origem romana. Do lado de Espanha, a singular travessia por poldras (conjunto de pedras alinhadas, cada uma à distância de um passo).

Dizem os guias turísticos que é uma aldeia de coração comunitário e que tem nos seus habitantes o melhor património, com genuíno saber receber.

Talvez porque com a expectativa em alta, porque quem visita Rio de Onor apenas fotografa as coisas pitorescas, floridas e bem arranjadas, sobretudo o casario à face da ruela que margina o rio pelo lado esquerdo, confesso que fiquei desapontado. Esperava uma aldeia mais homogénea na sua estrutura e sobretudo bem limpa e arranjada, já que é nitidamente um local visitado. Do lado espanhol, mesmo que também com casario em ruínas e a igreja de Santa Martina desmazelada e ressequida pelo sol, vi mais asseio e limpeza das ruelas.

Mas vi, naturalmente, do lado português coisas bonitas, mas sobretudo muitas casas em ruína, a ameaçarem cair sobre quem passa nas rua, a merecerem melhor sorte e com reconstrução condizente à tipologia de materiais e tradição, o que não vi de todo na maior parte das reconstruções, algumas autênticas aberrações. Vi algumas dessas ruínas à venda, mas acredito que com valores desfazados da realidade. O local é bonito, com algum valor turístico, mas em rigor daquelas ruínas pouco ou nada se aproveita numa reconstrução, para além do modelo e tipologia a seguir e respeitar. Ora os vendedores e imobiliárias nestas casos têm a tentação de vender um monte de pedras como se ouro seja.

Fica a ideia que por ali, apesar da natureza da aldeia e da sua integração no Parque Natural de Montesinho, cada um constrói e reconstrói como bem lhe apetece. E do que se vê reconstruído, invariavelmente relacionado ao turismo, nomeadamente com casas de alojamento. A comprovar esta falta de gosto, até a vista frontal da bonita igreja matriz é perturbada por vários grossos e negros cabos da rede eléctrica. Que raio de gente esta que manda nestas coisas, a ponto de não serem capazes de encontrar uma solução que desvie os cabos da vista?

Merecia, de facto, uma maior atenção dos responsáveis. Ainda muito falta fazer por ali, mas também, convenhamos, quem é que se preocupa com uma aldeia isolada ali na extrema de um país que pouco ou nada valoriza o seu interior e sobretudo o mais profundo?

O caminho que falta percorrer nesse sentido de valorização e requalificação ainda é longo e sinuoso como a estrada que liga a Bragança, que dizem que parte dela só a partir de década de 1960, pelo que pelo menos uns 30 quilómetros até à aldeia eram percorridos apenas por trilhos e caminhos no que acentuava o seu isolamento face a povoados próximos, sobretudo à sede do concelho.

Rio de Onor, seja como for, a merecer visita, mas sobretudo amor.

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