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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

24.08.25

Na glorificação da selvajaria


a. almeida

Li algures que morreu um forcado em contexto de tourada, colhido durante uma pega, bem como uma pessoa que assistia depois de se sentir mal com  a cena. Lamento, concerteza que sim, ambas as mortes, mas não mais do que isso. Quem vai à guerra dá e leva e quem ainda insiste e persiste em participar activa ou passivamente nestes espectáculos deploráveis, onde se glorifica a selvajaria gratuita sobre um animal nobre, não pode esperar grandes consternações.

Apesar de tudo, continua esta imoralidade e não falta quem se deleite a assitir ao sofrimento animal. Triste de mais.

 

11.08.25

Juízes, os verdadeiros senhores


a. almeida

Vamos mal, parece-me, que algumas das importantes decisões sobre o país, nomeadamente sobre aspectos de regulação da imigração, caibam a um grupo de juízes que não são eleitos nem escrutinados pelos portugueses, sobrepondo-se à vontade política legitimida por eleições. Ademais, defensores, divididos, de uma Constituição do tempo das calças à boca-de-sino, sapatos de tacão alto, de patilhas e cabelos compridos.

Em resumo, pouco ou nada valerá que a maioria do eleitorado, democraticamente, legitime propostas e programas. Há-de-haver sempre juízes que se sobrepõem a esses desideratos.

No entretanto, a ilegalidade continua a dar à costa algarvia. Já que cá estão, promova-se o ajuntamento familiar . Os senhores do Palácio Ratton estarão de acordo.

30.07.25

Imprensa de palha


a. almeida

jornalismo de palha.jpg

Nos meus tempos de criança, enchia-se um colchão com palha. À falta de outras coisas fofas, com substância, era a solução. Hoje em dia, também há palha, e muita, nomeadamente na nossa televisão, no nosso jornalismo, na nossa imprensa. Jornais para serem lidos na retrete, que não se coíbem de enfeitar o espaço nobre de um título com uma minudência social, como que um aperitivo a aguçar o "apetite" por mais palha, que virá numa página interior.

A burros dá-se palha, mas, pelos vistos, também aos leitores.

24.07.25

Imprensa de retrete


a. almeida

pipoca.jpg

Quando um jornal de referência nacional, como o Jornal de Notícias, dispensa quase uma página inteira, a cores, a uma figura das revistas cor-de-rosa, informando os leitores que tal notabilidade se encontra de férias na quentura das águas do Mediterrâneo, diz muito da qualidade do título em particular e da imprensa no geral.

Uma de tal Ana Garcia, que dizem ser uma pipoca mais doce, apreciada por uma multidão de "maria vai com as outras", deve ser assim uma espécie de figura indispensável na nossa sociedade a ponto de não poder passar em claro a "novidade" jornalística de que se encontra em Formentera, a gozar as delícias do Verão.

Que dispense o JN essa reverência e referência na versão digital, vá que não vá, mas a ocupar uma preciosa página de papel, é demasiada vulgaridade e um desperdício face a tanta coisa mais sumarenta para noticiar.

Em todo o caso, consuma quem quiser. Falo por mim, que nem gosto de pipocas, sejam elas doces ou salgadas. Noutros tempos, tal publicação sempre daria jeito na retrete. Mas hoje em dia, com papel higiénico aveludado, com ou sem folha dupla, às cores e às bolinhas, e com perfume a rosas ou a lavanda, nem para isso se encontra proveito.

Tempos moderno, estes, com uma imprensa de retrete.

18.07.25

É pena, mas os James não são a Santa Casa da Misericórdia


a. almeida

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Não sendo fake, segundo o pomposo título do Blitz, os James dão concerto gratuito em Penamacor. São uns queridos, os James. Ainda há gente a trabalhar de graça, a dar música à gente do interior profundo. 

Conto passar nestas férias a Penamacor, mas não no dia 2 de Agosto. Talvez lá para o 22 mas nessa altura já os James estarão a dar concertos à borla noutro sítio, quiçá na Festa de Nossa Senhora dos Aflitos ou dos Navegantes.

Claro está, como nos sonhos, nem sempre o final é feliz, porque, dizem, e confirmei no base.gov, o concerto que os "James dão", afinal custa a módica quantia de 149 mil euros. Coisa Pouca. Podia ser o Conjunto Típico Filhos da Alvorada, contratados por 750 euros mais IVA, mas, porra, são os James, que devem ter fama. Penamacor também é Portugal.

Resulta daqui que os títulos, as "gordas" são manipulados como melhor convém aos manipuladores.

Afinal os James não dão milho a pintos, nem aos penamacorenses, e são, afinal, como todos os outros, que por estes meses quentes mostram um país que não está em crise, com tudo o que é festival de música a rebentar pelas costuras de clientes endinheirados.

Quanto aos fregueses daquele concelho do nosso interior, mesmo sem a borla dos James, vão ter, dizem, um concerto gratuito, de entrada ivre. O facto da despesa da Câmara Municipal de um município com apenas 4797 habitantes, corresponder a 31 euros a cada um dos seus contribuintes, é coisa menor. Nem se dá conta!

Estes desmandos das nossas autarquias a estourar os parcos recursos em pão e circo, sobretudo a poucos meses de eleições, vão sendo correntes e recorrentes e parece que todos acham normal e que vale o investimento para uma hora ou duas de música. Aposto que quando por lá passar por meados de Agosto vou encontrar ruas esburacadas, espaços públicos por limpar e outros desmazelos, próprios de uma Câmara pobretanas, mas, porra, talvez ainda encontre por lá pendurados uns cartazes com os porreiraços dos James.

