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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

26.07.24

Panchorra? Onde é que fica isso?


a. almeida

monsanto.jpgPor vezes, muitas vezes, sinto-me algo anacrónico, fora de tempo e contexto. Será da idade de quem já não vai para novo? Será, quase com toda a certeza!

Os da minha geração têm que enfrentar de caras, como numa tourada diária no campo grande que é a vida, o bicho cornudo que é o intervalo que vai do 8 ao 80. Porque tivemos a oportunidade de ver e vivenciar tudo e agora o seu contrário.

Os mais novos, os que já pelos 30 ou mesmo 40, esses já nasceram num tempo em que o bicho da diferença andaria ali pelos 60, e com isso o salto aos 80, bem menos arriscado e impactante.

Nesta amplitude, a malta nova é cosmopolita. Pensa tudo em grande e à francesa. Viajar, só se para fora do país e quanto mais longe, melhor. Ir a Espanha como quem ía a Badajoz, a Ciudade Rodrigo ou a Tui aos caramelos, é coisa pequena e de quem ía passear com farnel em cesta de vime na camioneta da carreira.

Açaimado pelos tempos do 8, dou comigo a deliciar-me a visitar vilas e aldeias do nosso Portugal, mesmo do mais profundo, a subir escadas e a descer veredas, a contornar montes e vales, a indagar igrejas, capelas e pelourinhos, a procurar saber de histórias e gentes e locais. E quanto mais vejo mais me falta ver, e com isso sem tempo para transpor a fronteira, nem mesmo para ir aos caramelos.

A Londres, Roma, Paris ou Nova Iorque, e outras que mais franças e araganças, só por postais ou metendo-me no taxi do Google Street View.

Mas não me incomoda nem me menoriza, porque tivesse esse desejo, como a maioria pregava uns calotes e lá ía voar para ali e para acolá, a enriquecer o portfólio de viagens, a provocar inveja aos amigos nas redes sociais.
Mas não! De resto faz-me confusão que em conversa com alguns conhecidos, estes se gabem de já terem estado à sombra das pirâmides de Gizê, a molhar os pés na Fonte de Trevi, a olhar pelo monóculo da Torre Eiffel, a espreitar pela coroa da Liberty Statue ou a chupar um gelado por Copacabana quando, vai-se a ver, sendo portugueses do norte, nunca foram a Arouca, a Lamego ou a Bragança. Vejam agora quanto mais conhecerem Sortelha, Alfaiates, Monsanto, Cidadelhe, Muxagata, Regoufe, Rio de Frades, Lomba de Arões, Serapicos, Tourões, Sistelo, Gralheira, Panchorra ou Pretarouca? Onde é que fica isso?

 A pergunta pedia que respondesse  "abaixo de Braga", mas como educado que sou, sugiro que melhor é melhor irem à Agência Abreu! Devem ter pacotes em preço!

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