02.12.25
O estado dos golpes de estado
a. almeida
De tentativas e consumados golpes de Estado na Guiné Bissau, já lhes perdi a conta. Deles, resulta a percepção de que esta gente, a importante e com cargos de algum poder e influência, não fazem mais nada na vida senão isso, tal é avidez de poder pela via militar, na defesa, não do pobre povo, mas deles próprios e dos seus negócios criminosos.
Resulta daqui que esta ex-colónia portuguesa continua a não passar de um país pobre que teima em não encontrar estabilidade e progresso.
Muito por estas situações, a juntar à desorganização administrativa, disfuncionalidade das instituições, corrupção ao mais alto nível, ainda há líderes que têm a lata de pretender assacar esta situação ao colonialismo português, como se meio século de independência não fosse suficiente para encarrilar no progresso.
Com todos os defeitos do colonialismo, desde logo por ele próprio, antes das independências e das guerras civis que se seguiram, Portugal deixou as ex-colónias relativamente bem organizadas e dotadass de boas infra-estruturas, tendo em conta a dimensão dos territórios e da própria capacidade da potência colonizadora, que também não era muita. Mas tudo, muito ou pouco, foi destruído.
Assim sendo, estas ex-colónias vão andado neste jogo do sub-desenvolvimento sistémico, não se culpando a elas próprias, pelas suas incapacidades e todos os defeitos de sistemas altamente corruptos, preferindo remeter para o distante colonialismo essa factura de atraso.
É o que temos e, como diz alguém, que se fodam, que se governem como muito bem entenderem. Não venham é com desculpas, já fora de tempo e contexto, a assacar responsabilidades na cara de quem nos representa frouxamente.
Daqui a mais 50 anos, quem ficar por cá perceberá que pouco terá mudado, porque esta gente que gira à volta do poder, não sabe nem quer fazer outra coisa que não seja apenas para benefício deles próprios.
O prazo para o próximo golpe já está a contar. Tic-tac, tic, tac.