Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Diário de quem já não vai para novo

...porque as palavras são a voz da alma.

Diário de quem já não vai para novo

...porque as palavras são a voz da alma.

24.02.24

Escreve bem (mas tão chato)


a. almeida

Há dias alguém me confidenciava que uma certa figura pública da nossa praça, escrevia tão bem e de forma tão sensível que nos tocava profundamente, que era capaz de exprimir por palavas escritas o que de facto sentimos na alma ou mesmo no corpo, e no caso em concreto porque muitos desses escritos não eram apenas meras filosofias, destas que, como diria o nosso povo, "arrancadas do cú com um gancho",  mas retratos minuciosos do estado de alma de pessoas concretas. Não ainda sobre coisas de lana caprina que no geral nos enchem as redes sociais e revistas cor-de-rosa, nem de lugares comuns e pensamentos talhados para impressionar, mas da angústia e dores de quem sofre por problemas de saúde e mobilidade e ainda pelas falhas e limitações do nosso sistema de saúde que apesar de muitos e bons profissionais ainda padece da falta de humanidade ou mesmo de poesia.

Mas essa confidência e essa constatação vinha acompanhada de um senão, de um mas...a de que apesar disso, escrevia ele muito, demasiado, no que resultava em textos longos e por isso "aborrecidos" de ler e que assim quase sempre ficava-se pelos primeiro ou segundo parágrafos.  

O pior de tudo é que dou comigo a pensar que porventura será mesmo assim que uma larga maioria de pessoas analisa essa escrita, em particular, mas tantas outros no geral, e muitos até concordarão que de facto escreve bem, de forma sensível, e até atalham a timbrar com um gosto ou um comentário curto quando publicados esses escritos nas redes sociais, mas em boa verdade passam ao lado de toda a história.

Efectivamente as pessoas não têm paciência para ler coisas extensas mesmo que reais e sentidas. São capazes de devorar revistas cor-de-rosa a saber do dia-a-dia daquelas pessoas que por regra são fúteis, ou mesmo a reler romances inventados, ficção pura e dura, mas quando se trata das dores de pessoas concretas a coisa pia mais fino. Tendemos a ficar pelo lado de fora das coisas e das ideias porque cada vez mais vamos sendo afunilados no gosto fácil e rápido. A paciência, no sentido puro, é um valor que está em vias de extinção. Assinamos de cruz e colocamos o visto nas condições de contratos sem as ler.

Passemos à frente!

4 comentários

Comentar post