03.07.25
A efemeridade da vida
a. almeida
A morte inesperada de qualquer pessoa, sobretudo se jovem, é um choque para todos quantos a conhecem e com ela conviveram, sobretudo para os familiares e mais próximos.
Estou, pois, chocado com a morte do atleta e futebolista Diogo Jota, e do seu irmão André, em acidente de viação ocorrido em Espanha, notícia que neste momento ocupa os vários canais de informação e enche as redes sociais com expressões de profundo pesar que, naturalmente, serão sinceras.
Compreendo o mediatismo da fatalidade, dado ser uma figura pública e ainda por cima com ligação ao negócio do desporto profissional e do futebol. Por ele, atleta da selecção nacional.
Apesar disso, a morte, independentemente das circunstâncias e de quem atinge, da sua relevância pública, do seu estatuto social e económico, etc, é exactamente igual para todos.
Infelizmente, mas a pura realidade, diariamente morrem jovens como o Diogo em acidentes e incidentes de toda a espécie ou vítimas de doenças.
Por conseguinte, mesmo que compreendendo o destaque nacional que está a ser dado, não me choca mais nem menos a morte fatídica do Diogo Jota do que a do seu irmão ou de qualquer outra pessoa, por mais anónima que seja, como qualquer uma das milhares, nomeadamente de crianças na Faixa de Gaza, por fome ou aniquilamento, ou em qualquer outra parte, como os milhares de civis inocentes vítimas de guerras horrendas, como as que têm, de forma mais notória, assolado o Médio Oriente e a Ucrânia.
Pessoalmente, compreendendo-a, custa-me assumir esta relevância extra ao Diogo, não mais que lamentando profundamente a sua morte e compadecer-me com a dor da família, mas na justa medida que a dispensada a qualquer outra pessoa, nomeadamente os que como ele, jovens, partem inesperadamente.
Que mais não seja, serve este duplo drama para termos sempre e de forma mais presente a efemeridade da nossa vida e de que nada adianta ser-se figura pública, jovem, famosa, endinheirada, etc, etc. A morte, seja em que circunstância, não se compadece com os nossos critérios sociais, de respeitabilidade ou considerações humanas. Para ela não há diferenciação.
Que descanse em paz o Diogo e o irmão André, e sentido pesar para com os familiares mais próximos, concerteza envoltos na mais profunda dor.