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Diário de quem já não vai para novo

...e sem paciência para seguir o rebanho.

Diário de quem já não vai para novo

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28.01.26

Debate inócuo


a. almeida

Assisti ao debate, em cerca de 75%. Não vi o resto porque tornou-se demasido monótono e previsível. Ambos nos seus estilos bem definidos e reforçados pelo que vão anunciando as sondagens. A espaços, o debate remeteu-me para 1986, mas com as posturas trocadas. Seguro a fazer de Freitas do Amaral, sorridente, educado, e Ventura no papel de Soares, caceteiro, manhoso, a bater nas feridas, a pintar diabos em quadros cinzentos. 

António José Seguro, como uma equipa de futebol que ao intervalo está a vencer por margem folgada, não arriscou, optando por trocar a bola no meio campo e até com passes ao guarda-redes, para não se desgastar, num jogo cínico, esperando apenas o fim  do apito. André Ventura a tentar bater onde mais doerá a Seguro, mas sem grandes efeitos porque o adversário já sente que a sua carapaça tem a resistência suficiente. De resto, por ser o patinho feio do PS, envergonhadamente apoiado nesta candidatura, tem sentido que o seu prejuízo pela ligação ao PS é inócuo, mesmo com o Ventura sempre a tentar a fazer essa ligação, como se o homem fosse o António Costa ou o Pedro Nuno Santos.

Em suma, por mim considero que o debate foi mais show-off do que susbtância. Seja como for, no essencial Ventura tem razão: Será mais do mesmo e teremos um presidente decorativo, muito honesto, educado, moderado mas sem rasgos ou abanões que sacudam o sistema que, entre uns e outros, vigora de há 50 anos. 

Não obstante, se Ventura tem razão na substância, falta-lhe a solidez de uma pessoa adulta e pragmática, que possa transmitir confiança ao eleitorado para lá dos zangados com o rame-rame de sempre.

Venha a eleição, mas já sem qualquer pinta de suspense ou interesse. Mesmo os que defendem que está em causa a democracia, já terão percebido que fizeram figuras ridículas.