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Diário de quem já não vai para novo

...porque as palavras são a voz da alma.

Diário de quem já não vai para novo

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09.05.24

Paga lá o IMI e não digas que vais daqui

Ou como viver sem nada fazer


a. almeida

Há coisas que mais que coincidências parecem premonitórias: Próximo da minha habitação, existe um edifício de habitação social, coisa de uma vintena de fogos. Escusado será dizer que é tudo menos um exemplo de boa vivência e cordialidade. Pelas vezes que para ali são chamados a GNR ou os Bombeiros, para acudir a diversas situações de conflitos, roubos, discussões, agressões, mais valia que lá fizessem um posto e um quartel permanentes.

Ainda hoje, andando no meu quintal fronteiriço, entretido a estacar feijões, ouvi berros e ameças de um filho a chamar a mãe de filha da outra e a elencar uma lista de animais a começar pela vaca, e outros impropérios à altura dos mais apurados deliquentes. E pelo barulho, estaria a partir tudo o que fosse de espatifar. Mas estes deliquentes que até vão à presença do juiz, como tem sido o caso, são libertados a troco de umas horas de trabalhos comunitários que em em rigor nunca cumprem. Gozo puro e duro a que a autoridade e estâncias sociais do município já não têm mão ou assobiam para o lado onde não chove. E assim vamos andando nesta república de bananas, neste faz de conta de boa justiça, campo vasto tão defendido por certas esquerdas.

Ora esta gente, entre alguns, poucos, bons, integrados, honestos e pacatos, de uma quase vintena de alojamentos pagarão na sua maioria uns tostões de renda, coisa simbólica e não há água nem electricidade cortada, mesmo que não pagas as mensalidades. Pelo meio recebem sacos e cabazes de mercearia e têm taxas sociais de tudo e mais alguma coisa. Mas é vê-los a acartar garrafões de vinho da mercearia ao lado, a fumar como desalmados, de bons telemóveis, etc, etc. Assim é que é viver. Trabalhar é que não. Afinal o Estado é bom e generoso e quem trabalha há-de sempre subsidiar quem não.

Ora, cá está a tal coincidência, quando chego a casa tenho uma cartinha da diligente Autoridade Tributária a reclamar neste mês de Maio o costumeiro imposto semestral do IMI, qualquer coisa como duzentos euros e picos, no que resulta em quase quinhentos euros anuais. Feitas as contas, corresponde a muito mais do que o valor da renda anual paga por essa gente, muitos deles verdadeiros oportunistas, parasitas. Mas eu, que trabalho, que pago os impostos, prestação do crédito de habitação ao Banco, etc, etc, tenho ainda que pagar IMI, a renda da minha própria casa que edifiquei num terreno que comprei, fruto do meu trabalho e suor, paga com todos os impostos de IVA, de taxas de urbanização, licenças camarárias, etc, etc.

Surpreende, por tudo isto, por esta desfaçatez, por esta desproporcionalidade, por este permanente far niente ,que alguém se revolte e encontre num qualquer CHEGA o porto da sua indignação? Quem souber que responda!

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