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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

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20.10.25

O "investimento" a dar frutos


a. almeida

Da imprensa - RTP: "APAV. Mais de 2.800 pais pediram ajuda por violência dos filhos nos últimos três anos.
O número de progenitores agredidos pelos filhos que pediram ajuda à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima aumentou mais de 27% nos últimos três anos, ultrapassando as 2.800 pessoas, uma média de 2,6 casos por dia.

Segundo as estatísticas da APAV sobre "Filhos/as que agridem Os Pais/As Mães", a que a Lusa teve acesso, entre 2022 e 2024, o número de vítimas aumentou de ano para ano, registando-se 815 casos no primeiro ano, 962 no ano seguinte e 1.036 em 2024.

Significa que, no global, há um aumento de 27,1% e que, em média, a APAV ajudou cerca de 78 pessoas por mês, 18 por semana e 2,6 por dia.

Em declarações à Lusa, Cynthia Silva, criminóloga na APAV, apontou que este aumento "pode significar que há mais vítimas a procurarem o apoio da APAV", o que é um "aspeto positivo", mas chamou a atenção para outra percentagem, a das pessoas que ficam em silêncio."

Uma conclusão:
Tempos houve em que a ordem e disciplina na casa eram impostas com mão dura e castigos pesados. Nunca fui dos mais travessos e por isso menos atingido, mas numa casa com 10 filhos, o meu pai também impunha a ordem, mesmo sem severidade extrema. Na vizinhança, raro era o casal que não tinha pelo menos meia dúzia de filhos e até era normal o dobro disso. A tónica comum era mesmo a disciplina rigorosa. Aprendiam uns pelos outros.

Ainda assim, decorridos todos estes anos, sinto que cada castigo que me foi aplicado mostrou-se necessário e pedagógico e porventura até com algum défice. Todos os restantes irmãos não se livraram disso e todos deram homens e mulheres a sério. Mas, claro que havia excessos, muitos, porque em boa parte era cultural, e se houvesse queixinhas pelo rigor da professora na escola, a dose dobrava em casa. Era certinho e direitinho.

No entretanto os tempos mudaram e, bem à portuguesa, depressa se passou do 8 para o 80, com todos os exageros. Agora não se pode falar alto ou dar um tabefe a um filho ou a um aluno, por mais merecido que seja, por ser o mais rufia, indsciplinado e até ofensivo para os pais, professores ou colegas. Estamos no tempo do absurdo e dele não escapam as instituições. Em muitos casos são os pais a ofenderem-se que os professores os substituam no dever da educação que, no geral, é nenhuma. Indignam-se com uma repreensão. É motivo de queixa e, tantas vezes, de esperas ameaçadoras no final das aulas

Assim, estas notícias de que já não são os pais os agressores dos filhos, mas o contrário, e os números revelados serão apenas a pontinha do icebergue, tenho cá para mim que para muitos pensadores, estes sinais são de progresso. No fim de contas, a política do desleixo e da permissividade a todo o custo, em que a disciplina e a ordem são coisas para relevar ou mesmo proibidas, está já a dar frutos. Devem, pois, estar muito satisfeitos todos os arautos e defensores de que as criancinhas não devem ser submetidas ao processo da educação e da disciplina, mesmo que isso implique levantar-lhes a voz, dizer-lhes que não, e mesmo a aplicação de uns bons  tabefes se necessários.

Em suma, é sempre bom quando o "investimento" começa a resultar.

Deitem foguetes!

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