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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

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26.04.24

Coração de papoila


a. almeida

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Uma papoila crescia, crescia, grito vermelho, num campo qualquer.

E que melhor maneira de festejar o Dia da Liberdade do que dela usufruir plenamente? Pois foi assim, ontem, 25 de Abril. Manhã cedo, rumo à serra da Freita - Arouca, quatro almas percorrendo um trilho não oficial, daqueles seguidos apenas pelo mapa e sentido de orientação.

Foram quase 15 km por trilhos e caminhos duros, de, subidas e descidas íngremes, com paisagens deslubrantes e a serra pintada de púrpura das urzes e de amarelo da carqueja. 

Em resumo, das cerimónias da data, nada vi nem ouvi, nem discursos do mais do mesmo, do rame-rame costumeiro, do recalcar do que foi feito, conquistado e do que falta cumprir. Não estarei cá, seguramente, mas daqui a mais 50 anos ainda será a mesma cantiga, isto se no entretanto os senhores da guerra, de dedo pesado, não accionarem os botões vermelhos.

Em resumo, um dia pleno de liberdade. Pena que de curta duração e hoje, já em trabalho, de novo preso à ditadura dos deveres e obrigações, porque isto de liberdade é bonito, como na cantiga e nos slogans, mas no fundo há bocas para alimentar, incluindo as do cão e gatos, casa para pagar, contas de seguros, de água, saneamento, gás, electricidade para não esquecer,  IMI, IUC, IRS, IVA para engordar o cofre comum.  Não falta quem se queira ver livre destas "algemas" e encontrar nas tetas do estado social a solução para todos os seus encargos, mas isso, não faltando quem delas mame, é para a larga maioria uma utopia. 

A vida, em todas as suas nuances, não se compadece nem vive apenas de lirismos. A realidade quase sempre é infalível a sobrepor-se à fantasia, à ilusão. Se estas existem e a elas recorremos, são apenas lenitivos que pouco efeito têm e que tomamos como placebos.

Quanto à foto de cima, captada numa das ruas de uma aldeia da Freita,  fiz da papoila coração.

Seguem-se alguns olhares da caminhada.

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