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Diário de quem já não vai para novo

...porque as palavras são a voz da alma.

Diário de quem já não vai para novo

...porque as palavras são a voz da alma.

28.05.24

Avé, ó César!


a. almeida

Bem sei que na vida tudo é relativo e de absoluto só se nos oferece a morte. Venha quando vier, por circunstância significativa, banal, esperada ou improvável, é certa.
Apesar deste absolutismo, vamos passando pela vida nem sempre de forma condizente, como se a vivermos como imortais. Os mais novos sem ainda fazer contas porque "com toda a vida pela frente", e os mais velhos ainda com a ilusão de que cada mês é um ano.

No geral, casamos, dá-mos filhos ao mundo - coisa fácil e prazerosa - alguns, na ruralidade, até plantam uma árvore e outros até escreverão um livro, como se bastante para justificar o sentido de uma vida, como considerava necessário o cubano poeta José Marti.

Outros fazem coisas maiores, mais significativas, e podem aspirar a viver já depois de mortos, porque a História poderá reservar-lhes um lugar, uma evocação acompanhada de meia dúzida de datas e factos. Mas a maioria passará pela vida e pelo mundo sem qualquer marca de signficado, por isso cada um entre milhões e milhões, formiga no formigueiro, abelha na colmeia, sem nada que os diferecia, nem perante a aldeia global, que é coisa difícil, mas nem sequer entre os seus.

Todavia, e principalmente a marcar os tempos que correm, e olhando pela janela das redes sociais, o que não faltam é heróis alevantados em pedestais de bajulações, como se cada "like" seja um tijolo na elevação do monumento. E não se pense que o merecimento é por coisa digna ou de relevo. Não! Basta que sejam capazes de fazer as coisas mais banais e comuns a um ser humano, como o dar um simples peido. Importa é que se pertença ao rebanho e deter sobre ele alguma predominância, porque o colectivo, o gregário, compõe o ramalhete e trata do resto, de levantar o pedestal e, finda a obra com as garridas cores com que se pintam egos, a coroação. Não faltam, pois, bajulados e bajuladores, e até a nossa imprensa, devota daqueles, está pejada destes.

Avé, ó César!

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