21.03.25
Dia Mundial da Poesia
a. almeida
As cores e o poeta
Tantas vezes é o poeta um pintor
Que só usa a paleta de cinzentos,
Ainda com as cores por descobrir.
Nas suas telas há angústia, há dor,
Como se todos os seus fundamentos
Assentem no vislumbre de nos ferir.
E, contudo, mais que tudo, há o céu,
Há montes e vales, flores a pedir cor,
O sol a nascer, romper de luz o breu
Da noite escura dos olhos do pintor.
Não quebrou, o poeta, a corrente, o elo
Que o liga à cor das coisas, do mundo,
Mas apenas pinta conforme o fantasia;
O azul, o vermelho, o verde e amarelo
São cores que tem num olhar profundo
Mas guardadas só para pintar a alegria.