24.06.25

Esta mania de generalizar...


a. almeida

Confesso que fico arreliado quando, em parangonas, vêm dizer-nos que a RTP é a canal de televisão que os portugueses mais confiam. O mesmo quando dizem que o JN é o jornal em que os portugueses mais confiam ou que os veículos da Toyota são os de mais confiança. E assim com outras marcas, dependendo de quem as faz, e parece que são várias as entidades ou empresas interessadas com a opinião dos consumidores portugueses.

Tanto quanto saiba, não dei para esse peditório, não fui ouvido nem achado. Pelo contrário, não tenho alguma confiança nesses dois órgãos de comunicação social. Na RTP até me confrange saber ser contribuinte obrigado. Quanto à Toyota, nunca conduzi e alguns amigos até dizem que já foi chão que deu uvas.

Não obstante, sabemos que é assim que as coisas funcionam, como nas sondagens. Abordam-se telefonicamente umas poucas centenas de pessoas, colhem-se as respostas, tantas vezes canalizadas para o alvo, e depois, voilá, dá-se o resultado como se corresponda de facto a todos os portugueses, tanto os de Lisboa como os de Curral das Freiras ou os de Vila Cova à Coelheira. As marcas, claro, aproveitam essas deferências como medalhas e não perdem tempo a anunciá-las aos portugueses, como se realmente todos eles tivessem dado opinião.

Esta mania de generalizar...

09.06.25

Como desligar a campaínha...


a. almeida

tocar campainha.jpg

- Porque é que, em Portugal, a maioria dos fornecedores de serviços — como internet, televisão, telecomunicações, água, eletricidade, entre outros — não disponibiliza contacto por e-mail e se limita a números com atendimento automático e formulários impessoais, tornando muito difícil falar com alguém real?

Eu sei os motivos, e creio que a maioria dos consumidores, mas colocada a um modelo de Inteligência Artificial, a resposta deste não anda longe da realidade. Peca, apenas, por não dar o foco principal ao verdadeiro motivo, o de evitar o contacto com os clientes e aturar as suas queixas e resolver os seus problemas.

Em resumo, como quando não queremos ser incomodados com gente que nos bate à porta pelos mais diferentes motivos, para pedir ou vender, vamos ao quadro eléctrico e desligamos o disjuntor:

Eis as respostas da IA:

Essa é uma excelente e pertinente pergunta, e infelizmente a situação que descreves é bastante comum em Portugal — embora também se verifique, em diferentes graus, noutros países.

As principais razões pelas quais os fornecedores de serviços em Portugal (internet, TV, telecomunicações, águas, eletricidade, etc.) evitam disponibilizar contacto direto via e-mail e dificultam o contacto com humanos são:

1. Redução de custos operacionais:
Falar com humanos custa dinheiro. Ter uma equipa dedicada a responder a e-mails ou atender chamadas com operadores reais exige: Salários, Formação contínua, Equipamentos e infraestruturas, Supervisão da qualidade.

Ao substituírem estes canais por formulários automatizados, FAQs, e bots, as empresas cortam custos. Automatizar o serviço ao cliente é muito mais barato do que manter pessoas a tempo inteiro para isso.

2. Controlo da informação e do processo:
E-mails são difíceis de padronizar e de controlar: um cliente pode expor uma situação complexa que exige resposta personalizada, o que complica a operação da empresa.

Com formulários ou bots:

Reduzem-se as hipóteses de reclamações mais elaboradas.

O cliente é forçado a seguir um "caminho" predefinido.

A empresa gere melhor os tempos de resposta e os temas abordados.

3. Evitar "rasto escrito vinculativo":
Respostas por e-mail geram prova escrita clara — algo que os clientes podem usar mais tarde em queixas à DECO, ANACOM, Provedoria de Justiça ou Tribunal Arbitral.

Ao forçar o contacto por telefone ou formulário impessoal (que muitas vezes nem fornece cópia), dificultam a criação de provas e responsabilização jurídica.

4. Pressão mínima para melhorar:
Em setores como telecomunicações, energia ou águas, há pouca concorrência efetiva. Muitos clientes não têm escolha prática ou enfrentam entraves à mudança.

Isto reduz o incentivo das empresas a melhorar a experiência do cliente.

5. Estratégia deliberada de frustração ("churn control"):
Algumas empresas criam barreiras de contacto de propósito para dissuadir cancelamentos, reclamações ou pedidos complexos. Ao tornar o processo cansativo ou frustrante, muitos clientes desistem.

E-mail: por que evitado especificamente?
E-mails geram obrigações de resposta dentro de prazos legais (ex: 15 dias úteis para entidades reguladas).

Há risco de exposição se houver fuga de informação.

Não há "filtros" prévios como nos formulários, onde o cliente é forçado a categorizar o pedido e muitas vezes "encaixado" em temas que não correspondem bem ao seu problema.

Mesmo nos contactos telefónicos pelos números específicos, nem sempre grátis, são frequentes e recorrentes as demoras , sendo apresentado de forma automático um labirinto de opções que nem sempre vão de encontro às necessidades específicas dos clientes. Os tempos de espera até que realmente um operador atenda, são significativos e levam muitas vezes os clientes a desistir sem que o contacto seja estabelecido e o problema reportado.

Conclusão:
O modelo atual é uma mistura de redução de custos, falta de concorrência, estratégia de controlo do cliente, e evasão de responsabilidade. A maioria dos clientes não tem tempo ou energia para insistir ou recorrer a entidades reguladoras — e as empresas, sabendo disso, exploram e até abusam dessas limitações.